quarta-feira, 25 de março de 2009

Os medos que tenho...

Foi escutando uma música do Foo Fighters que tive a idéia para escrever este texto.
A tal música se inicia com a seguinte frase: “Eu tenho uma confissão a fazer”.

Eu tenho uma confissão a fazer.

Eu tenho medos.

São muitos, grandes e variados. Alguns dizem respeito apenas a minha pessoa, como o medo que tenho de insetos, debato-me todo quando algum resolve se jogar em mim. Tenho também medo de pés femininos mal cuidados, eles realmente me assustam, mas mais pelo desleixo da dona do que pela sua estética medonha. Tenho medo de velocidades muito altas, 110 km’s por hora estão mais do que suficientes. Tenho medo de fracassar, mesmo quando pareço estar estagnado. Tenho medo de baladas fortes, porque me estresso com fila, calor, descaso com a segurança, apertos e trombadas, e no final ter de pagar caro por tudo isto. Tenho medo de servir churrasco fora do ponto, seja ele queimado ou cru. Tenho medo da sensação de cair, seja de qualquer altura.
Outros medos dizem respeito às outras pessoas, como o medo que tenho de radicalismos, ascos em mim afloram quando vejo alguém destratando outro por conta de política, raça, futebol ou o que quer que seja. Tenho medo de pessoas mal-educadas e desrespeitosas também. Educação e respeito foram valores que me foram ensinados, e tenho certeza que os ensinarei se descendentes tiver. Nem preciso explicar o tamanho do desconforto que tenho quando não vejo os mesmos em prática por outras pessoas...
Tenho medo de petulância, nunca sei qual é a real razão para indivíduos se acharem melhores que outros. Daí também decorre outro medo, o da falta de humildade, este para mim até pecado é. Quem não é humilde não vai para o céu. Todos têm o mesmo valor, independente do recheio da conta bancária, profissão, refino social ou posição empregado/empregador. Humildade mantém os nossos olhos abertos longe da ignorância e grosseria que é se achar superior.
Alguns medos meus unem os dois conjuntos: Dizem respeito a mim e também as pessoas. Como o da falta de noção, ou melhor, a falta de visão em momentos que somos inconvenientes. Confesso que estou sempre de olho para não sê-lo, e mesmo assim, de vez em quando acontece. Agora imagine quem nem ao menos se preocupa... o tamanho do mal que causa. O pior é aquele que tenta sempre ser engraçado, e sempre desrespeita, ofende e é inconveniente por conta disto.
Outra coisa que tenho medo em mim e nos outros é o descontrole, principalmente no que tange aos momentos em que estamos motivados por sentimentos de revolta e injustiça.

De tempos em tempos, sentimos necessidade de mudanças em aspectos diferentes da nossa convivência social. É a tal da historia de sentar direito só quando as costas já estão doendo. O que é inerente nestes momentos é que eles são motivados por sentimentos extremos, gerados por situações desconfortáveis e que causam irritação.
E é ai que mora o problema. Sangue quente gera sangue quente. Discussões nessas horas sempre dão errado na execução, mas não quer dizer que vão dar errado nos resultados. As formas são erradas, os conteúdos discutidos não.

Os velhos ditados já dizem o que acontece nos próximos capítulos: Deus escreve certos por linhas tortas, há males que vem pra o bem e o tempo é o Senhor da razão.

Disso eu não tenho medo.

Os resultados destes momentos são e serão benéficos, é uma certeza.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Imortalidade

Filosofar barato é algo que não tenho preconceito nenhum com quem faz. Eu mesmo faço, e confesso que gosto demais, tanto da filosofia em si quanto dos seus resultados.
Jogue a primeira pedra quem não gosta.
Não faz muito tempo, me vi filosofando em meio a um galeto assado ao molho pedra na moringa* enquanto tomava uma Polar bem gelada.
Não sei de onde, mas o assunto “imortalidade” apareceu, e pra quem me conhece... sabe que este tipo de coisa é um prato cheio pra mim e alguns dos meus amigos passarem horas desenvolvendo teorias.
Enquanto as pessoas falavam, eu de principio me mantive quieto, apenas pensando sobre o que a imortalidade me significava.
Seria nunca morrer? Permanecer na face da terra para todo o sempre, centenas de anos... até milênios...? Todos sabem como isto funciona... a mente ou a alma podem até querer ficar, mas o corpo humano é frágil, e tem prazo de validade de acordo com o estilo de vida que levamos. Aliás, o nosso estilo de vida é que determina o nosso estilo de morte, mas isso não é assunto para agora.
Morreremos um dia, por mais redundante que isto possa ser. Mas será realmente que não existe uma maneira de sermos imortalizados? Será que não existem imortais por ai?
Logo quando pensei nisto, me lembrei do apelido que minha tão querida torcida gremista colocou no nosso tão querido Tricolor dos Pampas: Imortal.
- “Mas porque imortal”? – Perguntam-me os colorados mais exaltados. – “Vocês vivem sendo eliminados das competições que disputam”...
Sempre respondo que o conceito de imortal para a torcida tricolor não tem nada a ver com vitórias ou derrotas... mas sim com o amor que nós torcedores temos pelo clube, pelo estádio, pela camisa, pelos símbolos... O Grêmio é imortal porque será amado para todo o sempre, nem que esteja jogando na segunda divisão do varzeano de Sapucaia do Sul.
Pense em ídolos da música também: Lennon, Elvis e Morrisson, por exemplo. Gerações se passam e cada vez mais as pessoas amam estes indivíduos, mesmo os que não os viram vivos. E assim suas respectivas imortalidades se estabelecem.

Podemos concluir algo daí já, não...?
Nunca morreremos nos corações de quem nos ama (e vice-versa), nunca iremos embora da mente de quem pensa sobre nós com carinho, esta é a verdade.

O amor que os laços consangüíneos atingem para mim é determinante a ponto de torná-lo imortal. Por mais que passemos momentos em que este amor necessita de renovação do oxigênio pulmonar, ele nunca morre.
Imortalidade nestes casos remete a marcas, trajetórias, apoio incluso em momentos de distância. Mesmo que meu corpo morresse hoje, tenho certeza que viveria para sempre no coração dos meus pais e irmãos.

Tenho medo da morte claro...

Mas mesmo tendo este medo... sei que para sempre serei imortal... e eles também...


* Molho pedra na moringa: utilizado para preparo de galeto assado, baseado em cerveja, cachaça, alho e manteiga. É minha única criação culinária...

quarta-feira, 11 de março de 2009

Repetindo Rubens Barrichello...

Sou um empolgado fã de um esporte que quase ninguém pratica, mas que todos conhecem e já amaram um dia: o automobilismo.
Por óbvio, tive e ainda tenho Ayrton Senna como ídolo-mór. Ele foi um dos personagens mais marcantes de minha infância, e mesmo hoje em dia, passados 15 anos de sua passagem temprana, ainda sinto saudades daquelas manhãs de domingo em que acordávamos cedo para assistirmos ele lutar contra os vilões Alan Prost e Nigel Mansell.
Mas falando em tempos atuais, sou fã ardoroso de um piloto que para mim, sempre esteve entre os melhores: Rubens Barrichello.
Torço fortemente por ele desde os tempos da Jordan azul com bico vermelho, apelidada carinhosamente de “Pica Pau”. O homem sempre mostrou competência, excelência no que faz, dedicação total ao trabalho e entrega absoluta aos objetivos individuais e coletivos das equipes em que passou. Para mim ele é tão bom, mas tão bom, que além de unir tudo o que um grande profissional de qualquer área tem de ter, sabe exatamente como se portar para que as coisas continuem dando certo.
Do final do ano passado para cá, Rubinho esteve no mais autêntico “olho do furacão”. Fez uma boa temporada em 2008 com um carro ruim, mas devido à crise econômica mundial, viu sua equipe, que era ligada a uma grande montadora mundial de automóveis, ser dissolvida por conta da alta demanda de investimentos. Enquanto a imprensa discutia qual seria o futuro da categoria, dizia também que Rubinho já havia sido descartado pela mesma. Falavam em aposentadoria compulsória (o que a maioria dos brasileiros, injustamente, comentava que já estava acontecendo tardiamente), falavam que o homem estava acabado, que já estava velho, que não correria mais... e que mesmo que a tal equipe voltasse à ativa, ele seria deixado de lado em troca por um novo piloto que surgiu agora, que não mostrou muito trabalho ainda, mas que tem o mesmo sobrenome do primeiro ídolo que falei neste texto.
Rubinho, ao contrário do que a maioria pensava, surpreendeu resolvendo que a reclusão e a retirada estratégica, mas momentânea, seria a melhor opção.
Passou quatro meses sem dar as caras. Fez uma corrida de Kart em Florianópolis (a qual venceu... não só a corrida, como também Michael Schumacher na disputa...) e só. Não concedia entrevistas, não aparecia em telejornais, em programas especializados, em folhetins, blogs... nada. Reclusão total mesmo.

Pois então. Quando justamente todos achavam que o homem já estava morto e enterrado... eis que surge ele ai novamente... melhor do que nunca.
Cinco quilos mais magro por conta de um preparo físico de atleta, cabeça vazia de problemas, preparo técnico apuradíssimo e com mais gana do que nunca, o cara parece um garoto que ganhou bicicleta nova.
A equipe foi comprada por um dos grandes chefes da Fórmula 1, que de maneira corretíssima, ao contrário do pensamento dos tupiniquins, tem a certeza que Rubinho é simplesmente um dos melhores. A vaga não poderia deixar de ser dele.
Quem ri por último, ri Rubinho. Após os testes de inicio de temporada... não é que o homem está aparecendo nas primeiras posições novamente...?
Vai incomodar muita gente este ano.

O que fez Rubinho voltar tão bem?

A retirada estratégica.
E é justamente o que estou a fazer neste momento.
Peço para que vocês, querido leitores, principalmente aqueles aos quais tenho laços de sangue e amor, me perdoem pelo afastamento e procurem compreender a minha ausência dos círculos aos quais estava acostumado a ser figurinha certa. Incluso por aqui.
Tal qual meu ídolo Rubens Barrichello, estou promovendo um período de reclusão salutar e necessária...

Após um tempo voltarei.

E voltarei para que as coisas sejam melhores do que eram antes.

segunda-feira, 2 de março de 2009

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Conectividade....

Os que têm o dom da conectividade consigo mesmo tendem a não resistir o peso do fardo.

Seria a conectividade uma benção?

Quem pensa muito tende a se alimentar do fruto de todos estes pensamentos. Cria labirintos, paradoxos, maneiras e mais maneiras de lidar que nem sempre levam pro sentido certo. Nada passa despercebido. Nada fica para trás. Tudo é digerido.
O ignorante será salvo. Sofre por não entender, mas não sofre por entender. Nesta balança louca ele acaba por sofrer menos. E ao mesmo tempo sofrer mais.
Uma vez conectado as tuas emoções, nunca queiras desconectar-se. É salutar tomares as vacinas. Mas por vezes é preferível não saberes das doenças.
Uma vez conectado as tuas emoções, nunca conseguirás desconectar-se. É salutar saberes sobre as doenças. Mas por vezes é preferível arriscar o contagio.
Conexões estranhas, centros alcançados, estabilidade. Razões que aparecem e ficam.
Marchas engatadas sempre, aderência conquistada, nunca escorregas na pista. Nada foge teu controle. Mas o caminho é um marasmo tão grande... é como fazer uma viagem de 800 km a 80 km/h.
O risco de se acidentar é mínimo, mas compensa não se arriscar de vez em quando?
Tudo há um preço. Tudo temos de pagar. Máxima, regra e até dogma religioso.
Os heróis morrem de overdose. Os que carregam pouco não sentem as pauladas que levam. Os que muito vêem pouco caminham. A imunidade existe até percebermos que sempre estivemos doentes. A vida deixa de ter sentido quando passamos a conhecer todos os sofrimentos e as suas conseqüências. Desânimo.
Fugir da dor ou aprender a brigar. Analgésicos ou vacinas. Complexidade que rende, mas gasta muito ou simplicidade que não rende, mas gasta pouco.
Sofrimento que escreve, vida que passa e tempo desperdiçado por conta da estagnação. Caminhos fáceis comprados com juros altos e despercebidos ou caminhos fáceis comprados com juros altos e aceitos.

Tudo era mais fácil quando não se sabia. Tudo é mais fácil quando se sabe.
Tudo era mais difícil quando não se sabia. Tudo é mais difícil quando se sabe.

Ajuda ou não ajuda? Esforço jogado fora ou o melhor já investido na vida? Bola dada para o que os outros acham. Questionamentos.
Um abraço, um afago e um peito aconchegante. Pele macia e cheirosa da pessoa linda que nunca te fará mal... e que também não existe. Carinho gratuito, carinho no cambio, sexo com carinho incondenável.

A falta do amor dá nisto. Mas não do amor dos outros ou próprio...

Mas sim do amor que nunca desperta por ninguém...

Deus, livrai-me de ver todo estes defeitos que vejo sobre as pessoas.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O alívio...

Pedrita sentiu-se péssima. Extremamente arrependida. Não tinha noção da dimensão do mal que havia feito, nem ao menos da banalidade que o motivara.
Contou-me que na época em que morava com Paulo, sentia certa inveja das amigas solteiras que saiam para a balada quase todas as noites da semana. Sentia vontade de ser como elas, livre, e de não precisar responder os seus atos a ninguém.
Queria se divertir mais, rir mais, se emocionar mais, sair da rotina. Não havia remédio para aplacar aquelas vontades a não ser mudar de vida.
Essas amigas não se mostraram nem ao menos fiéis logo após o rompimento. Costumavam mentir como se estivessem jogando. Nenhuma delas era de confiança, e este foi o primeiro choque. Reduzida a apenas mais uma amiga das amigas, pedaço novo de carne na roda da hora, a época de festas não durou muito.
Sentindo-se novamente sozinha, resolveu procurar um novo amante. Não foi difícil conseguir, um amigo qualquer de uma conhecida foi apresentado. Não interessando muito quem fosse, resolveu que aquele seria o seu novo amor.
Declarou-se apaixonada aos quatro cantos, fez juras públicas de amor eterno, e tinham de ser deste modo, públicas, pois o verdadeiro objetivo não era comemorar a felicidade, mas sim mostrar aos outros que estava feliz e satisfeita com as escolhas que havia feito.
Porém o tempo mostrou que as coisas não eram bem assim. O fantasma de Paulo continuou rondando, inclusive nos momentos mais íntimos. Na maior parte do tempo, fugia das comparações, e tentava, vezes conseguindo, convencer-se que de todo modo estava feliz e no caminho certo. Mas não estava tudo bem não.
O final de ano e a ligação telefônica serviram para reavaliar a vida, e perceber o tamanho da besteira que havia feito e que continuava a fazer.
Contou-me que, só ao sentar-se à mesa do restaurante, e olhar para os olhos de Paulo novamente, pode perceber o tamanho do erro que cometera.
Paulo se mostrou seguro. Não quis transparecer qualquer tipo de ansiedade ou nervosismo. Fumava poucos cigarros, sorvia poucos goles de chopp. Resolvera que Pedrita teria de demonstrar arrependimento antes de qualquer movimento.
E foi o que aconteceu. Não demorou muito, sob o pretexto de assistir melhor os shows que rolavam no palco logo abaixo do mezanino, Pedrita mudou de lugar e sentou-se ao lado de Paulo.
Chorou sentindo-se um monstro quando Paulo falou-lhe o tamanho do sapo que tivera que engolir este tempo todo. Percebeu, sem ele precisar falar, que pedidos de perdão garantiriam pouca percentagem de sucesso numa tentativa de reunião.
Paulo precisava destes pedidos, e de mais. Precisava ver Pedrita arrependida de seus atos, mas também garantir que ela nunca mais criaria motivos para arrepender-se.
As lágrimas serviram e caíram bem para o primeiro propósito. E se elas não houvessem caído nada haveria mudado.
Sentindo-se em posição, Paulo indagou sobre o futuro. Tinha de se certificar de certas coisas. Ela respondeu tudo de maneira sincera, e ao mesmo tempo que falava, chorava copiosamente ao perceber tamanha burrada e irresponsabilidade cometida. Sabia que merecia o interrogatório, e também sabia que Paulo merecia explicações daquilo que havia sido imposto a ele. Em determinado momento, se deu por satisfeito sem demonstrar, e ela não percebeu.

Ele não pode negar carinho com tamanha tristeza e auto-decepção latente. Faz parte da atitude de um grande homem oferecer conforto. Viraram-se de frente, e ela abraçou-o encostando a cabeça em seu peito. O próximo passo não demorou a acontecer. Beijaram-se lacrimejando, beijaram-se em meio a grandes suspiros.

Passados alguns tempos, o momento ainda se mostra muito feliz.
Procuraram-me para contar o ocorrido.
Prontamente atendido no pedido de publicação da historia do reencontro, fiz a pergunta derradeira:

Qual o sentimento que fica após o reate?

- “O de alivio”... - Responderam-me.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

O reate...

O Paulo e a Pedrita reataram.
Reataram. Simples assim. Pegando todos de surpresa.
Para nós, amigos do casal, isto é ótimo. Torcíamos para que acontecesse.
Pedrita conta que procurou Paulo durante as festas de final de ano, a princípio para desejar-lhe felicidades para o ano novo que se iniciava. Ligou para o celular dele, e o encontrou em meio a uma festa enormemente barulhenta (muitas vozes femininas). Disse-me que Paulo foi super frio ao telefone, não bravo, mas frio, deixando claro através do tom de voz e das palavras dispersivas que não fazia mais questão alguma de nem ao menos manter contato.
- “Foi um choque”. – Diz ela.
Confessou-me que naquele momento, diante de uma prova concreta de que Paulo já a havia esquecido, sentiu uma saudade tremenda e absurda dele. Como se todo aquele amor e desejo do início houvesse voltado subitamente. Logo ela que entrou com o pé no acordo. Até então ela havia tido a certeza de que ele, como havia sido o “deixado” da história, a amava incondicionalmente até hoje, e que se ela quisesse, um simples aceno de reate da relação seria prontamente atendido. Contou-me que até aquele telefonema, tentava convencer-se, com êxito, de que não sentia mais nada pelo Paulo, e de que ele apenas fazia parte de um capítulo, já vivido, de sua vida. Prova do poder que temos de nos enganar.
Alguns momentos após, tentou ligar novamente. Desta vez a resposta foi a caixa postal...
Entrou o ano pensando no Paulo, e no quanto ele lhe fazia falta. Detalhe: ela estava acompanhada do atual namorado, que se mostrava um bom homem segundo ela, mas que não chegava nem perto da pessoa e do amante que o Paulo era. Alias, a paixão que ela tinha pelo Paulo era muito maior do que a pelo vivente. Não havia comparação sobre isto, e mesmo que houvesse, inconscientemente ela fugia da berlinda entre os dois feito o diabo da cruz. Temia que o resultado não apoiasse as suas escolhas. Simplesmente não admitia o erro que cometera, em deixar o Paulo porque achava tudo um marasmo.
O Paulo me conta que sempre amou a Pedrita. Desde o início do relacionamento, o final doloroso, o período que ambos ficaram separados e agora, juntos novamente. Nunca se passou um dia sequer em que ele não pensou nela com carinho e saudade. Mas após um período de luto, resolveu que a esperança não deveria ser mais nutrida, e a vida teria de continuar, dependendo apenas dele para ser feliz. Deu o passo a frente e esforçou-se para esquecê-la. Sem êxito, por óbvio. A única coisa que conseguiu foi atender a um telefonema dela no ano-novo de maneira a dar a entender que não queria mais viver a mercê das suas vontades, e transparecer que nem ao menos lembrava direito dela. Pura mentira.
O que ninguém imagina é que após aquele telefonema, ele foi à varanda do apartamento onde estava festejando a virada, e chorou. Chorou de arrependimento pelo que tinha feito, pela maneira que havia tratado o amor de sua vida ao telefone. Pensou no quanto foi burro em ser indiferente, até porque em sua cabeça, se ele se mostrasse fácil e aberto, ela poderia resolver voltar, e era o que ele queria. Chorou de saudades, de dor, de vontade de voltar atrás, num curto e num longo espaço de tempo. Ao mesmo tempo sentia-se feliz por ter sido coerente com o sofrimento que ela o havia imposto. Não dera o braço a torcer... e isto era o que interessava.
Teve medo no momento em que o telefone tocou novamente, e não atendeu. Não abriu mão de seu orgulho, que tanto deixara de lado quando no passado, implorava para retornar. Era o que tinha de fazer para se proteger.
Mas o efeito de sua atitude foi inesperado. Foi justamente aquele tratamento indiferente que fez Pedrita liberar-se de seus freios, e admitir que realmente, o Paulo sempre fora o cara, o homem, o amante, o amor.
Alguns dias se passaram, e ela ligou novamente, pedindo uma chance para conversar. Paulo disse que sim, mas que tinha medo de se ferir novamente, e só concordaria na garantia dela de que isso não iria mais acontecer.

Ela garantiu. E vai cumprir.

Por vezes, quando as coisas acabam dando certo inesperadamente, ainda escuto a história aquela de que Deus escreve certo por linhas tortas. E é verdade.
Precisou sentir-se indesejada para Pedrita admitir o seu desejo. Precisou transparecer não desejar mais para que Paulo recebesse o desejo dela de volta.

Aquele relacionamento, ambos sabem, acabou. Outro se inicia agora, com pessoas iguais e diferentes ao mesmo tempo. Do jeito que deve ser.

E eles serão felizes.

Muito mais do que foram antes.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Imortal... apesar de dizermos que não.

Desculpem-me pelo silêncio queridos leitores.
Não sou muito de locar DVD’s, apesar de gostar muito de assisti-los. Durante o final de semana passado, um casal de amigos me emprestou um filme que a muito tinha vontade de ver. Chama-se: “PS: Eu te amo”, filme que promete – e cumpre – lágrimas em quantidade industrial.
O que ocorreu é que sem medo algum de admitir, chorei feito criança do inicio ao final. E a semana inteira praticamente fiquei em bloqueio com as palavras por conta disto.
Se tu já assististe à película, sabe que a mesma gira em torno de um casal de jovens adultos – Holly e Gerry - que vivem um casamento em sua primeira década de existência, mas que tragicamente acaba interrompido pela morte de um deles. O desenrolar se dá em torno do integrante que ficou no plano terreno, todo o seu sofrimento e luto por conta da ausência não desejada da personificação de seu amor.
Amor e morte.
Sentimentos conflitantes, mas nem por isso antagônicos.
O amor e a morte. O amor na morte. A morte no amor. A morte do amor.
Ambos em seu fim representam um luto único que não se supera, apenas se contorna para seguir em frente. O filme trata justamente da união destes dois lutos: a impossibilidade de saciar o amor por conta da morte do ente amado. São duas dores, dois sofrimentos, dois motivos para sentir saudade de uma mesma pessoa. A tragédia insuperável. A tristeza sublime. O término definitivo. O sofrimento ao quadrado.
A palavra fim, segundo o Michaelis, entre outras coisas significa “morte, interrupção inesperada, grande transtorno do tempo que causa aflição, grande confusão”.
Nem o filme, nem eu neste momento, temos a pretensão de contrariar o dicionário. Em parte.
- “Mas o amor acaba após a morte...”? – Pergunta-me você.
Não acaba nunca, assim como no término de um relacionamento. Com o tempo o sofrimento da não saciedade apenas ameniza, deixa até que vivemos um novo amor. Mas o desejo pelo indivíduo sempre vai estar ali, tal qual um vício adquirido ou uma dependência química qualquer. É a história aquela do dói, mas passa.

Mas o que é que passa...?

O amor ou a crise de abstinência extremamente dolorida que ele gera...?

Penso que talvez não seja o amor que passe, que acabe, que não se sinta mais. Mas sim, é a dependência que ele nos impõe, que com o remédio ministrado pelo tempo, ameniza, tranquiliza, acalma. E passa.

Mas então quer dizer que nunca deixamos de amar o que amamos...? O sentimento nunca acaba...? Nunca morre...? Apenas passamos a não depender mais dele...?

Assista ao filme.

E pergunte para Holly...

domingo, 18 de janeiro de 2009

I like to be somebody's Gerry.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Medo de cair...

Não me recordo se já comentei isto com vocês, mas eu tenho fobia à altura.
Não é bem a altura, é mais a sensação de estar caindo. Verdadeiro horror. Tenho tremores nas pernas só de imaginar.
Vivo em um apartamento de sacadas amplas e que fica no 9º andar de meu prédio. A sacada em si não me traz grandes desafios, nem o ato de olhar para baixo, mas a simples menção de movimento em direção a rua me faz vertiginar. Certa feita, fui pular de uma cachoeira de 4 metros de altura aqui do interior, e tive de fazer uma lavagem cerebral de 30 minutos até conseguir reunir coragem. O tempo em que fiquei no ar não passou de um segundo, mas a desagradável sensação de estar caindo foi tão marcante que a sinto até hoje. Pulei e caí uma vez, e nunca mais pularei.
Parque de diversões então, é um local que não me traz grandes atrativos, isto porque a maioria dos brinquedos apela para esta sensação corpórea. Não agrada nem um pouco me imaginar em uma montanha russa ou em um elevador em queda livre. Nestes casos sou barrão sim, e admito. Fico no carro-choque e na casa dos horrores com o maior prazer do mundo. Tenho de estar no chão, necessito dele, e sou feliz por isto.
Algumas pessoas me perguntam se eu tive algum trauma de infância, ou se tenho sonhos recorrentes onde o chão some debaixo dos meus pés. Nem um nem outro, nunca caí de lugar algum, nem em sonho.
Outros tentam me explicar que esta fobia vem de vidas passadas, e que provavelmente em uma delas, a encarnação tenha acabado em decorrência de uma queda. Pelo sim, pelo não, prefiro acreditar que eu nunca caí, nem nestas vidas passadas que (sem desmerecimento as crenças de ninguém) os outros dizem que existiram, nem na atual.
Existem algumas situações que não nos trazem prazer nem em imaginação, e isto é fato.
Em certas fases de nossa vida temos a certeza absoluta de estarmos vivendo em um ciclo momentâneo. Dizem por ai que a vida é dividida neles, e que dentro dos mesmos alguns sentimentos mudam de valor, coisa como hoje gostar do estado suspenso da paixão, daqui a algum tempo não, sentir medo de se apaixonar, daqui a algum tempo não. Os temores mudam, as indiferenças também, as perspectivas e desejos idem.
Vivo em um ciclo que espero estar se fechando em pouco tempo (ou o mais rápido possível, para ser mais exato), pois sempre acreditei que temos controle sobre a velocidade do tempo nestes casos.
O meu medo de cair não vem do ciclo da infância. Recordo-me muito claramente de me arriscar pelo lado de fora de janelas e sacadas altas nas casas e apartamentos dos meus vizinhos. O monstro foi crescendo com o tempo, motivado e alimentado sabe-se lá pelo quê.
O meu temor de me apaixonar também não vem da infância. Quando mais jovem, vivia correndo atrás desta sensação sem explicações ou parâmetros, e o fato de estar junto de alguém me significava vitória. Hoje significa perigo.
Isto pode ser mudado, tenho a mais absoluta certeza. Faltam achar o caminho certo, as ferramentas e os procedimentos corretos para que este pequeno desvio no caminho seja concertado.

Não tenho a mínima vontade de perder o medo de cair, e isto eu nunca vou me esforçar para concertar.

Contudo, quero me apaixonar novamente, e o primeiro passo para isto estou dando.

Ter a tal vontade de perder o medo.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009


A partir deste post, vou me utilizar de outro recurso neste blog.
A fotografia.
Desde já convido-os a participar, deixando suas impressões pessoais sobre as imagens, sejam elas de qualquer tipo, sentido ou espécie. O objetivo disto é colher o máximo de diversidade nas percepções que as mesmas nos passam.
A proposta é a seguinte:
- As fotos serão SEMPRE de autoria minha, me utilizando apenas da minha camera digital velha;
- Serão públicadas apenas as fotos, solitárias, sem qualquer tipo de informação quanto aos envolvidos, locais, datas, etc...;
- Todas elas terão prévia autorização de utilização de imagem;
- Retratar através de imagens, o que venho fazendo através apenas das palavras: a vida, a rotina, os sentimentos e as emoções de um jovem-adulto...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Fruto da mudança de idéia...

Confesso que o meu artigo de hoje seria algo forte, como um xingamento, um tapa na cara de quem sofre parado e teima em não se mecher, achando que sofrimento se cura deixando passar.
Mas desisti no meio do caminho.
Até porque me percebi que a tal sacudida que em alguns momentos se mostra necessária, eu não tenho competência de dar através de palavras escritas. O único que me lembro que fazia isso com competência era o Renato Russo, e como se pode perceber... to longe de ser como ele.
A gente tem que abaixar a bola de vez em quando. Reconhecer que o texto tá uma merda e que não alcança os seus objetivos. Hoje estava disposto a fazer as vezes de “homem mau”, ia xingar todo mundo, como se pessoalmente gritasse com alguém para que tome uma atitude e largue o sofrimentozinho prazeroso que certas dores proporcionam.
Ao invés disto, e graças a um tempinho que dei entre terminar e publicar o texto no blog, percebi que o que devo oferecer a estas pessoas não é a minha fúria, mas sim o meu olhar terno, o meu ombro redondo, meu peito e meu carinho que nunca cessa, justamente o que falta para elas. Se a pessoa sofre, é porque se condena de alguma maneira, e não vou ser eu quem vai julgar e condenar junto. Sou bom com sorrisos, com afagos, com palavras educadas, mas que atingem seus objetivos.
Pois então, já que o discurso forte ia ser um fracasso, vou seguir no sentido contrário, farei algo ameno, tal qual o complexo vitamínico que tomo agora, momentos antes de ir malhar.
Muitas vezes me perguntei qual é o principal combatente do pessimismo, e talvez eu tenha achado a resposta...

O otimismo. Hahahahaha...

Coisa muito básica né...?
Ai é que tu te enganas...
Tu sabes como que a gente faz pra ser otimista...?
...Imaginei que não. Acompanhe o raciocínio comigo:
Pisar no freio eu sei que é necessário. Olhar envolta e avaliar a situação também. Talvez arriscar e escolher um caminho a se seguir... pode ser que sim. Mas para isso necessitamos de confirmações de que aquele caminho vai dar onde a gente imagina. E nestas horas que o ombro amigo entra, para que a escolha seja feita de maneira mais tranqüila, mais fácil. Ai só falta ligar o motor, engatar a primeira e acelerar. Mas com valentia, senão é tempo perdido.
Gente, estrada esburacada existe, pneu que fure também, motor que ferva, vidro que entre água... tudo isso é natural. O carro estraga às vezes também, sem falar nos outros motoristas que teimam em nos fechar. Vá à velocidade que tu achares confortável, mas respeite os limites, pois algum acidente grave pode acontecer. Durante a noite, na escuridão, procure não rodar, se mesmo assim constatares que tens que seguir, ligue os faróis, diminua a velocidade e vá com cuidado.

A singela mensagem de hoje, apesar de ter mudado todo o texto, é esta: não desista, siga em frente, não pare agora. Sabes que tem muito caminho pela frente, e que esse caminho pode ser feliz. Tenha força, te abastece com o combustível que melhor serve no teu tanque e vai. Tudo vai dar certo, o amanhã há de ser melhor e todos os problemas não vão ser nada no futuro.
De onde vem o otimismo?
Da esperança.
Como se conquista a esperança?
Lutando. Insistindo até o final.
Por isso tens de secar as lagrimas, olhar janela a fora e tomar fôlego. Vai lá, dorme uma noite de sono bom, descansa, abraça os teus, bebe algo (seja uma caneca de leite morno ou um porre homérico), ri um pouco, te alimenta do que tu mais gosta e depois volta. Volta ao batente, volta à luta. Ergue os punhos e tenha coragem. Não te entrega.

E se por um acaso tu te perderes no caminho.

Peça ajuda. Não é demérito pra ninguém.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Aviso natural...

Já comentei com ustedes que durante o meu tempo de férias costumo ler muito, não?
Pois é, leio bastante. São os únicos dias do ano que adquiro o hábito diário e salutar da leitura.
Que pena que dura pouco, mas mesmo assim, o estoque de revistas e livros que compro nesta época acaba por me informar de coisas que nem imaginava existir.
Uma delas foi uma reportagem que li na Superinteressante, sobre pessoas que por conta de uma disfunção que a princípio é genética, não sentem qualquer tipo de dor física. Esse pessoal tem completa ausência de sensibilidade à dor, seja ela de qualquer origem.
Isso mesmo. Não sentem dor. Nem frio, nem calor, nem sede, nem fome...
Já imaginaram isto?
A reportagem dava o exemplo de um menino de poucos anos de idade que era atração de circo. Seu pai oferecia seus braços para que felizes e perplexos espectadores pregassem pregos de 20 centímetros de comprimento neles...
Dizem que estas pessoas podem estar em condições extremas, como dentro de um freezer, de um forno, passar dias sem comer nem beber, tomarem uma facada ou serem baleados que nem piscar piscam. E acreditem, isto é real.
Não é o que todo amante de histórias de super-heróis gostaria de ser? Imune a dor como o Super-Homem? Como o Hulk? Poder ser ferido e não sentir nadica-de-nada?

Mas pérai... não é também o que todos nós gostaríamos de ser no que tange aos nossos sentimentos...? Imunes a qualquer tipo de dor que sintamos...? Imunes a qualquer tipo de mal que nos façam?
Claro que é! Já imaginou que maravilha? Nunca mais sofrer... nunca mais chorar por ninguém... nunca mais nos humilhar em troco de alguma atitude-analgésica da outra pessoa que traga um pouco de alento para aquele tipo de dor dilacerante que teima em não passar...
Seria o paraíso.
Se eu tivesse este dom, confesso que muita coisa teria sido diferente, muitas lágrimas não teriam sido derramadas, muito momentos de tristeza não teriam acontecido e muito sofrimento que senti não teria nem ao menos feito cosquinhas.

Continuando a ler a reportagem, descobri que as pessoas que são imunes à dor física vivem no máximo até os 20 anos de idade. Isto porque o fato de não sentirem dor acaba por fazê-los se machucarem sem nem ao menos perceber isto. Naquelas páginas havia o relato de um menino brasileiro que usava óculos de mergulhador para evitar que ficasse cego, pois cutucava o seu olho sem parar até quase estourá-lo, e que também fazia exames gerais e minuciosos a cada mês que vasculhavam seu organismo em busca de algum vírus ou doença não diagnosticada, pois já que não sentia dor alguma, qualquer coisinha poderia levá-lo até a morte sem qualquer aviso prévio.
Em outras palavras, as pessoas se machucam sem querer, adoecem sem saber, definham sem doer e morrem sem nem ao menos perceber. Não há como se tratar e não há como prevenir que se machuquem, o organismo simplesmente nunca avisa que algo está errado.
E esta é a definição da dor. É uma defesa que temos, é um aviso natural. É a maneira que nosso corpo e nossa mente têm de nos avisar que algo está errado. Se a perna dói, é porque há algo de errado com a perna, se as costas doem, é porque há algo de errado com as costas, se a cabeça dói, é porque há algo de errado com a cabeça...
... se o coração dói, é porque existe algo de errado que deve ser tratado...

Por vezes nossa vida dói. Mas não deveríamos enxergar isto como uma coisa tão ruim assim a ponto de perdermos as esperanças.

Ela apenas está nos avisando que há algo que não vai bem, que precisa de tratamento, de concerto. Se não doesse tu nunca ias perceber que algo não está como deveria... e isto ia te consumir até a morte sem nem tu perceberes.

Então vai lá, levante a cabeça. Busque forças. Busque ajuda se necessário.

Trate o que está doendo.

domingo, 4 de janeiro de 2009

1001 discos...

Este outro convite recebi da Mônica Guinle (http://blogs.abril.com.br/humanopossivel), e consiste em um proposta um tanto curiosa. Mas antes de tudo, aviso que estou estendendo o convite novamente a todos que estão me lendo agora. Vamos ao que me (nos) é proposto:

*Pegar o livro mais próximo;
*Abrir na página 161;
*Procurar a 5º frase completa;
*Colocar a frase no blog;
*Não escolher a melhor frase nem o melhor livro.

Vamos à frase:

“Ele queria ser notado – mas não precisava ter se preocupado: a música era boa o suficiente para chamar a atenção”.

É a quinta frase completa da página 161 do livro 1001 Discos para ouvir antes de morrer, livro este escrito por Michael Lydon (co-fundador da revista Rolling Stone) e Robert Dimery, seu editor chefe. Ganhei este livro de natal do meu irmão, e confesso que se tornou um hábito consultá-lo sempre que escuto alguma banda ou disco que não conheço.
Para quem é amante da música, assim como eu, recomendo veementemente. Garante boas horas de diversão e informação.

Fico por aqui neste domingo. Vejo vocês a partir de amanhã...

Já que as minhas férias acabaram antecipadamente... por conta da chuva em Santa Catarina...

Faças por merecer o que desejas...

Estou de volta neste início de 2009. E antes de qualquer coisa, aceitarei o convite que recebi da Red (http://blogs.abril.com.br/procurandoorgasmos) para fazer uma simples lista sobre o que desejo neste ano que se inicia. Serve para muitas coisas, incluso para os descrentes no futuro encontrarem o caminho novamente...

Regras básicas:

*Listar 5 coisas que tu mais queres em 2009. Sejam elas de qualquer gênero, número, espécie, sentimento e matéria, sejam para ti ou para todos.
*Convide 5 amigos para participar.
(Aqui devo fazer um adendo: me permito não seguir esta regra. Não da maneira que ela foi instituída. Não convidarei ninguém especificamente, estenderei o convite a todos que lêem-me agora. O exercício é bom, façam).

Vamos aos meus desejos:

- Que neste 2009... ninguém vá embora. Tenho um medo absurdo de que meus entes queridos possam se ir por algo que sofra influência minha. Seja esta perda da maneira que for. Que neste ano nada disto aconteça.

- Saúde e boa forma. Neste ano reiniciarei a minha saga em busca da beleza física e da boa disposição. Claro que me motivo não porque simplesmente um ano novo se iniciou, mas sim porque adquiri alguns quilos (pança) durante o veraneio... e tinha muita gente por lá que estava muito melhor que eu. Já está mais do que na hora de tomar vergonha na cara e voltar a entrar numa academia.

- Dinheiro. Quero chegar a um novo patamar de administração dos recursos financeiros pessoais. Talvez investir em algo diferente. O que eu quero é poder ter mais dinheiro para que meus sonhos de consumo possam sair do campo do sonho.

- Voltar para a atividade que me leva estudar os humanos (incluso eu) como nenhuma outra. A terapia.

- Rir mais. O riso é essencial para muita coisa. Mas por mais incrível que pareça, só nós podemos nos permitir a rir.

Entendo que para muitos o fato de fazer listas de final de ano parece algo banal ou simplesmente... chiste de gente simples, crente em mudanças que se motivam nesta época do ano. Mas olhe... acredito realmente que estas mudanças são de nossa inteira responsabilidade, baseado nisto, podes ler novamente os meus cinco desejos e com toda certeza perceberás que todos eles dependem única e exclusivamente... de mim.
E é esta a mensagem que deixo para ti neste começo de ano.

A coisa precisa ser diferente? A vida está seguindo caminhos que não são exatamente os desejados? Não consegues saber mais o que fazer para que as coisas mudem?

Faças por onde. Faças por merecer. Faças o que tens de fazer para que possas garantir o que tanto desejas. Tudo depende apenas de ti.

Pense nisto.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Certezas do ano que vem...


Esta é minha última semana de trabalho do ano, pois o recesso do judiciário que se inicia agora dia 19 de dezembro perdurará até o dia 06 de janeiro. O judiciário pára e eu também paro por conseqüência.
A partir de sexta-feira vou viver de céu, sol, mar e uma geladinha de vez em quando.
Há alguns anos tenho passado meus veraneios em Meia-Praia (SC), e sinceramente gosto muito de lá. Apesar de não conhecer muito as praias brasileiras, apenas Salvador e Porto Seguro, confio muito na palavra de uma pessoa que me disse o seguinte: “não há qualquer litoral no Brasil que supere o de Santa Catarina”. Pela falta de opinião formada, me é conveniente concordar.
Geralmente quando vou para a praia, não sou muito de fazer noite não. Gosto mais de descansar, ler o meu livrinho sossegado, tomar minha cervejinha, não ter hora para levantar, comer... não gosto de ter compromissos sociais ou ter que me ajeitar para qualquer coisa. Passo o ano inteiro de terno e gravata, de sapato fechado, organizando eventos para os finais de semana... não gosto de fazer algo ao menos parecido durante a minha folga, pela noite dou no máximo uma voltinha no centro para comprar uns badulaques geralmente inúteis. Balada nunca. Isso para mim não é distração.
Assim como os músculos de um halterofilista, o nosso cérebro também depende de descanso para “crescer”. É claro, óbvio e amplamente comprovado pelos estudiosos do assunto. O descanso é salutar, as férias são benéficas e o ócio temporário é extremamente necessário. O meu este ano demorou a chegar.
Preciso pensar em muita coisa, necessito colocar algumas idéias no lugar, mas com calma, com todo o tempo do mundo. Está chegando o momento de tomar algumas decisões necessárias para direcionar melhor a minha vida, e a hora é extremamente conveniente (resoluções de ano-novo).
Vou iniciar este próximo ano descansado e me esforçando para que o mesmo seja melhor que 2008, que já foi ótimo. Vou continuar com aquela premissa de aprender mais a cada dia que passa, mas respeitando um ritmo necessário para que a cabeça não venha a fundir.

No final do ano que vem retornarei a este assunto, mas além da certeza de estar um ano mais velho, também tenho a certeza de que até lá vou sofrer menos, vou saber mais, vou conhecer mais, vou ter mais, vou ganhar mais, vou confiar mais, vou ser mais seguro e mais experiente. Portanto, serei melhor do que agora.

E aí chego a minha principal resolução de ano novo:

Ser melhor.

Eu serei, e você...?

sábado, 13 de dezembro de 2008

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O nosso paraíso...

Ontem cheguei em casa já um pouco tarde e me deitei para assistir televisão, enquanto o sono não vinha.
No Telecine Premium estava passando um filme que eu ainda não havia assistido. O nome é “Entre o Céu e o Inferno”, lançado em 2006, que tem Samuel L. Jackson (Lazarus), Christina Ricci (Rae), Justin Timberlake (Ronnie) e John Cothran Jr. (Rev. R.L.) no elenco.
Rae é uma menina que foi abusada sexualmente na infância, e que na vida adulta se tornou viciada e ninfomaníaca ao extremo, a ponto de não poder ver um homem que já enrosca a perna envolta. Lazarus é um bluseiro que acabou de ser abandonado pela esposa, e que busca na religião a superação da dor que sente. Ambos se aproximam em uma amizade tocante durante o filme, envoltos em situações que beiram o descontrole.
Em determinado momento, logo após Rae (que estava acorrentada) ter se despido e literalmente atacado sexualmente um menino (óbvio que o menino aproveitou), Lazarus pede para que Reverendo R.L. converse com ela sobre o assunto. Durante a conversa, o Reverendo faz a seguinte pergunta:

- “Rae, qual é o seu paraíso...?"

Confesso que esta pergunta foi o elemento cerne da minha noite. Algo tão conflituoso que até agora, cedo pela manhã, está me fundindo os neurônios.
Tentei respondê-la. Mas a resposta é dificílima.
Vale qualquer coisa? Sejam lugares, pessoas, emoções, situações, companhias, poderes, conquistas financeiras...?
Não quero ser chato, mas no meu caso isto envolveria uma enorme série de fatores e acontecimentos do passado, que com toda certeza não seriam de possível realização. Muita coisa não poderia ter acontecido, muita coisa não poderia acontecer mais, muita gente teria que mudar e muitas coisas deveriam se realizar. Mas vamos além.
Se pudéssemos escolher o que seria esta situação utópica que nos representasse a paz de espírito e a felicidade eterna, será que conseguiríamos? ...será...?
Acredito que não.
Será que realmente o paraíso seria tão atraente? Já que a posse é o túmulo do desejo, será que a felicidade eterna realmente nos seria eternamente satisfatória...? Talvez saibamos a resposta, talvez não. Talvez a admitamos, talvez não. Talvez busquemos motivos para não admitir, talvez não.

Talvez o paraíso exista em forma de auto-redenção, talvez não...

Prefiro passar a bola e deixar-te pensar um pouco:

Para ti, qual seria o teu paraíso...?

A resposta de Rae para a questão era Ronnie... seu namorado militar que ela traía com outros homens todos os dias...