quinta-feira, 18 de junho de 2009

Garoto Propaganda





Só as grandes me querem... Hahahahaha...



quarta-feira, 17 de junho de 2009

Honestidade na ponta dos dedos

Segunda pela manhã, fiz um comentário inocente para uma amiga:

- “Aquela menina que conversava contigo era muito bonita...!” – Falei.
- “Mas ela é mesmo! É modelo!” - Respondeu-me.

Abri os olhos em espanto.
Não foi por surpresa. Realmente a menina era muito bela, tão bela que provavelmente deve ter muito sucesso na profissão. O porquê do espanto? Porque a resposta da minha amiga entrou-me nos ouvidos como “esquece rapaz, ela é muita areia pro teu caminhão”... esta conotação não foi ela quem disse, por óbvio. Fui eu mesmo quem conclui, mas enfim...
A tal menina era realmente linda. Digamos que a imagem dela era totalmente suave e agradável: Olhos azuis (daqueles que a gente não esquece), sobrancelhas finas, as expressões doces... calça jeans e tênis. Se ela tivesse noção que esta imagem verdadeira dela por si só já é carinhosa... Coisa estranha de se dizer, eu sei.
Mas aqui entre nós: As pessoas não sabem, mas quando vejo alguém tão belo assim, não tenho as vontades comuns, aquelas tipicamente masculinas e instintivas. As vontades que tenho são muito mais ternas, muito mais especificas. Fico com um tremendo desejo de conhecer a pessoa, saber com quantas cobertas ela dorme, qual é o tamanho do seu sapato, pra que time ela torce, se ela gosta de jogar cartas, se gosta de carne mal ou bem passada, se tem cachorro... Eu sei, novamente isto é estranho.
E o mais estranho ainda está por vir.
Tenho uma natureza humana, principalmente masculina, que não há como negar. Costumo dizer que não engano mais ninguém quanto a isto. Mas hoje, percebo talvez que eu mesmo esteja me enganando. Sou romântico sim, não posso mais dizer por ai que não. E o pior: além de romântico, sou tímido. E este é o fato que me faz pensar sobre minha caçamba não comportar tamanha carga de areia.
Quando fiz o comentário à minha amiga, ressaltei o fato de ser um homem solteiro, descomprometido e que quero das mulheres apenas diversão. Bati com a palma na testa logo após com o tamanho de minha burrice. Por pura vergonha de admitir o meu romantismo, e pelo medo de enfrentar a minha timidez frente a uma situação que nem ao menos é real, não tive vergonha nenhuma de mentir descaradamente para ela.
Honestamente, deveria ter sido honesto.

Os homens sempre falam besteiras. Não sou diferente, como disse acima. Contudo, espero pelo menos estar fugindo um pouco do resto do gênero quando agora, busco ser honesto para as poucas pessoas que me lêem por aqui.
Basta ler meus últimos artigos para perceber o quanto quero um compromisso... um amor cheirando a novo, uma rotina ligada a alguém. Dizem por ai que quem tenta enganar morre pela boca, no meu caso morro pelos meus dedos: Escrever sempre é muito mais fácil no momento de admitir características e ser verdadeiro.

Pessoalmente... bom...

Aí já é outra história.

Prometo apenas que tentarei superar a vergonha de ser romântico... o que já é um grande passo.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A caça ao tesouro...

Ontem à noite, já no inicio da madrugada, assisti a um documentário da GNT que tratava sobre o ser humano e a escolha da parceira ideal, do par ideal para compor a vida. A maneira de abordar tal assunto me pareceu um tanto batido e cansativo: discutir as características atraentes de ambos os sexos.
Primeiro se discutiu o que, quase de maneira animalesca, o homem se atrai numa mulher. Falou-se em beleza, vaidade, postura, confiança, olhar, jeito de andar... todos eles perceptíveis por um sentido apenas: a visão. Depois dissertaram sobre os cheiros, os jeitos, a criação, as afinidades, os objetivos em comum, a situação financeira, a educação, a capacidade reprodutora, o conservadorismo, a maturidade, o nível cultural, e o quanto esta mulher é desejada pelos outros homens (yes, isto importa), o que por conta da alta subjetividade, necessita de talvez mais um ou dois sentidos operantes para o julgo e a sentença de viabilidade.
Esta parte ocupou apenas um dos quatro blocos do documentário. Os outros três foram totalmente consumidos na busca feminina do parceiro ideal.
Nossa. Que massacre.
A quantidade de características masculinas evidenciadas para que a mulher possa eleger o seu companheiro foi absurda de tal forma, que a única conclusão viável (o que o programa não fez) é que este homem não existiu, não existe e nem nunca, JAMAIS, irá existir. Mais ou menos assim: Pegue tudo o que há de bom em todos os homens do mundo, jogue no caldeirão e misture... e mesmo assim algumas mulheres não ficarão satisfeitas. Se para nós homens, a maioria das características são facilmente julgadas apenas pela visão, para as mulheres os sentidos humanos utilizados são todos os cinco, e conta-se ainda com a sorte, o alinhamento dos astros, o estado de espírito, as orações e a força do Santo Antonio que coitado, faz um tempo que está lá afogado no copo.

A fase que me encontro é de transição. Saio de um tempo de escolhas calcadas em valores e belezas inexistentes para o palpável, o real, o existente. Atiro apenas em alvos específicos agora, não faço mais test-drive por fazer, só provo a roupa se realmente tenho interesse em comprá-la e só me envolvo com quem realmente me dá seguranças de envolvimento sadio para ambos.
Continuo cobrando um preço alto, eu sei. Os parâmetros continuam muito específicos, mas a abertura está acontecendo de maneira gradual. Começo a não idealizar tanto, e isto está me levando a enxergar um pouco mais a realidade. Quanto mais idealizamos, quanto mais tentamos atender as nossas expectativas, talvez mais longe estaremos de encontra-las. Esta na hora de seguir no sentido contrário.

Não quero entrar naquele velho papo de que todos nós temos medos, fragilidades e defeitos. Não quero ser enfadonho como o documentário foi, apenas quero externar que a mulher ideal, nestes casos, pode ser o contrário da mulher real...
O que faltou ao tal documentário foi justamente falar a verdade. A dificuldade maior que temos ao procurar (e não achar) esta pessoa ideal não são os outros que impõem, somos nós mesmos quem criamos. A culpa é em grande parte sim, nossa. É como se na caça ao tesouro perdido, nós mesmos colocássemos as armadilhas mortais no caminho, e olha que não é fácil desarma-las. Para seguirmos o mapa sem problemas, e acharmos o local onde o X indica estar o baú enterrado, temos de ter flexibilidade, capacidade de perdoar, humildade nos próprios defeitos e principalmente...

... ter clareza e coerência quanto ao que desejamos e ao que ofereçemos.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A culpa é do Junho...

Ok, eu confesso.
Esta é a época do ano mais complicada para mim.
É o início do inverno... o frio, o vento cinza e o silêncio. As jantas caseiras, as taças de cabernet chileno, os vapores das panelas e as risadas a plenos pulmões. São os casais que teimam em ser felizes, o nariz gelado que não encosta no meu pescoço, o peito que espera nos dois sentidos e a ansiedade.
São os beijos vagarosos nos corredores (que não são meus), a vontade de abraços infindáveis, os sorrisos fáceis e os olhares que contém traços. As formas do corpo, as botas por cima das calças justas, os cachecóis até as orelhas, os lábios e a vermelhidão das maças do rosto. São as falas macias, as unhas quadradas, os cabelos negros, a baixa estatura e as alianças (desesperanças...).
São as brincadeiras aproximadas, os perfumes, a vontade dos detalhes, os braços e abraços por dentro do casaco. O bafo quente, o abafo rouco, o cansaço estampado, o cheiro dos lençóis... a manhã que chega, a preguiça, as velas e as fotos.
É a estrada, a Serra, os vales gaúchos, os fondues e a água quente. Os vidros que embaçam, a vontade de ficar em casa, o brigadeiro e o claro, dos olhos e do céu limpo.
São os que se acertam, o infeliz-feliz, os amores duradouros, é o desejar a tristeza do próximo para se ter o seu amor. É o carinho que não é na pele, as flores, o rosado da auréola e a rigidez dos seios.
É o machado, os gravetos, a pilha e a lenha chiando. Os queijos, o simples em conjunto, o filme e o cobertor felpudo. As malhas, as mantas perfumadas, a falta que o beijo gelado faz e que a concha deixa.
São os anúncios, as modelos, os corações e os jingles. As promoções, os restaurantes, os presentes planejados e a fatídica noite.

Espera-se passar.

O dia amanhece, esquento a água e o chimarrão fica pronto... a aula ou o trabalho começam.

E mais um dia dos namorados se vai...

... na espera de que no próximo o complicado se transforme em contentamento...

sábado, 23 de maio de 2009

Particularidades inestimáveis...

Vivo lendo reportagens, artigos e comentários sobre a importância de sermos nós mesmos. O que me intriga são as razões destes artigos. Sempre as tais razões.
Utilizo-me de apenas uma pergunta retórica: Porque estas teses que defendem a verdade individual estão pipocando dia-após-dia?
Simples: Porque cada vez mais, seja em nosso trabalho ou em qualquer aspecto de nossa vida social, da mais íntima até a mais superficial, nós somos forçados a desempenhar diferentes papéis, diferentes atuações, sermos diferentes pessoas para atingirmos objetivos ou agradar a quem temos de agradar. Ninguém mais se preocupa em respeitar os seus próprios sentimentos/limites em prol da felicidade plena e totalmente... particular. O que vale é agradar, é ser, aparecer, fazer ou não-fazer nada contra o que tenha sido socialmente convencionado nos últimos 15 dias. A determinação do que somos ou fazemos não cabe mais a nós mesmos, e fácil assim, deixamos de ser verdadeiros para estarmos enquadrados, sabe-se lá no que.
Estes dias recebi umas fotos de uma das últimas Playboys que saíram nas bancas e, ao acessá-las, curioso para saber como aquela mulher conhecidíssima (e linda) da capa era, nua, tive uma decepcionante surpresa.
Ela era igual às outras.
Igual a praticamente TODAS as outras.
Fiquei até indignado. Não com este fato, mas sim por constatar que a igualdade de corpos é buscada hoje em dia por total escolha particular das suas donas. Esquecem-se como nasceram, os traços genéticos herdados, as suas origens, as suas identidades, etc.
Perdeu a graça.
A verdadeira beleza física feminina é basicamente formada pelas particularidades que cada uma delas tem. Seus cabelos ondulados, lisos, crespos, longos, curtos, loiros, ruivos ou morenos... suas alturas baixas, médias ou altas... seus corpos magros, curvilíneos ou um pouco mais servidos... suas ancas pequenas, largas, redondas, empinadinhas ou um pouco mais retas... seus seios pequenos, médios ou grandes, ajeitadinhos ou empinados, de auréolas grandes, pequenas ou médias com as mais variadas cores e formatos...

Esqueça. Isto está a caminho de não existir mais. Já era. Bons tempos os que uma mulher poderia ter todas estas variáveis físicas.

Respeitando padrões seguidos na maioria dos casos, cabelos são pintados e alisados, alturas ajustadas através dos saltos, os corpos têm a obrigação de serem magros, curvas são calculadamente forjadas a ferro e fogo na academia ou nas clinicas, bundas são grandes, enormes, cada vez maiores e os seios... bom os seios... estes sim são os que mais padecem com a uniformidade.
Hoje em dia todos os seios são iguais. Pelos menos suas donas querem que eles sejam. A coisa chega a tal gravidade, que existem pouquíssimos formatos pré-estabelecidos de próteses de silicone, o que varia são apenas os tamanhos, mas a sua escolha também não varia muito. Não há mais graça, repito. Todas elas têm seios iguaizinhos: grandes, redondos feito um melão partido ao meio, mais duros e empinados que um vulcão.
Parecem de plástico. Completamente artificiais.
Sim, minha querida leitora, eu cansei de seios siliconados. Acho-os horríveis, terríveis, aterrorizantes! Uma afronta ao bom gosto e ao refinamento. Não há mais surpresas, não há mais desejos, não há mais imaginação.
Marasmo em forma de seios femininos.

Por estas e outras razões, faço um apelo, talvez o primeiro apelo neste sentido da história:

Mulheres, por favor, parem de se turbinar, sejam vocês mesmas em sua plenitude. Não coloquem mais próteses, principalmente nos seios... a imaginação está acabando, o desejo está acabando, a sedução está acabando. Não modifiquem as suas lindas particularidades. Não estraguem as suas lindas particularidades.

Lembrem-se: Os seus corpos, do jeitinho que são e sempre foram, são os mais lindos que podem existir... simplesmente por uma razão:

Eles são únicos! Não existem outros iguais a eles! Não há como estimar valor a esta particularidade!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

A primeira batalha...

Ele me pediu para assar uma picanha na churrasqueira, bem ao jeito que um verdadeiro gaúcho faz.
Eu perguntei se só a picanha era suficiente para todos, se ele não queria que assasse mais algo. Respondeu-me que um espeto de salsichão seria ótimo.
Enquanto eu começava a trabalhar na lida normal de carvão-fogo-carne-espeto e sal grosso, ele puxou assunto sobre o que eu fazia lá nas bandas do Sul. Queria saber detalhes sobre minha carreira profissional, meu nível de estudo, no que já havia trabalhado. Deixou claro que estava à procura de garantias para a saúde do futuro financeiro de sua filha. Percebi que esperava por sinceridade, foi quando devolvi este desejo com a honestidade que me é característica.
Lembro-me de ficar nervoso e um pouco indignado, pois esta é minha reação normal a perguntas onde a desconfiança sobressai no tom de voz.
Após minhas respostas, através da elevação de suas sobrancelhas percebi que apenas minhas palavras não seriam suficientes para as comprovações que ele estava buscando.
Tensão.
Momentos de silêncio.
Após alguns minutos, ofereceu-me uma cerveja. Eu disse que como não estava dirigindo, aceitaria um copo, desde que ele me acompanhasse. A lida da churrasqueira atraia meu olhar, e também me servia de bengala naquela situação. Após alcançar-me a tulipa, perguntou-me se eu era religioso. Percebi que aquele copo de cerveja não era uma mostra de companheirismo, mas sim um teste. Respondi a verdade: que era religioso sim, e que tinha muita fé. Respondi também que minha religião me permite certas liberdades terrenas que até Jesus Cristo provou. Bebidas alcoólicas são permitidas, desde que não sejam consumidas em níveis prejudiciais a saúde.
O nível da resposta deixou-o um pouco quieto. Percebi que me analisava feito um malfeitor, feito um bandido, feito um ladrão que estava prestes a furtar-lhe a filha. Resolvi largar um pouco a atenção que dispensava ao assado, e passar a enfrentar-lhe mirando-o diretamente nos olhos. Era hora de demonstrar que ele não estava lidando com um menino.
Comecei eu mesmo a tomar as rédeas dos assuntos. Conversamos sobre criação, sobre valores familiares, sobre respeito às famílias e aos conservadorismos que ambas tinham como característica cerne. Sempre replicava suas respostas com esclarecimentos sobre mim e minha família em particular. Ensinaram-me uma vez que é muito melhor esclarecer por vontade própria do que responder compulsoriamente.
Aos poucos, não sei se por conta da cerveja quente ou porque realmente as minhas respostas estavam surtindo efeito, a guarda de sogro-que-sente-ciúmes foi desertando, as barreiras foram sendo retiradas, alguns risos começaram a aparecer e, para espanto geral, após começar a servir alguns petiscos da carne, o primeiro elogio apareceu:
- “Nunca provei churrasco de Gaúcho, mas vejo que perdi muito neste tempo todo que não havia provado”...
Pronto, a chance me estava sendo dada.
Servi a carne, todos comeram. E elogiaram.
Após a janta, assuntos mil e mais amenos surgiram: futebol, climas diferentes entres os dois estados, povos habitantes... as coisas foram ficando mais leves a partir de então.
Ao final da noite, já na hora de me encaminhar para o hotel, ficamos sozinhos no recinto pela primeira vez, e o golpe final foi desferido de maneira inesperada:
- “O que fez tu te abalar desde lá do Sul até aqui, atrás da minha filha...?” – Perguntou-me.
- “A chance que recebo neste momento, de formar a minha vida ao lado de alguém que me faça feliz e que eu ame. O que o Senhor faria no meu lugar”?
- “O mesmo que você. Seja bem-vindo a minha família, meu filho”.

Tudo se interrompe aqui.

Pois o despertador tocou, e eu acordei. Suado.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Não perca seu tempo...

Convidaram-me para ir a um festival local, patrocinado por uma grande rádio daqui do Sul.
A princípio me interessei. Sempre dei um dedinho para ir a um show, costumo não perder os que são de meu real interesse. Mas confesso que não fazia a mínima idéia de quem iria tocar.
Como sempre faço, fui dar uma olhadinha na lista e nos horários das apresentações, e inevitavelmente constatei que, hoje em dia, como em qualquer festival onde há um palco, este seria imensamente utilizado por no mínimo quatro ou cinco bandas “Emo”.
Sou de outra época, não tenho vergonha em dizer. O final de minha adolescência e o início de minha vida adulta foram povoados por bandas/músicas mais alegres, mais politizadas, mais fortes, mais... maduras. As músicas “deprês” que eu escutava um pouquinho antes, durante a minha pré-adolescencia, eram os autênticos tapas-na-cara que o Renato Russo dava na gente. Irretocáveis por sinal.
Eu decidi não ir ao tal festival. Sabendo do tipo de música que eu iria escutar todos os minutos em que me encontraria por lá. Realmente não faz o meu tipo... até pelo momento de vida em que me encontro.
Mas não é por preconceito não, não me entenda errado. Música assim não faz parte mais da minha sintonia, me faz mal pela carga de depressão que carrega. Entendo que o exigível para o sucesso frente aos adolescentes é justamente ser alguém que sofra, alguém que chore, alguém que sinta dor, e pasmem, isto não vem de hoje. Eu também era assim. Sentia inveja dos meus colegas ou amigos que sofriam mais do que eu, eles me pareciam tão maduros... tão legais... tão interessantes... tão atraentes! O sofrimento para o adolescente vale mais do que uma caçamba de ouro maciço perante seus iguais. É um atestado de maturidade e de superioridade perante um mar de marasmo e tédio que a adolescência compulsoriamente nos trás. É motivo para despertar inveja... pena... carinho. E é este o nicho de mercado que bandas como estas exploram.
Ou realmente vocês acham que eles choram e sofrem tanto assim a ponto de borrar a maquiagem?
Confesso que eu mesmo, quando jovem, inventava pequenas historias de sofrimento pessoal para que as meninas me dessem um pouco mais de atenção... uns afaguinhos de vez em quando. Forcei-me a isto pela vida pacata e sem graça que levava. Eu tinha de ter um diferencial. Eu tinha de ser interessante de alguma maneira.
De lá pra cá as coisas mudaram.
Hoje o sofrimento é real, verdadeiro. Todo o sofrimento que desejamos ter na adolescência torna-se real durante a juventude adulta. E o pior: não nos sentimos preparados. O que mais fazemos agora, na verdade, é passar a imagem de que tudo está tranqüilo, tudo é felicidade, tudo é alegria e somos plenos e satisfeitos. As situações se inverteram. É a vez de a felicidade despertar inveja e atração.
Se há dez anos atrás nos fazíamos de infelizes, hoje nos fazemos de felizes. Se há dez anos atrás nós éramos entediados com a vida feliz e sem problemas que tínhamos... hoje em dia tudo o que nós queremos é voltar no tempo...

... para viver aquela época de maneira diferente do que vivemos. Para curtir a felicidade que tínhamos e odiávamos ter.

Portanto, meninada dos anos dois mil: esqueçam duma vez o sofrimento, aproveitem a sua felicidade... sério mesmo...

Sofrer sem ter pelo que é perder tempo.

Admirar quem transparece isto também o é.

domingo, 3 de maio de 2009

Uma coisa antes (depende) da outra...

Hoje durante minha volta da praia, meu cão, o querido Pico, repentinamente agitou-se no banco de trás do carro, onde normalmente ele viaja tranqüilo. Passou por cima do meu colo no banco da frente e parou abrigado embaixo das minhas pernas, tremendo. Perguntei a ele o que havia acontecido (como se alguma resposta fosse possível, coisas que só quem ama cachorro faz...), o único movimento que obtive foi um olhar medroso e o topo de sua cabeça encostada fortemente contra a parte posterior do meu joelho, como se dissesse: “Me ajuda...”.
Passei a procurar o motivo de tal medo, o que estava fazendo mal ao meu menino. Foi quando avistei uma enorme mosca-verde voando livremente pelo automóvel, que neste momento trafegava de vidros completamente fechados por conta do ar-condicionado. Olhei para o meu cão, pisquei para ele e disse: -“Deixa comigo que eu cuido dela...”.
Bastou um vidro abaixado para que o vento se encarregasse de encerrar o assunto.

O sentimento que tive naquele momento foi estranho. Fazia tempo que alguém não me procurava buscando proteção. Fazia tempo que alguém não me demonstrava carinho desta maneira. Fazia tempo que eu não constatava que sou apto a dar abrigo.
Deste sentimento bom, passei quase que imediatamente a um sentimento de preocupação...

Seria o desejo de paternidade acusando que chegou...?

Na vida, com o passar do tempo, os valores das coisas e dos seus respectivos sentimentos se flexibilizam, variam, aumentam e diminuem de acordo com a fase que estamos atravessando. O contrário, amplamente divulgado por ai, em minha opinião não é verdadeiro. Hoje em dia as pessoas não endurecem com os anos adquiridos, como os nossos avós e bisavós faziam, elas amolecem isso sim. Elas ganham capacidades afetivas que antes nem imaginavam ter. E perdem tantas outras também...

Me vi desejando ter alguém para proteger. Não que o Pico não tenha seu valor neste sentido... mas realmente vai chegar a hora que ele não vai estar mais aqui, já vai ter passado desta pra melhor... e o sentimento paterno que hoje em dia desconto quase que totalmente nele, vai estar em um patamar enorme e sem alvo certo.

Que medo que me deu. Juro. Tremi as pernas pior do que o Pico fez por conta da enorme Varejeira.
Seria a maturidade chegando de vez? Seria aquele sentimento que quase todos nós sentimos, de que a hora de dar continuísmo a espécie está chegando? Estaria eu pronto para isto...?

Veja bem... de acordo com minha criação e com o que sinto, pensar em filhos é quase impossível sem associar esta imagem à pessoa certa. Filhos para mim estão completamente linkados a concebê-los junto de minha alma gêmea. Sem ela junto de mim, simplesmente não rola.
E sim, eu acredito que ela existe... pelo menos agora.

Portanto, minha metade da maçã, meu chinelo velho, minha princesa encantada, minha mulher certa... toma conta da tua posição duma vez, por favor.

Meus filhos precisam de ti para que venham a este mundo...

E eu preciso de ti para amar-te como ninguém jamais foi...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Afinar a boca...

Com que freqüência costumamos falar palavrões...?
Paro para pensar sobre isto neste final de feriado.
Confesso que ainda falo muitos termos que não deveriam ser proferidos em qualquer circunstância, apesar de que a quantidade que eles saem da minha boca diminuiu muito nos últimos tempos por conta das influências que só o coração sabe explicar...
Mas mesmo assim, durante algumas oportunidades específicas continuo a falar estas palavras desnecessárias.
Sabendo-se a quantidade, rapidamente passo a analisar a utilidade. Quais são os reais objetivos para que usemos tais termos? Um P-Q-P, por exemplo, pode expressar muitas coisas diferentes, dependendo da sua conotação e contexto.
Brincadeira, indireta ou tiração de sarro. Ofensa, blasfêmia ou desabafo. Indignação, raiva ou força de expressão. Ênfase, rebeldia, ataque ou vontade pura e simples.
De qualquer maneira todos os sentidos podem ser resumidos em três características básicas de quem os fala: Má-educação, má-criação ou falta de maturidade.
Veja bem, não falo de maneira nenhuma sobre posições sociais ou financeiras, até porque conheço muito ricaço por ai na qual a educação pessoal chega a perder para alguns animais de estimação... e muita gente humilde que fala igualzinho a membros da monarquia britânica.
Falo sobre legado de família, educação passada, ambientes de criação. Falo sobre o ser discreto, o ser polido, o não querer chocar indivíduo algum desnecessariamente.
O que preocupa se levarmos em conta, é a verdadeira banalização do uso destes termos fortes, coisa que surgiu por conta justamente da falta de educação que era comum nas gerações passadas. Antigamente falar palavrão era algo para homens (gênero masculino mesmo) adultos e humildes, pelo menos assim era convencionado socialmente. Hoje existem até alguns termos que eram considerados palavrões extremos e que passam despercebidos. Um deles eu já usei neste texto: tirar um sarro. Sinônimo de outro que usam até defronte ao juiz: gozar a cara. Pense no real significado destes termos. E apavore-se.
Gozações e sarros a parte, passemos a parte prática da história toda.
É bom falar palavrão? Dá pra evitar?
É bom sim, não dá pra negar. Mas porque é bom, não quer dizer que seja correto. Comparo falar palavrão com comer carne gordurosa: a gente sabe que não é certo e faz mal, mas o gosto ótimo e o fato de todos comerem nos levam a fazer igual. É uma convenção, é natural, é comum e por vezes, até obrigatório é. Pergunte a qualquer torcedor, de qualquer gênero ou faixa etária que freqüenta ou já freqüentou estádios de futebol.
Conheço uma Senhora que tem a boca mais limpa que eu já vi durante seu cotidiano normal. Um belo dia a levei para assistir um jogo das arquibancadas, resultado: aos 30 minutos do primeiro tempo, por conta daquela mesma boca limpa, a bandeirinha que auxiliava o arbitro naquele jogo já havia virado mulher traída, mal-amada e prestadora de serviços sexuais, sem falar que a sua mãe também era do mesmo ramo. Até algumas características físicas decorrentes da suposta grande demanda de clientes foram exaltadas.

Pois é. Pensei o mesmo que tu pensaste agora.
Percebeste o quanto é difícil até saber o significado das coisas, sem o uso dos termos geralmente utilizados? Percebeste que, apesar da vontade de que as coisas sejam ditas de maneira diferente, por vezes até necessário é?
Impasse. Resta-nos tentar evitar apenas.
Para coroar: lembro de uma entrevista que assisti há vários anos atrás, onde um aposentado vocalista de uma banda de rock nacional, ao se converter em um fiel evangélico, foi questionado sobre o que era mais difícil: deixar de beber e se drogar, ou de falar palavrão...?

Ele respondeu que beber e se drogar ele já havia parado, e que nunca mais voltaria.
Mas falar palavrão ele simplesmente não conseguia largar o vício. E que costumeiramente praticava-o todos os dias sem perceber...

sexta-feira, 27 de março de 2009

Way back into love...

Costumo gostar de comédias românticas. Mesmo que elas não estejam naquele grupo de películas que assisto vinte ou trinta vezes sem cansar, elas costumam me agradar quando vou ao cinema.
Recordo-me de um filme que assisti há alguns anos atrás, que tinha Hugh Grant (Divine Brown) e Drew Berrymore em seus papéis principais. O nome era “Letra e Música” se me recordo bem.
O que mais me faz lembrar este filme era o nome da música na qual ele se desenvolvia: “Way back into love”.
O caminho de volta para o amor.
Estes dias recebi comentários em um dos meus textos antigos que falavam em algo relacionado. Algo em torno do fato de não deixar mais as pessoas me desrespeitarem... mas pagar caro com o preço de ver meu coração cada vez mais empedrado.
A coisa é bem diferente de ter medo de amar. Muito diferente.
É como se fosse ao contrário até. A coisa que mais quero é ter um novo amor.
Eu tento. Juro que tento me envolver com as mulheres que aparecem na minha vida, juro que tento me convencer que as mesmas que aparecem têm aspectos dos mais lindos e valiosos possíveis... mas não consigo. Elas realmente têm todas as qualidades... mas pra mim é como se não tivessem.
Não me apaixono nem por Decreto-lei. Mesmo estando louco para me apaixonar novamente, acabo por arranjar um pretexto qualquer e corro delas feito guaipéca do chinelo.

Qual seria este tal caminho que me levaria de volta a capacidade de amar?

Será que o problema é eu ser um homem seguro demais de si? Sei que quem é muito seguro acaba por não depender de outra pessoa para sentir esta tal segurança pessoal. Convive muito bem consigo mesmo.
É verdade. Mas não é o meu caso.
Porque não é o meu caso? Porque eu sinto falta de alguém ao meu lado. Se sinto falta, sou dependente de amor e carinho que venha de outra pessoa diferente de mim mesmo.
Cheguei a conclusão então que o que me atrapalha é justamente a escolha dessa “outra pessoa”.
Tem que ser perfeita. E é ai que eu dificulto tudo. Quer saber o porquê? Por que ela tem que ser linda, bem vestida, inteligente, bem-sucedida, independente, segura, vaidosa, detalhista, amorosa, carinhosa e desejada por outros homens (sem falar nos detalhes por menores, como saber beber, não se importar com programas masculinos e ter pés bonitos...).
Ou seja...
... não existe.

Por hora então, a única conclusão que consigo chegar de qual seria o tal caminho de volta à sensação ótima de estar amando é o que vai me trazer maior trabalho:

Continuar me auto-analisando e mudar minha maneira de pensar sobre as mulheres.

Se eu dependo delas para ser feliz, tenho de colocar na cabeça que ao contrário do que venho pensando nos últimos anos... terei de abrir mão de alguns parâmetros estabelecidos... um por um...

Mas vamos devagar... vai que eu ganhe na loteria de achar a tal perfeita por ai...

quarta-feira, 25 de março de 2009

Os medos que tenho...

Foi escutando uma música do Foo Fighters que tive a idéia para escrever este texto.
A tal música se inicia com a seguinte frase: “Eu tenho uma confissão a fazer”.

Eu tenho uma confissão a fazer.

Eu tenho medos.

São muitos, grandes e variados. Alguns dizem respeito apenas a minha pessoa, como o medo que tenho de insetos, debato-me todo quando algum resolve se jogar em mim. Tenho também medo de pés femininos mal cuidados, eles realmente me assustam, mas mais pelo desleixo da dona do que pela sua estética medonha. Tenho medo de velocidades muito altas, 110 km’s por hora estão mais do que suficientes. Tenho medo de fracassar, mesmo quando pareço estar estagnado. Tenho medo de baladas fortes, porque me estresso com fila, calor, descaso com a segurança, apertos e trombadas, e no final ter de pagar caro por tudo isto. Tenho medo de servir churrasco fora do ponto, seja ele queimado ou cru. Tenho medo da sensação de cair, seja de qualquer altura.
Outros medos dizem respeito às outras pessoas, como o medo que tenho de radicalismos, ascos em mim afloram quando vejo alguém destratando outro por conta de política, raça, futebol ou o que quer que seja. Tenho medo de pessoas mal-educadas e desrespeitosas também. Educação e respeito foram valores que me foram ensinados, e tenho certeza que os ensinarei se descendentes tiver. Nem preciso explicar o tamanho do desconforto que tenho quando não vejo os mesmos em prática por outras pessoas...
Tenho medo de petulância, nunca sei qual é a real razão para indivíduos se acharem melhores que outros. Daí também decorre outro medo, o da falta de humildade, este para mim até pecado é. Quem não é humilde não vai para o céu. Todos têm o mesmo valor, independente do recheio da conta bancária, profissão, refino social ou posição empregado/empregador. Humildade mantém os nossos olhos abertos longe da ignorância e grosseria que é se achar superior.
Alguns medos meus unem os dois conjuntos: Dizem respeito a mim e também as pessoas. Como o da falta de noção, ou melhor, a falta de visão em momentos que somos inconvenientes. Confesso que estou sempre de olho para não sê-lo, e mesmo assim, de vez em quando acontece. Agora imagine quem nem ao menos se preocupa... o tamanho do mal que causa. O pior é aquele que tenta sempre ser engraçado, e sempre desrespeita, ofende e é inconveniente por conta disto.
Outra coisa que tenho medo em mim e nos outros é o descontrole, principalmente no que tange aos momentos em que estamos motivados por sentimentos de revolta e injustiça.

De tempos em tempos, sentimos necessidade de mudanças em aspectos diferentes da nossa convivência social. É a tal da historia de sentar direito só quando as costas já estão doendo. O que é inerente nestes momentos é que eles são motivados por sentimentos extremos, gerados por situações desconfortáveis e que causam irritação.
E é ai que mora o problema. Sangue quente gera sangue quente. Discussões nessas horas sempre dão errado na execução, mas não quer dizer que vão dar errado nos resultados. As formas são erradas, os conteúdos discutidos não.

Os velhos ditados já dizem o que acontece nos próximos capítulos: Deus escreve certos por linhas tortas, há males que vem pra o bem e o tempo é o Senhor da razão.

Disso eu não tenho medo.

Os resultados destes momentos são e serão benéficos, é uma certeza.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Imortalidade

Filosofar barato é algo que não tenho preconceito nenhum com quem faz. Eu mesmo faço, e confesso que gosto demais, tanto da filosofia em si quanto dos seus resultados.
Jogue a primeira pedra quem não gosta.
Não faz muito tempo, me vi filosofando em meio a um galeto assado ao molho pedra na moringa* enquanto tomava uma Polar bem gelada.
Não sei de onde, mas o assunto “imortalidade” apareceu, e pra quem me conhece... sabe que este tipo de coisa é um prato cheio pra mim e alguns dos meus amigos passarem horas desenvolvendo teorias.
Enquanto as pessoas falavam, eu de principio me mantive quieto, apenas pensando sobre o que a imortalidade me significava.
Seria nunca morrer? Permanecer na face da terra para todo o sempre, centenas de anos... até milênios...? Todos sabem como isto funciona... a mente ou a alma podem até querer ficar, mas o corpo humano é frágil, e tem prazo de validade de acordo com o estilo de vida que levamos. Aliás, o nosso estilo de vida é que determina o nosso estilo de morte, mas isso não é assunto para agora.
Morreremos um dia, por mais redundante que isto possa ser. Mas será realmente que não existe uma maneira de sermos imortalizados? Será que não existem imortais por ai?
Logo quando pensei nisto, me lembrei do apelido que minha tão querida torcida gremista colocou no nosso tão querido Tricolor dos Pampas: Imortal.
- “Mas porque imortal”? – Perguntam-me os colorados mais exaltados. – “Vocês vivem sendo eliminados das competições que disputam”...
Sempre respondo que o conceito de imortal para a torcida tricolor não tem nada a ver com vitórias ou derrotas... mas sim com o amor que nós torcedores temos pelo clube, pelo estádio, pela camisa, pelos símbolos... O Grêmio é imortal porque será amado para todo o sempre, nem que esteja jogando na segunda divisão do varzeano de Sapucaia do Sul.
Pense em ídolos da música também: Lennon, Elvis e Morrisson, por exemplo. Gerações se passam e cada vez mais as pessoas amam estes indivíduos, mesmo os que não os viram vivos. E assim suas respectivas imortalidades se estabelecem.

Podemos concluir algo daí já, não...?
Nunca morreremos nos corações de quem nos ama (e vice-versa), nunca iremos embora da mente de quem pensa sobre nós com carinho, esta é a verdade.

O amor que os laços consangüíneos atingem para mim é determinante a ponto de torná-lo imortal. Por mais que passemos momentos em que este amor necessita de renovação do oxigênio pulmonar, ele nunca morre.
Imortalidade nestes casos remete a marcas, trajetórias, apoio incluso em momentos de distância. Mesmo que meu corpo morresse hoje, tenho certeza que viveria para sempre no coração dos meus pais e irmãos.

Tenho medo da morte claro...

Mas mesmo tendo este medo... sei que para sempre serei imortal... e eles também...


* Molho pedra na moringa: utilizado para preparo de galeto assado, baseado em cerveja, cachaça, alho e manteiga. É minha única criação culinária...

quarta-feira, 11 de março de 2009

Repetindo Rubens Barrichello...

Sou um empolgado fã de um esporte que quase ninguém pratica, mas que todos conhecem e já amaram um dia: o automobilismo.
Por óbvio, tive e ainda tenho Ayrton Senna como ídolo-mór. Ele foi um dos personagens mais marcantes de minha infância, e mesmo hoje em dia, passados 15 anos de sua passagem temprana, ainda sinto saudades daquelas manhãs de domingo em que acordávamos cedo para assistirmos ele lutar contra os vilões Alan Prost e Nigel Mansell.
Mas falando em tempos atuais, sou fã ardoroso de um piloto que para mim, sempre esteve entre os melhores: Rubens Barrichello.
Torço fortemente por ele desde os tempos da Jordan azul com bico vermelho, apelidada carinhosamente de “Pica Pau”. O homem sempre mostrou competência, excelência no que faz, dedicação total ao trabalho e entrega absoluta aos objetivos individuais e coletivos das equipes em que passou. Para mim ele é tão bom, mas tão bom, que além de unir tudo o que um grande profissional de qualquer área tem de ter, sabe exatamente como se portar para que as coisas continuem dando certo.
Do final do ano passado para cá, Rubinho esteve no mais autêntico “olho do furacão”. Fez uma boa temporada em 2008 com um carro ruim, mas devido à crise econômica mundial, viu sua equipe, que era ligada a uma grande montadora mundial de automóveis, ser dissolvida por conta da alta demanda de investimentos. Enquanto a imprensa discutia qual seria o futuro da categoria, dizia também que Rubinho já havia sido descartado pela mesma. Falavam em aposentadoria compulsória (o que a maioria dos brasileiros, injustamente, comentava que já estava acontecendo tardiamente), falavam que o homem estava acabado, que já estava velho, que não correria mais... e que mesmo que a tal equipe voltasse à ativa, ele seria deixado de lado em troca por um novo piloto que surgiu agora, que não mostrou muito trabalho ainda, mas que tem o mesmo sobrenome do primeiro ídolo que falei neste texto.
Rubinho, ao contrário do que a maioria pensava, surpreendeu resolvendo que a reclusão e a retirada estratégica, mas momentânea, seria a melhor opção.
Passou quatro meses sem dar as caras. Fez uma corrida de Kart em Florianópolis (a qual venceu... não só a corrida, como também Michael Schumacher na disputa...) e só. Não concedia entrevistas, não aparecia em telejornais, em programas especializados, em folhetins, blogs... nada. Reclusão total mesmo.

Pois então. Quando justamente todos achavam que o homem já estava morto e enterrado... eis que surge ele ai novamente... melhor do que nunca.
Cinco quilos mais magro por conta de um preparo físico de atleta, cabeça vazia de problemas, preparo técnico apuradíssimo e com mais gana do que nunca, o cara parece um garoto que ganhou bicicleta nova.
A equipe foi comprada por um dos grandes chefes da Fórmula 1, que de maneira corretíssima, ao contrário do pensamento dos tupiniquins, tem a certeza que Rubinho é simplesmente um dos melhores. A vaga não poderia deixar de ser dele.
Quem ri por último, ri Rubinho. Após os testes de inicio de temporada... não é que o homem está aparecendo nas primeiras posições novamente...?
Vai incomodar muita gente este ano.

O que fez Rubinho voltar tão bem?

A retirada estratégica.
E é justamente o que estou a fazer neste momento.
Peço para que vocês, querido leitores, principalmente aqueles aos quais tenho laços de sangue e amor, me perdoem pelo afastamento e procurem compreender a minha ausência dos círculos aos quais estava acostumado a ser figurinha certa. Incluso por aqui.
Tal qual meu ídolo Rubens Barrichello, estou promovendo um período de reclusão salutar e necessária...

Após um tempo voltarei.

E voltarei para que as coisas sejam melhores do que eram antes.

segunda-feira, 2 de março de 2009

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Conectividade....

Os que têm o dom da conectividade consigo mesmo tendem a não resistir o peso do fardo.

Seria a conectividade uma benção?

Quem pensa muito tende a se alimentar do fruto de todos estes pensamentos. Cria labirintos, paradoxos, maneiras e mais maneiras de lidar que nem sempre levam pro sentido certo. Nada passa despercebido. Nada fica para trás. Tudo é digerido.
O ignorante será salvo. Sofre por não entender, mas não sofre por entender. Nesta balança louca ele acaba por sofrer menos. E ao mesmo tempo sofrer mais.
Uma vez conectado as tuas emoções, nunca queiras desconectar-se. É salutar tomares as vacinas. Mas por vezes é preferível não saberes das doenças.
Uma vez conectado as tuas emoções, nunca conseguirás desconectar-se. É salutar saberes sobre as doenças. Mas por vezes é preferível arriscar o contagio.
Conexões estranhas, centros alcançados, estabilidade. Razões que aparecem e ficam.
Marchas engatadas sempre, aderência conquistada, nunca escorregas na pista. Nada foge teu controle. Mas o caminho é um marasmo tão grande... é como fazer uma viagem de 800 km a 80 km/h.
O risco de se acidentar é mínimo, mas compensa não se arriscar de vez em quando?
Tudo há um preço. Tudo temos de pagar. Máxima, regra e até dogma religioso.
Os heróis morrem de overdose. Os que carregam pouco não sentem as pauladas que levam. Os que muito vêem pouco caminham. A imunidade existe até percebermos que sempre estivemos doentes. A vida deixa de ter sentido quando passamos a conhecer todos os sofrimentos e as suas conseqüências. Desânimo.
Fugir da dor ou aprender a brigar. Analgésicos ou vacinas. Complexidade que rende, mas gasta muito ou simplicidade que não rende, mas gasta pouco.
Sofrimento que escreve, vida que passa e tempo desperdiçado por conta da estagnação. Caminhos fáceis comprados com juros altos e despercebidos ou caminhos fáceis comprados com juros altos e aceitos.

Tudo era mais fácil quando não se sabia. Tudo é mais fácil quando se sabe.
Tudo era mais difícil quando não se sabia. Tudo é mais difícil quando se sabe.

Ajuda ou não ajuda? Esforço jogado fora ou o melhor já investido na vida? Bola dada para o que os outros acham. Questionamentos.
Um abraço, um afago e um peito aconchegante. Pele macia e cheirosa da pessoa linda que nunca te fará mal... e que também não existe. Carinho gratuito, carinho no cambio, sexo com carinho incondenável.

A falta do amor dá nisto. Mas não do amor dos outros ou próprio...

Mas sim do amor que nunca desperta por ninguém...

Deus, livrai-me de ver todo estes defeitos que vejo sobre as pessoas.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O alívio...

Pedrita sentiu-se péssima. Extremamente arrependida. Não tinha noção da dimensão do mal que havia feito, nem ao menos da banalidade que o motivara.
Contou-me que na época em que morava com Paulo, sentia certa inveja das amigas solteiras que saiam para a balada quase todas as noites da semana. Sentia vontade de ser como elas, livre, e de não precisar responder os seus atos a ninguém.
Queria se divertir mais, rir mais, se emocionar mais, sair da rotina. Não havia remédio para aplacar aquelas vontades a não ser mudar de vida.
Essas amigas não se mostraram nem ao menos fiéis logo após o rompimento. Costumavam mentir como se estivessem jogando. Nenhuma delas era de confiança, e este foi o primeiro choque. Reduzida a apenas mais uma amiga das amigas, pedaço novo de carne na roda da hora, a época de festas não durou muito.
Sentindo-se novamente sozinha, resolveu procurar um novo amante. Não foi difícil conseguir, um amigo qualquer de uma conhecida foi apresentado. Não interessando muito quem fosse, resolveu que aquele seria o seu novo amor.
Declarou-se apaixonada aos quatro cantos, fez juras públicas de amor eterno, e tinham de ser deste modo, públicas, pois o verdadeiro objetivo não era comemorar a felicidade, mas sim mostrar aos outros que estava feliz e satisfeita com as escolhas que havia feito.
Porém o tempo mostrou que as coisas não eram bem assim. O fantasma de Paulo continuou rondando, inclusive nos momentos mais íntimos. Na maior parte do tempo, fugia das comparações, e tentava, vezes conseguindo, convencer-se que de todo modo estava feliz e no caminho certo. Mas não estava tudo bem não.
O final de ano e a ligação telefônica serviram para reavaliar a vida, e perceber o tamanho da besteira que havia feito e que continuava a fazer.
Contou-me que, só ao sentar-se à mesa do restaurante, e olhar para os olhos de Paulo novamente, pode perceber o tamanho do erro que cometera.
Paulo se mostrou seguro. Não quis transparecer qualquer tipo de ansiedade ou nervosismo. Fumava poucos cigarros, sorvia poucos goles de chopp. Resolvera que Pedrita teria de demonstrar arrependimento antes de qualquer movimento.
E foi o que aconteceu. Não demorou muito, sob o pretexto de assistir melhor os shows que rolavam no palco logo abaixo do mezanino, Pedrita mudou de lugar e sentou-se ao lado de Paulo.
Chorou sentindo-se um monstro quando Paulo falou-lhe o tamanho do sapo que tivera que engolir este tempo todo. Percebeu, sem ele precisar falar, que pedidos de perdão garantiriam pouca percentagem de sucesso numa tentativa de reunião.
Paulo precisava destes pedidos, e de mais. Precisava ver Pedrita arrependida de seus atos, mas também garantir que ela nunca mais criaria motivos para arrepender-se.
As lágrimas serviram e caíram bem para o primeiro propósito. E se elas não houvessem caído nada haveria mudado.
Sentindo-se em posição, Paulo indagou sobre o futuro. Tinha de se certificar de certas coisas. Ela respondeu tudo de maneira sincera, e ao mesmo tempo que falava, chorava copiosamente ao perceber tamanha burrada e irresponsabilidade cometida. Sabia que merecia o interrogatório, e também sabia que Paulo merecia explicações daquilo que havia sido imposto a ele. Em determinado momento, se deu por satisfeito sem demonstrar, e ela não percebeu.

Ele não pode negar carinho com tamanha tristeza e auto-decepção latente. Faz parte da atitude de um grande homem oferecer conforto. Viraram-se de frente, e ela abraçou-o encostando a cabeça em seu peito. O próximo passo não demorou a acontecer. Beijaram-se lacrimejando, beijaram-se em meio a grandes suspiros.

Passados alguns tempos, o momento ainda se mostra muito feliz.
Procuraram-me para contar o ocorrido.
Prontamente atendido no pedido de publicação da historia do reencontro, fiz a pergunta derradeira:

Qual o sentimento que fica após o reate?

- “O de alivio”... - Responderam-me.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

O reate...

O Paulo e a Pedrita reataram.
Reataram. Simples assim. Pegando todos de surpresa.
Para nós, amigos do casal, isto é ótimo. Torcíamos para que acontecesse.
Pedrita conta que procurou Paulo durante as festas de final de ano, a princípio para desejar-lhe felicidades para o ano novo que se iniciava. Ligou para o celular dele, e o encontrou em meio a uma festa enormemente barulhenta (muitas vozes femininas). Disse-me que Paulo foi super frio ao telefone, não bravo, mas frio, deixando claro através do tom de voz e das palavras dispersivas que não fazia mais questão alguma de nem ao menos manter contato.
- “Foi um choque”. – Diz ela.
Confessou-me que naquele momento, diante de uma prova concreta de que Paulo já a havia esquecido, sentiu uma saudade tremenda e absurda dele. Como se todo aquele amor e desejo do início houvesse voltado subitamente. Logo ela que entrou com o pé no acordo. Até então ela havia tido a certeza de que ele, como havia sido o “deixado” da história, a amava incondicionalmente até hoje, e que se ela quisesse, um simples aceno de reate da relação seria prontamente atendido. Contou-me que até aquele telefonema, tentava convencer-se, com êxito, de que não sentia mais nada pelo Paulo, e de que ele apenas fazia parte de um capítulo, já vivido, de sua vida. Prova do poder que temos de nos enganar.
Alguns momentos após, tentou ligar novamente. Desta vez a resposta foi a caixa postal...
Entrou o ano pensando no Paulo, e no quanto ele lhe fazia falta. Detalhe: ela estava acompanhada do atual namorado, que se mostrava um bom homem segundo ela, mas que não chegava nem perto da pessoa e do amante que o Paulo era. Alias, a paixão que ela tinha pelo Paulo era muito maior do que a pelo vivente. Não havia comparação sobre isto, e mesmo que houvesse, inconscientemente ela fugia da berlinda entre os dois feito o diabo da cruz. Temia que o resultado não apoiasse as suas escolhas. Simplesmente não admitia o erro que cometera, em deixar o Paulo porque achava tudo um marasmo.
O Paulo me conta que sempre amou a Pedrita. Desde o início do relacionamento, o final doloroso, o período que ambos ficaram separados e agora, juntos novamente. Nunca se passou um dia sequer em que ele não pensou nela com carinho e saudade. Mas após um período de luto, resolveu que a esperança não deveria ser mais nutrida, e a vida teria de continuar, dependendo apenas dele para ser feliz. Deu o passo a frente e esforçou-se para esquecê-la. Sem êxito, por óbvio. A única coisa que conseguiu foi atender a um telefonema dela no ano-novo de maneira a dar a entender que não queria mais viver a mercê das suas vontades, e transparecer que nem ao menos lembrava direito dela. Pura mentira.
O que ninguém imagina é que após aquele telefonema, ele foi à varanda do apartamento onde estava festejando a virada, e chorou. Chorou de arrependimento pelo que tinha feito, pela maneira que havia tratado o amor de sua vida ao telefone. Pensou no quanto foi burro em ser indiferente, até porque em sua cabeça, se ele se mostrasse fácil e aberto, ela poderia resolver voltar, e era o que ele queria. Chorou de saudades, de dor, de vontade de voltar atrás, num curto e num longo espaço de tempo. Ao mesmo tempo sentia-se feliz por ter sido coerente com o sofrimento que ela o havia imposto. Não dera o braço a torcer... e isto era o que interessava.
Teve medo no momento em que o telefone tocou novamente, e não atendeu. Não abriu mão de seu orgulho, que tanto deixara de lado quando no passado, implorava para retornar. Era o que tinha de fazer para se proteger.
Mas o efeito de sua atitude foi inesperado. Foi justamente aquele tratamento indiferente que fez Pedrita liberar-se de seus freios, e admitir que realmente, o Paulo sempre fora o cara, o homem, o amante, o amor.
Alguns dias se passaram, e ela ligou novamente, pedindo uma chance para conversar. Paulo disse que sim, mas que tinha medo de se ferir novamente, e só concordaria na garantia dela de que isso não iria mais acontecer.

Ela garantiu. E vai cumprir.

Por vezes, quando as coisas acabam dando certo inesperadamente, ainda escuto a história aquela de que Deus escreve certo por linhas tortas. E é verdade.
Precisou sentir-se indesejada para Pedrita admitir o seu desejo. Precisou transparecer não desejar mais para que Paulo recebesse o desejo dela de volta.

Aquele relacionamento, ambos sabem, acabou. Outro se inicia agora, com pessoas iguais e diferentes ao mesmo tempo. Do jeito que deve ser.

E eles serão felizes.

Muito mais do que foram antes.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Imortal... apesar de dizermos que não.

Desculpem-me pelo silêncio queridos leitores.
Não sou muito de locar DVD’s, apesar de gostar muito de assisti-los. Durante o final de semana passado, um casal de amigos me emprestou um filme que a muito tinha vontade de ver. Chama-se: “PS: Eu te amo”, filme que promete – e cumpre – lágrimas em quantidade industrial.
O que ocorreu é que sem medo algum de admitir, chorei feito criança do inicio ao final. E a semana inteira praticamente fiquei em bloqueio com as palavras por conta disto.
Se tu já assististe à película, sabe que a mesma gira em torno de um casal de jovens adultos – Holly e Gerry - que vivem um casamento em sua primeira década de existência, mas que tragicamente acaba interrompido pela morte de um deles. O desenrolar se dá em torno do integrante que ficou no plano terreno, todo o seu sofrimento e luto por conta da ausência não desejada da personificação de seu amor.
Amor e morte.
Sentimentos conflitantes, mas nem por isso antagônicos.
O amor e a morte. O amor na morte. A morte no amor. A morte do amor.
Ambos em seu fim representam um luto único que não se supera, apenas se contorna para seguir em frente. O filme trata justamente da união destes dois lutos: a impossibilidade de saciar o amor por conta da morte do ente amado. São duas dores, dois sofrimentos, dois motivos para sentir saudade de uma mesma pessoa. A tragédia insuperável. A tristeza sublime. O término definitivo. O sofrimento ao quadrado.
A palavra fim, segundo o Michaelis, entre outras coisas significa “morte, interrupção inesperada, grande transtorno do tempo que causa aflição, grande confusão”.
Nem o filme, nem eu neste momento, temos a pretensão de contrariar o dicionário. Em parte.
- “Mas o amor acaba após a morte...”? – Pergunta-me você.
Não acaba nunca, assim como no término de um relacionamento. Com o tempo o sofrimento da não saciedade apenas ameniza, deixa até que vivemos um novo amor. Mas o desejo pelo indivíduo sempre vai estar ali, tal qual um vício adquirido ou uma dependência química qualquer. É a história aquela do dói, mas passa.

Mas o que é que passa...?

O amor ou a crise de abstinência extremamente dolorida que ele gera...?

Penso que talvez não seja o amor que passe, que acabe, que não se sinta mais. Mas sim, é a dependência que ele nos impõe, que com o remédio ministrado pelo tempo, ameniza, tranquiliza, acalma. E passa.

Mas então quer dizer que nunca deixamos de amar o que amamos...? O sentimento nunca acaba...? Nunca morre...? Apenas passamos a não depender mais dele...?

Assista ao filme.

E pergunte para Holly...

domingo, 18 de janeiro de 2009

I like to be somebody's Gerry.