quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A síndrome do príncipe encantado

Durante minha juventude, sempre fui considerado “o amigão” das meninas. Sempre fui o atencioso, o querido, o compreensivo, o carinhoso... e apesar do que se diz por ai sobre o “campo da amizade”, isto nunca me atrapalhou em minha vida amorosa.
Pensando bem... sempre tive muito sucesso na qualidade das mulheres que me envolvi, muitas delas sendo minhas amigas antes, durante e após o envolvimento. Digamos que consegui a quase perfeição entre a quantidade e a qualidade, o chamado “meio-termo justo”. Não me envolvi com tantas assim, pois não sou caçador, mas as que me envolvi me garantiram muitos momentos de felicidade.
Durante as inúmeras “conversas femininas” as quais eu homem hétero estive presente de gaiato, sempre escutei de minhas amigas a expressão “síndrome de Cinderela” como sendo algo intimamente e exclusivamente ligado ao gênero feminino. Tal expressão, segundo as mesmas, diz respeito ao fato da maioria esmagadora das mulheres ter o objetivo de vida, ou melhor, a meta de se casar um dia, de constituir uma família perfeita, morar no local perfeito, ter um casal de filhos e de labradores... facilmente se conclui que é definitivamente uma das vitórias femininas. Seria a vontade de se viver um conto de fadas, de se encontrar o príncipe encantado montado no cavalo branco de crinas douradas... e que este as resgate dos monstros da vida que tanto lhes trazem infelicidades.
Ainda de acordo com elas, o primeiro sintoma desta síndrome é o fato de logo de início, quando conhecem alguém, enxergar este alguém esperando no altar enquanto se é conduzida até ele pelo pai ao som da marcha nupcial. Serve como exemplo, mas sempre é algo relativo à cerimônia de casamento ou a vida de casada.
Pois bem meninas, venho através deste lhes avisar que sim, nós homens, apesar de termos menos casos comprovados, ou admitidos, também sofremos da versão masculina da tal síndrome, a qual eu denomino de “síndrome do príncipe encantado”. Muitos de nós também, ao conhecer alguém, não demoramos muito (quase nada...) para imaginarmos se esta pessoa ficaria bem de véu e grinalda adentrando as grandes portas de uma igreja, sendo conduzida em nossa direção.
Declaro solenemente que sofro deste mal desde menino, idealizando em 100% dos casos a esposa perfeita e a mãe de meus filhos.
Mas porque “sofro deste mal”? Ou melhor, porque designar tal característica como um problema? Porque infelizmente hoje em dia românticos têm facilmente a sua importância derrotada por um motivo fútil qualquer. Os sonhadores, que teimam em sonhar e planejar uma vida romântica e perfeita ao lado de alguém (e eu me incluo nisto), muitas vezes se vêem deixados de lado por este alguém, tendo derrepente de esquecer à força sonhos e planos... engolindo goela abaixo o fato de ter de dar a partida e iniciar tudo de novo...

Não quero transformar este texto em uma simples reclamação do quanto o mundo é cruel e do quanto a vida nos prega peças e chacotas amorosas...

...quero apenas deixar claro para vocês mulheres, aproveitando esta pequena recaída romântica e carente que estou tendo no momento, que existem muitos homens como eu que sonham com a mulher maravilha, com a tampa da panela, com a metade da laranja, com o pé torto para o nosso chinelo velho... enfim, sonham com a bela adormecida, com a Cinderela perdida e descalça esperando pelo sapato de cristal que há tempos carregamos junto para ver se serve em alguém...

E enquanto não encontramos... continuamos eternamente no campo do conto de fadas... querendo ser o príncipe encantado, mas se sentindo o Shrek isolado no meio do pântano...

sábado, 22 de janeiro de 2011

Saiba da realidade... e mude realmente.

“Apenas quando somos instruídos pela realidade é que podemos muda-lá”.
Bertold Brecht

Hoje peguei vários esboços de textos meus manuscritos com o objetivo de escrever mais um artigo. Mas confesso: tudo o que consegui achar foi esta frase, que foi retirada de um folheto recebido na faculdade. Ela é de autoria de um dramaturgo alemão que morreu a mais de meio século, e que claro, eu apenas havia ouvido falar do nome.
Não que não houvesse qualidade no que eu havia escrito, claro que havia. Mas perto do impacto que tive quando li esta pequena sentença, e também do significado que a mesma teve para mim neste exato momento que vivo, nada mais me pareceu merecedor de atenção.

Fiz menção há pouco tempo sobre o quão assustador é conflitar-se. O quanto se treme as pernas quando resolvemos adentrar a própria mente para analisá-la. Uma pequena amostra é o sentimento desagradável que temos quando a verdade nua e crua sobre nós mesmos nos visita via palavra de mãe. Realmente, a tarefa não é das mais fáceis não, mas é preciso ter força, é preciso ter raça, é preciso ter gana... sempre.
Em igual proporção a sua dificuldade está a sua necessidade e importância. Conhecer-se é o primeiro passo para a real felicidade, e acredite, falo com a propriedade de quem busca se conhecer mais a cada momento... e nunca se conheceu realmente.

Defendo aqui hoje o fato de não conhecermos o nosso real inimigo. As pessoas não sabem contra quem lutar. Atiram a esmo e nunca acertam no alvo que interessa, que resolveria, que acabaria com a guerra. As pessoas não sabem ao menos realmente quem são e o que são. Não sabem como pensam, como reagem. Elas não têm a mínima previsão de seus sentimentos e reações. E acredite, por mais que não concordes, falo aqui sobre todos. Inclusive eu.

O que detona, detona de dentro. Ninguém é culpado, nós somos. As razões de todas as infelicidades passam por alguma crença particular nossa. E disso podes ter certeza. Colhemos o que plantamos, e vice versa. Conheça-se, e saia do circulo vicioso. Autoconhecimento leva ao autocontrole, racionalidade leva a estabilidade. Não que as pessoas não sejam racionais, elas são, mas a maioria de nós pratica muito mais a emoção do que a razão. Conhecer-se e racionalizar-se, este é o segredo.

O que és, como és, como reages e o que te satisfaz. Conceitue com profundidade. Não há problema se não conseguires, ou se conseguires apenas superficialmente, mas por favor, sejas particular nas respostas e, principalmente, nada de considerar o que os outros já te disseram sobre ti mesmo.
Enxergue a realidade, e não apele para o caminho mais confortável: colocar a culpa nos outros ou pior, nos teus pais. Olhe para dentro, cavoque. Enxergue o real, o seu real, a sua versão real.

Todos querem a felicidade. Todos querem amar e ser amados. Todos querem sucesso profissional, independência, respeito e admiração, entre tantas outras coisas. Se não tens o que desejas apesar dos infindáveis esforços, hora de mudar. Não os outros, mas a ti mesmo. Aponte a arma para o que deve ser eliminado, mas aponte para os teus próprios alvos internos, que garanto que tudo se resolverá.

Conheças a realidade para mudá-la. Sejas humilde e admita que por mais segurança que tenhas, os concertos todos tem de iniciar de dentro, de si mesmo. Tens defeitos sim, tu causas a maioria das tuas infelicidades sim. Ou pelo menos contribui para que as mesmas aconteçam. E pior...

... a maioria das vezes de propósito e inconscientemente...

...inconscientemente pela falta de consciência de si próprio... claro. Até porque se a mesma consciência existisse... a maioria destes problemas nem ao menos aconteceriam...

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A espinha no lábio

Ela estava com uma espinha no lábio.

Há tempos meu olhar a acompanha quando ela passa. Beleza natural, cabelos morenos, olhos desenhados e marcantes, seu sorriso é de dentes brancos e alinhados, inseridos numa boca grande normalmente em tons discretos.
E ela tinha uma espinha no lábio.

A nossa ultima aula se iniciou com uma apresentação de trabalho dela. Ótimo. Pude olhar a vontade sem que ela percebesse que enquanto falava, eu analisava o quanto é bonita...
E ela tinha uma espinha no lábio.

Veste-se discretamente. E realmente, não precisa deixar de ser discreta para chamar atenção. Para ME chamar atenção. Enquanto fala, para em pé, cruza as pernas e os braços, encaixa o quadril e curva o tronco para trás, numa posição em que talvez espere outros braços lhe envolvendo os ombros, acompanhados de um leve cheiro no pescoço durante um longo abraço por trás. Por óbvio: se imaginei tal situação, é porque desejei tal situação.
E ela tinha uma espinha no lábio.

Estes dias a vi chorar. Lacrimejava tornando suas bochechas um pouco maiores e ressaltando a cor de seus olhos. Linda. Confesso: não me senti triste por vê-la chorando, me senti triste por vê-la chorar e não poder oferecer-lhe o aconchego de meu peito para que ela pudesse abafar o ouvido. Senti-me triste por não poder lhe demonstrar o quanto poderia protegê-la em meio aos meus braços. Senti-me triste por não poder oferecer-lhe o colo, a mão, um cafuné demorado, um afago quente no rosto e um sorriso.
Já tem quem faça isto. Que saco.
Mas ela tinha uma espinha no lábio.

É meiga, dá para notar. Encanta pela leve timidez e pela maneira sutil que deixa transparecer que precisa de carinho e proteção. Parece-me gostar de gentilezas masculinas verdadeiras, de sinceridades, de confianças mútuas e de fazer planos. Provável goste de programas a dois, de rir, de uma boa janta e de proximidades ao conversar. Espera talvez alguém que acredite nela, tanto rotineiramente quanto no seu potencial.
Dei uma de vidente agora. Baseado apenas no que aparenta. Sem esquecer a tal espinha.

Falando em encantar, é uma mulher que não tem noção do quanto encanta. Não sabe de verdade. Talvez sua modéstia não deixe. Tem um nome comum, um tipo comum, se veste de maneira comum. Estuda um curso comum, tem um emprego comum, mora em uma cidade comum e fala com um tom de voz comum. Enxerga-se tão comum. Mas o seu brilho nem de perto é comum. Num mundo onde todas tentam cada vez mais se montar e parecerem iguais, e o que é natural, comum e simples é tão raro, ela se destaca, e tem seu papel de destaque na minha semana. É comum, e é única. E gostaria de ser única, sem saber que já é.

O porquê da espinha?
Porque a menina estava lá, sentada ao meu lado, aliviada pela evidência bem sucedida frente aos colegas de aula, sorrindo levemente e cheirando maravilhosamente bem. A espinha existia claro, mas era apenas mais um micro detalhe daquela mulher que este mega-detalhista que vos escreve notou. Serve apenas para que fique claro o quanto a observo, o quanto a memorizo, o quanto a imagino.
Gostaria de conhecê-la melhor.
Pena que tem quem a comprometa. E sou moço certo.

Que saco novamente...

sábado, 23 de outubro de 2010

Minhas mulheres...

Eu já me apaixonei por loiras, por morenas, por ruivas e castanhas.
Por aquelas que tinham cabelos curtos, médios, longos, encaracolados, lisos, chapados ou crespos. Apliques grandes, tinturas mil ou apenas... naturais.
Já me apaixonei também por aquelas que tinham perfeitos sorrisos, gengivas grandes, dentes levemente tortos e também as que usavam aparelhos com borrachinhas coloridas.
Caí de amores por olhos claros, verdes ou azuis, por olhares escuros, castanhos ou pretos, e por aqueles raríssimos casos que conseguem mesclar as duas modalidades: hora castanhos, hora verdes.
Já me apaixonei por magérrimas, por modelos, por vencedoras de concursos de beleza, por gostosonas, por lindas, por bonitinhas, por redondinhas e até... por algumas feiosinhas mesmo. Eram altas ancudas, baixinhas magrinhas, siliconadas, corpos de violão, cinturinhas de pilão.
Algumas tinham corpos de bailarina, coxas grossas e duras, outras, eram verdadeiramente amantes dos carboidratos e dos refrigerantes. Algumas amavam uma atividade física, outras, gostavam mesmo era de beber chope. Algumas eram bonitonas não tão chegadas na higiene, outras, eram apenas bonitinhas, mas vaidosas ao extremo.
Já me apaixonei por jovenzinhas, por brotos, por adolescentes, jovens mulheres, mulheres jovens, adultas formadas e adultas que pensavam que eram adultas, mas que apesar da idade não poderiam ser consideradas nem ao menos mulheres...

Já me perdi em meio à poeira por bem resolvidas, por mal tratadas, por inexperientes, por traumatizadas e também por aquelas que mal sabiam o que eram. Apaixonei-me por religiosas, por adventistas, por umbandistas, por evangélicas, católicas ou atéias. Por puras e castas, por meninas em franco descobrimento sexual, por mulheres em franco descobrimento sexual, e por aquelas que por puro pudor, se negavam a se descobrir sexualmente. Algumas foram muito experientes, outras, apenas normais. Algumas delas prometeram muito, falaram muito, e cumpriram pouco...
... das que não foram nada neste sentido, eu realmente gostaria que tivessem sido. E daquelas que me apaixonei, mas nada aconteceu... eu também gostaria que tivessem acontecido.

Já me apaixonei por mulheres calmas, pacíficas, choronas e emotivas. Também duronas, bravas, ciumentas e um tanto quanto descontroladas. Por indecisas, por convencidas, por briguentas e por obtusas também. Algumas me cobravam, outras se cobravam demais, outras não gostavam de ser cobradas.

Algumas eu não sei mais onde estão, outras nunca mais falei. Poucas estão ainda inseridas no meu convívio, e uma... bom... esta uma eu continuo me comunicando... e sei que de onde ela está, ela me escuta.

Roqueiras, pagodeiras, “sertanejas” e forrozeiras. Bailarinas formadas e fandangueiras do Cardosão. Algumas gostavam de ir a Missa, outras gostavam de ir na Rave. Umas gostavam de mim, outras me amavam, pena que algumas outras... algumas outras apenas diziam que amavam... sem amar.

Estas me enganaram.
Mas tudo bem. Não posso reclamar. A vida me serviu muito bem nestas experiências todas, e por isto sou um homem muito feliz. Se não fosse para viver... para que serviria vir a este mundo...

Deixo apenas mais a seguinte pergunta/suspense:

Por quantas mulheres eu me apaixonei? – ou melhor:

Quantas facetas diferentes uma mesma mulher pode ter?

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Aos 30...

Colocar no papel as palavras soltas que me aparecem voando na mente me faz falta, confesso. Mas que desculpa mais posso dar?

Me falta tempo? Me falta cabeça? Não tenho mais inspiração? O que estou vivendo atualmente, realmente vale a pena escrever?

A resposta é sim. Para todas as perguntas.

Este blog foi criado há quatro anos atrás para primeiramente retratar as crises, os problemas, as felicidades e a vida de um jovem adulto de vinte e cinco anos de idade. Pois é. Hoje já não tenho mais vinte e cinco... tenho trinta. E como este intervalo de alguns anos muda a cabeça da gente. Já não me considero mais um jovem adulto, mas sim um adulto real, e que sendo sincero, tem dificuldades para lidar com as responsabilidades que a vida impõe neste momento. Clichê demais.

Mas e quem não as tem...? E mais: Quem nos proibiu de sofrer com estas dificuldades...?

“Bem vindo a vida adulta”. – me disse alguém que, ao escutar minhas reclamações e sofrimentos, soube resumir apenas nesta frase tudo o que havia para se dizer em um determinado momento de um passado recente.

Não há escapatória. Nós não temos para onde fugir. Tudo bem que de vez em quando dá vontade de correr e se jogar no colo da mãe... (mas e quem disse também que nós não podemos sentir esta vontade?). O que devemos perceber é que há muito não somos mais crianças, não somos mais adolescentes e, infelizmente aos poucos e gradualmente, estamos deixando de ser jovens...

A vida adulta é esta que está ai. É esta que pinta na nossa frente com cara de Shrek, mas que se formos analisar e enfrentar, é apenas um monstro dócil e gentil, que nos devolve apenas aquilo que oferecemos, e principalmente, queremos.

Por isto, peço: Cuidado com o querer, com o que se quer, principalmente para si. Procure saber o real, o que está por trás de tudo. Procure conhecer. Procure SE conhecer. Muitas vezes as razões (verdadeiras) do que nos acontece estão tão escondidas que sem um necessário aprofundamento no local mais temido que existe (nossa própria cabeça...), nós nunca vamos desencravá-las. E se não abrir para operar, não vai ter como melhorar só com remedinho. Acredite.

E tenham certeza:

Aquele papinho de que temos poder nas mãos sobre tudo o que vivemos ou queremos viver... é a mais pura verdade. Digo mais: é tudo nossa culpa. Tudo o que vivemos é nossa culpa. Tudo o que sofremos é de nossa única e exclusiva culpa. Paremos de nos vitimizar.

Dói, eu sei.

Mas quanto mais cedo tomarmos consciência disto, melhor...

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Um pequeno Olá...

Faz tempo meus queridos…!!!
Mas sinto dizer que não vai ser agora-agora que vocês me verão de volta por aqui...
O tempo se mostrou extremamente corrido nos últimos seis meses. Extremamente corrido e extremamente gratificante. A vida, que antes me era um pouco mais complicada do que eu gostaria, agora é... muito mais! Com uma pequena diferença: estou vivendo esta vida como um garoto que recém aprendeu a dirigir... sorrisão no rosto a cada voltinha na quadra.
Lições brotam do chão com uma rapidez tamanha que fica até difícil acompanhar. Aliás, não brotam do chão, chovem dos céus. Verdadeiras bênçãos têm me acontecido, e eu só tenho a agradecer.
Se estou ganhando com tudo isto? Digamos que nunca ganhei tanto na vida, e isto responde tudo.
Estou ganhando confiança, ganhando valorização, ganhando dinheiro, ganhando aprendizado e muita alegria. Ganhando experiência, ganhando direito a me achar, ganhando amizades e ganhando tanto, mas tanto amor, que mesmo continuando solteiro, me sinto acarinhado de uma maneira que até então não conhecia.
Duas pessoas apareceram em minha vida para multiplicar. Tudo delas vale a pena: os abraços, os beijos, as xingadas e puxadas de orelha por conta do olho grande que nunca deixará de ser masculino, os cuidados, as lágrimas, os beiços ciumentos, o colo recebido e dado, os elogios pelo perfume e as críticas pela barba mal feita, as preocupações mútuas e múltiplas, as diferenças e as tragédias indesejadas e comuns... tudo conta, tudo soma, tudo me faz feliz. Por um presente do destino ambas foram colocadas em meu caminho, e faço figas para que elas nunca saiam.
Hoje vivo pleno. Inclusive com meu tempo plenamente cheio. Não tenho mais tempo para atividades antes prezerozissimas, como escrever e malhar, mas se até câncer evolui (péssima esta, eu sei. Perdoem-me, pois estou enferrujado na prática das palavras), quem seria eu se não buscasse evoluir até os meus desconhecidos limites...

Enfim meus caros: hoje passei por aqui para dar um carinhoso alô, desejar as melhores felicidades, e pedir para que não desistam do Saudades...

... pois um belo dia seu dono sentirá saudades e voltará...

... em breve.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Carência afetiva no sentido contrário...

Este texto inicia uma série de vários que escrevi há tempos atrás, durante minhas merecidas férias na tão querida Meia-Praia. O que esperava destes dias Deus atendeu em dobro: muito sol, muito mar calmo, muita cerveja, muitas amizades (com prazo de validade) feitas e... a tão aguardada liberdade da internet.
No connections.
O que mais faço durante estes dias é pensar na vida. Não que isto seja uma atividade salutar (ou insalubre), é apenas uma atividade necessária, seja para colocar as idéias no lugar, seja para realocá-las em locais diferentes. A minha cabeça neste período vira um furacão, confesso, mas nada que atrapalhe o bom andamento do meu descanso.
Além de barrigudo, barbudo e queimado, volto da praia renovado, não no sentido de rejuvenescido, mas sim no de modificado. Dentro desta ventania toda, acabo por retirar ou modificar alguns conceitos que antes me eram sólidos... e isto é natural, não se assustem: quem muito pensa, tem que evoluir, se não evoluir, enlouquece.
Neste verão, a principal modificação estabelecida se refere ao meu tão reclamado déficit na carência afetiva, por mais força que faça para não admitir que sofro deste mal.
(Anexo necessário: machos de plantão, perdoem-me... mas acredito piamente que assim como eu, todos os homens são carentes sim, e mais: todos nós temos o direito de admitir esta carência... por mais que achemos uma puta bixisse exercê-lo).
Durante a minha longa vida amorosa, sempre julguei ser um homem carente, sempre busquei a quase todos os momentos cambiar muito carinho e atenção. Dentro destas trocas, sempre me senti em prejuízo, principalmente por dar muito mais carinho do que receber.
Por tempos busquei uma mulher que fosse competente em tais negociações... que fosse apta a tornar as mesmas mais justas... até me dar conta nos últimos dias que na verdade, tudo estava errado.
Era tudo ao contrário.
Hoje em dia, há tempos solteiro, adeqüei-me a pensar como tal. O que antes, atrapalhado por fatores que só um relacionamento proporciona, eu não conseguia enxergar, hoje enxergo bem tranqüilo.
É de minha natureza ser extremamente carinhoso sim, portanto, natural também que eu sinta falta de carinho... mas na verdade, o que sinto falta não é de recebê-lo, mas sim de dá-lo...
Por isto o título maluco deste texto.
Nunca havia percebido que, muito mais prazeroso para mim é deitar uma mulher em meu peito, torná-lo o mais aconchegante possível apoiando-a bem perto do meu pescoço, vê-la dormir, do que da mesma forma aconchegar-me no seio de alguém.
Mas ai aparece o diagnóstico de um novo problema: passei minha vida achando que era cada vez mais difícil encontrar uma mulher que soubesse retribuir carinho, quando na verdade, a dificuldade maior está na tentativa de encontrar alguma delas que esteja apta a recebê-lo...
Momento reflexivo: com toda certeza nos últimos tempos, vivenciaste alguma mulher que tenha como par um homem carinhoso/romântico, reclamar deste fato chamando-o de chato ou grudento. Podes não ter dado a devida importância no momento em que escutaste, mas acredite, isto é muito preocupante, principalmente para nós, os carinhosos.
Pulando as explicações, vamos direto ao resultado: ou apostamos neste tipo de relacionamento e sofremos... ou simplesmente nos afastamos ao mero indício desta inaptidão.

Na adolescência, quando nos relacionávamos com alguma menina que não valorizava carinhos e afetos, eu e meus amigos costumávamos perguntar o que fazer para um grande senhor, pai de um amigo nosso que infelizmente faleceu há alguns anos. Ele respondia em apenas algumas palavras, com a simplicidade que todos nós deveríamos ter nestes momentos:

- “Chamem a próxima...”

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Muda de Merda...

Faz tempo.
Faz tempo que não escrevo. Tempo que não penso. Tempo que não tenho inspiração. Tempo que não tenho tempo.
Sinto falta de certas coisas que tinha por hábito, ou talvez apenas achasse que tinha.
Escrever é algo que me satisfaz, me relaxa, me faz encontrar caminhos pras idéias que sem esta prática, perdem-se por ai, no ar. Ou por vezes até, ficam guardadas de maneira completamente errada.
Passo por um período de transição. Mas qual período não é de transição. As coisas passam a me fazer crer que nunca vão se sedimentar a ponto de serem definitivas e extremamente regentes. Talvez nem devam ser.
A vida segue o seu caminho, o tempo passa, o satisfatório vira insatisfação e o que queremos não achamos em quem queríamos achar.
Os hábitos. Estamos habituados a sermos solteiros, a sermos sozinhos, mas nunca a sermos solitários. E este hábito que não se habitua, acaba por fazer aparecer um outro hábito inerente a minha idade: o cansaço.
Estamos sempre cansados, cansados de tudo. Efeitos do final de um ano que no balanço geral, deu certo em poucas coisas.
Não há mal que não se acabe, mas o que verdadeiramente espero não é um fim, mas sim um início. Um início para aquilo que dá todas as pintas de que não vai iniciar. Um início que talvez não seja bom que venha, mas tal qual um adolescente curioso, teimo em tentar o que sei que vai dar errado.
As experiências, dizem por ai, nunca se acabam. Mas sinceramente, é um puta saco ficar experimentando. A vida experimentada é atrativa até onde as experiências te dizem algo ou te dão sentido, depois de certo nível de experimentação, já não se quer mais experimentar ou ser experimentado, se quer apenas que o verbo experimentar vá para o inferno, levando junto todas as suas conjugações possíveis.
Este texto tinha a intenção de ser leve, de ser feliz, mas infelizmente para ele, o seu autor, que hoje está em uma muda de merda, concorda com o Wander Wildner quando este diz: “eu não consigo ser alegre o tempo inteiro”...
Nem eu Wander, nem eu.

A cada passo, a cada carro, a cada intervalo comercial e a cada outdoor. Aquilo que me faz falta grita de maneira tão dolorida que até a felicidade dos outros passa a me atingir.
A esperança nunca acaba. Dizem por ai novamente.
Mas é justamente a falta de perspectiva que torna os mais sadios em verdadeiros moribundos.

Vou esperar as férias chegarem. Fazer aquilo que sempre faço, esperando claro que a vida me destine aquilo que me é merecido ano que vem.
Porque desta vez, a coisa mudou neste sentido. Antes eu achava que não merecia, agora além de achar que mereço...

... quero de uma vez aquilo que é pra ser meu. Pra ontem. Independente da fonte.



Aviso aos navegantes: estou de volta, com tudo e como nunca. Vim tomar posse no que é meu.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Do esterco saem ensinamentos...

Estes tempos, durante um curto final de semana onde fui visitar os parentes em Guaporé, passei de carro enfrente ao terreno onde era a casa da minha avó materna Olga.
Ela era uma autêntica italianinha (1,50 metro) prendada que costumava assumir todas as tarefas do lar, o que naquela época, demandava no mínimo 15 ou 16 horas por dia, incluso aos domingos. Era a lenha que precisava ser cortada, o fogão queimando o dia todo para cozinhar, esquentar a água para o banho, a brasa para o ferro de passar e também para aquecer os quartos no inverno, o galinheiro que precisava ser limpo, os ovos recolhidos, as galinhas tratadas (por vezes mortas para o jantar), o milharal que necessitava de atenção, a limpeza da casa, das roupas, dos animais... entre tantas outras atividades compulsórias da vida no interior de antigamente.
Casada com um descendente de negros, o que naquela época (1936) era algo quase impossível de acontecer, pode-se dizer que foi pioneira em se libertar das amarras impostas pela família e pela sociedade em uma cidade predominantemente preconceituosa para ser feliz. Foram 81 anos de vida, cinco filhos criados, sendo minha mãe a caçula e única mulher.
A casa era uma autêntica casa de italianos que ainda existe aos borbotões por ai no interior do Estado. No primeiro andar, o porão com piso de chão batido, portas de madeira trancadas com tábuas atravessadas (algumas com ferraduras penduradas) e paredes de alvenaria feitas com tijolos pequenos e reboco simples. No segundo piso, uma casa de madeira amarela com poucos cômodos, um banheiro simples com piso de concreto cru pintado de vermelho, a cozinha grande e a sala cheia de estatuetas de santos, um relógio cuco barulhento e duas poltronas, ocupadas respectivamente pela Vó e pelo Vô Negri. Nos fundos havia um galinheiro, uma grande horta, e alguns pés de cana que me lembro de mastigar nos verões.
Em verdade a casa já não existe mais desde a sua infeliz passagem, há 15 anos atrás. Em nada, tirando algumas arvores frutíferas plantadas pelo meu avô que ainda estão lá, o local se assemelha ao que era na minha infância. Há tempos aquela casa deu lugar a um pequeno conjunto habitacional.
Dentro do porão, além de uma infinidade de coisas úteis e inúteis guardadas, existia um balanço feito com cordas rústicas e uma tábua de madeira azul, que ficava ao lado da porta da frente. Certa vez, quando eu tinha apenas uns 5 ou 6 anos de idade, me recordo de estar sentado me balançando, e ver um cavalo passar e defecar bem de fronte a porta. Aquilo me deu um nojo absurdo, como daria em qualquer um, por conta do cheiro e do aspecto terrível que aquele esterco tinha. Sempre fui um garoto de cidade de certo modo, e definitivamente não estava acostumado a ver animais defecando na porta da casa onde eu estava.
Não consegui voltar para o balanço enquanto não vi minha Vó atravessando o porão com uma pá na mão.
Com destreza, ela juntou tudo o que havia no chão e sorrindo, já no caminho de volta por dentro do porão e em direção à horta, me falou:

- “Isto eu vou aproveitar”.

Aquilo para mim foi perturbador. O que minha Vó poderia querer com aquele monte fedorento de estrume de cavalo? Onde ela ia colocar aquilo?
Em resposta à provável cara de nojo que fiz, sentado no balanço, ela prontamente me explicou:

- “Este é o melhor adubo que existe! Os pé de radicci vão crescer mais forte!”.

Minha Vó foi para um lugar melhor antes que eu pudesse conhecê-la realmente. Apenas durante a minha infância tive convívio com ela e com meu Vô, um dos aspectos ruins de ser caçula filho de dois caçulas. Mas naquele momento, mesmo sem querer, ela eternizou-se nos meus pensamentos com um ensinamento que talvez nunca imaginasse ensinar para alguém.

De tudo nesta vida podemos aproveitar algo. De qualquer coisa se tira uma boa utilidade, inclusive do esterco que fede. Aquele pequeno monte de estrume ajudou para que algo no futuro fosse parar na mesa da família, incluso talvez no meu prato durante mais alguma visita.

É nojento pensar nisto? É sim, talvez tanto quanto pensar que o que nos causa problemas e sofrimentos hoje, pode ser no futuro, algo que nos ajude a crescer/fortificar.

Feito adubo...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A atendente da oficina

Encontrei o Marcelo na rua estes dias e, como sempre, as risadas eram tão altas que chegavam a assustar quem passava.
O guri tornou-se um pequeno empresário bem sucedido. Abriu um negócio próprio nos últimos anos e, com a seriedade e o trabalho que só um cara como ele pode ter, a coisa está prosperando muito (mentira, o negócio está prosperando porque o cara arranjou uma mulher que colocou não só o empreendimento no lugar, mas como ele no lugar também...).
Pra variar, o que sobrou neste papo foram histórias engraçadas. O cara é o parceiro perfeito para se garantir momentos de bom-humor, e simplesmente não é possível encontrá-lo sem dar no mínimo uma meia dúzia de gargalhadas a plenos pulmões.
O Marcelo é um cara que nunca entendeu patavina de mecânica. O vivente não sabe nem trocar pneu direito (disse-me que aconteceu estes dias de furar um na estrada, e que quem trocou foi a “patroa”, enquanto ele fumava um cigarro... não tem nem vergonha o desgraçado). A história que me contou para admitir esta ignorância foi uma das épocas de solteiro.
Ele era dono de um Palio novinho na época, e infelizmente, logo depois que comprou o carro, envolveu-se em um acidente. Uma camionete o fechou em uma curva na estrada do mar, e os danos, “graças à Santa Madre Paulina” (o cara é devoto) foram apenas materiais. Diz ele que a frente do coitado do Palio se acabou, e que tiveram que colocar outra toda nova.
O seguro da camionete, causadora do acidente, pagou por todos os inconvenientes causados por seu motorista. Podendo escolher o local do concerto, Marcelo escolheu uma mecânica-chapeadora muito conhecida e que fica bem pertinho da sua casa. Chegando lá, viu uma enorme oficina que só trabalha com sinistros assegurados, e deu de cara com uma atendente que, muito simpática, veio atendê-lo:

- “O Senhor fará o serviço através de alguma seguradora?” – Perguntou.
- “Sim, farei.” – Respondeu, olhando para as belas pernas nuas torneadas pelo salto alto e pela mini-saia que a tal atendente vestia.

Palavras dele para descrever o que tinha visto:
- “Rafael, pensa em gostosa... agora pega esta gostosa que tu pensaste e multiplicas a gostosura por três. A mina não era boa velho, ela simplesmente tinha a bunda mais gostosa que eu já vi! E os peitos então! Nunca vi coisa tão boa!”
A atendente pediu o número de telefone dele, e deu da oficina, para que qualquer informação sobre o concerto fosse repassada ou perguntada na hora.
De acordo com o que me relatou, o que ele não sabia era que ela, que estava ali toda limpinha, na verdade era uma das que mais entendia de motores e carros ali dentro. A mulher era engenheira mecânica, e além disto vivia dentro daquela oficina desde criança, se sujando de graxa e brincando entre eleva-cars e ferramentas.
Três semanas depois, quando o Paliozinho ficou pronto, ele, todo empolgadão, foi de banho tomado e barba feita buscar o carro. Encontrou-a melhor do que nunca: calça branca da Brasil-Sul com bota bico-fino-salto-agulha preta até os joelhos...
Logo já foi perguntando sobre o serviço, até para que algum assunto fosse puxado:

- “Como ficou meu carro... você sabe?”
- “O serviço ficou ótimo Senhor. O Senhor vai gostar”. – Respondeu ela.

Ansioso para que aquele papo continuasse, perguntou ele, tentando impressiona-la com seus conhecimentos (inexistentes) de mecânica:

- “Afetou o carburador? E o estepe ali do motor? Deslocou de lugar”?

Fazendo cara de deboche, ela respondeu:
- “Meu Senhor, o seu carro é um Palio 2006 quase zero quilometro. O carburador foi substituído pela injeção eletrônica nos automóveis nacionais desde a o final da década de 80. Já o estepe... bom, o estepe fica na parte traseira do automóvel, debaixo do assoalho do porta-malas... já que o seu sinistro foi na parte frontal do carro, qualquer um que sabe ligá-lo poderia entender que o mesmo não foi atingido...”.
- “Ah tá. Só pra perguntar...”.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Irritando Rafael Fernando...

Para mim televisão é entretenimento, é diversão. Mas esta diversão por si pode ser inteligente às vezes. Adoro um programa que assisto no GNT todas as segundas no início da madrugada, intitulado Irritando Fernanda Young.
Confesso que a figura da apresentadora me atrai. Sexualmente falando mesmo. Se fosse analisar o porquê, acho que a imagem de mulher bonita a seu modo e segura de si é super sensual apesar de me assustar um pouco. Mas este não é o ponto que quero focar.
Quero falar da inveja que sinto. A coluna cervical do programa é bem simples: a apresentadora entrevista um convidado, e ambos discutem sobre o que mais irrita tanto a um, quanto a outro. Fala-se sobre tudo, desde hábitos de higiene até situações profissionais ou do cotidiano. É de uma criatividade muito simples e que eu sinceramente gostaria que fosse minha. O assunto é curioso, comum e divertido, e tem como efeito o que eu chamo de “é mesmo”, ou seja, consegue explicitar o que todo mundo sabe ou sente, mas não percebe.
Sirvo como exemplo neste caso. Todas as edições me pego pensando sobre o quanto os aspectos que eles abordam me irritam.
Como diz o ditado, “nada se perde, nada se cria, tudo se copia”. Já que com toda certeza nunca serei entrevistado no programa dela, e que com mais certeza ainda, também nunca terei um programa só meu, utilizo-me do meu paupérrimo blog para reproduzir de maneira direta uma pequena lista de algumas coisas que me tiram do sério. Se concordares comigo, ou tiveres algo a acrescentar de maneira particular, comente mais tarde.

O que me irrita:

- Tele marketing;
- Gente assoando o nariz perto de mim;
- Cheiro de asa;
- Conversas paralelas durante a aula;
- Homem que cozinha;
- Mania de limpeza;
- Atrolho, fila, mau atendimento e falta de segurança em balada;
- Bahia;
- Emo;
- Gillete nova;
- Velha que quer ser jovem e fala alto para chamar a atenção;
- Preconceito;
- A rivalidade “saudável” da dupla Grenal;
- Falar a mesma coisa três ou mais vezes e a pessoa insistentemente responder “hein!?”;
- Politicagem radical;
- “Homem é tudo igual”;
- Papo de malandrão: “Porque eu faço porque eu pego porque eu bebo porque eu brigo porque eu como porque eu acelero porque eu bato porque eu me chapo...”;
- “Bem cuidado aí tio”;
- Mulher com bafo e pelo no sovaco;
- Calor;
- Silicone exagerado;
- Pé feio;
- Cabelo de crente (nada contra ser crente, apenas contra o cabelo);
- Fofoca de historinha inventada;
- Tigrona de bailão;
- “Caiu na rede é peixe”;
- Surdina de CG e RD;
- Vizinho do andar de cima;
- Dono de camionete importada;
- Me acordarem gritando;
- Gente violenta;
- Barraco de velha com velha no meio da rua;
- Corneta de sorveteiro;
- Cheiro de peido no elevador;
- Chimarrão entupido;
- Mastigação de boca aberta;
- Torcedor fanático e que só critica;
- Policial que acha que pode te tirar pra guri e te mijar;
- Não cagar nem desocupar a moita;
- Gente que demora muito no banheiro;
- Desperdício exagerado;
- Falador metido a engraçado onde não tem que ser;
- Mulher que quer mandar em homem e vice-versa;
- Casa cor de rosa;
- Guria com bota do Frankstein;
- Quem fica pedindo chance sem ter feito nada errado;
- Espinha no nariz;
- Verruga peluda;
- Quem começa a falar algo e não termina, despertando curiosidade;
- Quem meche nos espetos de carne enquanto eu asso; E por fim:

- O quanto eu mesmo me acho chato. Hehehehe...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

O instinto canino...

Já comentei por aqui que quem tem a capacidade para fazer a razão prevalecer sobre o instinto é, em teoria, mais feliz porque sabe se defender e sofrer menos. Hoje comprovo que por vezes, o instinto deve prevalecer sobre a razão...

- “Cuida os cachorros que eles podem te morder...” – Alertou-me um amigo que, junto de mim, esperava dentro do carro para que o dono da casa os trancasse em sua garagem.
Os cachorros latiam de maneira raivosa, mostravam os dentes, rosnavam, corriam de um lado para outro do pátio. De toda e qualquer maneira tentavam nos afugentar e defender o seu território, nos entendendo como invasores.
Desci do carro com um pouco de cuidado por conta do aviso, apesar de adorar cachorros.
Momentos após, já na lida de carvão-fogo-cerveja-carne, em uma porta entreaberta ao meu lado, um dos cachorros enfiou-se pela fresta com olhar tímido e terno, como se quisesse saber se realmente eu era uma ameaça aos seus domínios. Coloquei em prática o que aprendi com pessoas que entendem de comportamento canino, e mostrei minha mão limpa na altura de seu focinho, para que o mesmo pudesse farejá-la e de sua maneira instintiva, perceber que nela não havia nada que pudesse atacá-lo. A partir daquele momento, o tal cachorro que na verdade era uma cadela, me deu sua total confiança e a cada chamado meu, vinha me fazer companhia acatando meus carinhos. No final da noite dava pra ver a felicidade estampada nos seus olhos quase brancos.
Esta era a Mel, uma cadela de rua que fora adotada pelo dono da casa, e como tal, tinha em sua personalidade traços de timidez e desconfiança muito fortes. O meu ato de mostrá-la que não estava ali para lhe ameaçar foi determinante para que o nosso relacionamento, naquele momento, fosse pacífico o suficiente para garantir segurança, carinho e respeito mútuo no próximo encontro.
Sempre me disseram que cão que ladra, não morde. Nunca havia acreditado nisto, até porque se compararmos com alguns comportamentos humanos...
Existem certas mulheres que, calejadas talvez por motivos que só o passado explica, tal qual um cão, demonstram prévia agressividade para afugentar quem por ventura possa se interessar por elas, mesmo sem conhecer a pessoa ainda. Atacam o que não tem que atacar, falam o que não precisam falar, brincam com o que não devem brincar e tentam nos humilhar de maneira velada, para que nós, possíveis pretendentes, desistamos da tentativa. Se formos persistentes e resolvermos enfrentar, levando o relacionamento adiante, as suas pretensões mais rasas são desde logo, deixar claro que todo e qualquer desvio de conduta futuro será pago com mordidas nos calcanhares.
Mas o que há de tão frágil dentro destes muros e destas cercas de arame farpado para justificar tal atitude?
Arrisco-me a dizer que é a garantia de que assim nós homens, que “somos todos iguais” (que raiva que me dá desta sentença) não lhes causemos nenhum ferimento como os que em outras épocas, foram causados por indivíduos de nosso mesmo gênero e espécie.
Ladram previamente para mostrar que podem machucar. Depois uivam por conta da solidão.

Embretados, nós temos três alternativas:
- Acreditamos que aqueles caninos grandes daquela que rosna alto realmente podem nos morder a jugular, e nos afastamos;
- Tentamos dar a cara à tapa, e insistimos iniciando um relacionamento já fadado ao fim com alguém que exigirá dar aprovação para cada respiração nossa, ou;
- Entendemos que tal qual fiz com a Mel, sem querer comparar as mulheres com nossos amigos caninos, é necessário tentar mostrar que não temos armas em punho, para que talvez ela, se abaixar as barreiras, possa dar-nos o voto de confiança necessário e nos proporcionar um relacionamento pacífico.

Sinceramente, ter de ficar provando idoneidade e caráter cansa. Mas ou se faz isto, ou se desiste de quem se quer logo no primeiro contato. É difícil ter de se arriscar a tomar mordida mesmo não oferecendo ameaça alguma (a ameaça está dentro da cabeça do ameaçado). De uma coisa eu tenho certeza: não quero mais me relacionar com pessoas que deixam previamente claro que terei de travar uma guerra fria com elas no futuro. Por mais que se insista, sinceramente, não há como ter condições de se levar adiante um relacionamento assim. Nestas horas concordo com vários que me escrevem, reclamando que querem alguém que não se precise comprar focinheira, alguém que não seja agressivo por conta do passado que em nada tem a ver com o atual relacionamento.
Hoje em dia, quando recordo dos problemas que tive com pessoas assim, sinto um misto de raiva daquelas “mulheres pit-bulls”, e constato que infelizmente não consegui, nem por alguns minutos, amá-las.

Simplesmente é impossível entregar sentimentos para alguém que só te mostra os dentes e que a cada segundo, oferece o perigo de te morder a batata da perna. Ninguém ama 100% nestas condições, e convenhamos, todos sabem o quanto é bom amar incondicionalmente alguém além de nós mesmos...

A Mel não vai latir pra mim da próxima vez. Isto porque ela, no seu instinto, deu o braço a torcer e me deixou provar que eu nunca vou feri-la.

Arriscou e ganhou meu carinho e respeito incondicional. Tudo aquilo que quero entregar sem receio algum em um relacionamento com alguma humana...

domingo, 13 de setembro de 2009

Novamente... proposital.

No último artigo, escrevi sobre o quanto bom é estar na fase inicial de um possível relacionamento. Hoje, de maneira planejada previamente ao concebimento daquele texto, vou propositalmente me contradizer.
Em uma análise direta, para onde voltarmos as nossas atenções perceberemos que sempre há o céu e o inferno, o bem e o mal, o açúcar e o sal, o mocinho e o vilão. No caso do assunto tratado, não há de ser diferente.
Proporcional ao estado de suspensão, o lado negro da força também é forte e vigoroso, proporcionando momentos de quase descontrole emocional por conta da insegurança que agora traduzo de maneira literal e específica: o medo de não saber os efeitos do que se faz, do que se fala, do que se sente e também do que se está representando para a outra pessoa. Sem falar no fato de que na maioria das vezes, não se sabe ao certo se a pessoa se relaciona atualmente com outras ou não, se há concorrência ativa ou não.
No texto passado citei também que todo o caminho percorrido neste período é planejado, apesar de ser ele completamente sem rumo. Contrariedade óbvia e proposital. Como seria um caminho planejado e sem rumo? Possível?
Sim, é. E a resposta é ao mesmo tempo super simples e super clichê: é aquele que todos sabem como será e o que fazer para percorrê-lo, mas quase nunca sabem onde vai dar. Podemos agradar a pessoa ou não, atrai-lá ou não, chamar a sua atenção ou não. De maneira mais direta, é o percorrer do trajeto da conquista e, o quanto este terá sucesso, que determina se o rumo ao objetivo desejado (conquistar) será tomado. Até lá as coisas correm quase sem navegação.
Contudo, o nível do quanto estamos perdidos/iludidos por vezes se mostra de maneira traiçoeira e cômica ao mesmo tempo. Muitas vezes percorremos o tal trajeto gozando de todas as felicidades das quais tratei, empolgados com a futura parceira e tendo a certeza absoluta de que além de estarmos apaixonados, despertamos uma paixão avassaladora nela também. Finalmente encontramos a nossa alma gêmea...
... até o primeiro beijo ou a primeira noite acontecer. Derrepente e como por um decreto, o encanto vai embora muito mais rápido do que chegou, e a gente fica torcendo para se der sorte, nunca mais encontrar a pessoa. Digamos que todas aquelas expectativas que tínhamos acabam por conta da completa falta de química, aspecto este que é jogado em nossa cara com a sensibilidade de um rinoceronte numa loja de cristais.
Criarmos expectativas e nos frustramos. Traçamos planos, mudamos as atitudes, abrimos mão de certas coisas e, bem no momento onde o início de toda uma nova vida de felicidades e satisfações deveria acontecer, o que acontece é apenas uma enorme decepção.

- // -

O balanço final do que vale a pena ser/fazer quanto as tuas futuras conquistas amorosas fica a teu cargo, querido leitor, até porque quem é responsável pela tua felicidade és tu mesmo, e não o meu texto. Não espere que eu vá oferecer respostas as tuas inquietudes, solucionar as dúvidas que tens intimamente sobre ser ou não ser romântico na hora da conquista. Bem da verdade, temos de ser nós mesmos e pronto.
Temos por obrigação saber o que é melhor pra gente e, na boa, eu sei o que é melhor pra mim. Tanto que faço tudo aquilo que tu leste no texto passado. Se vou me dar mal ou não, se vai rolar química ou não, é um risco que tenho de correr. Sempre tentei ser o mais fiel possível ao que penso e ao que sou quando conheço uma nova menina, ou seja, gosto de ser romântico sim, e não tenho vergonha disto.
Romântico sim, burro não. Existem certas coisas que aprendemos com o tempo e com as outras conquistas amorosas do passado, mesmo que muitas vezes estas mesmas coisas nos façam contrariar o que se sente ou o que se acha certo.
Se a pessoa não se encanta por flores, mas se encanta com alguém que não lhe dá muita atenção, com o foco em alcançar o objetivo de conquistá-la, será isto o que ela terá, mesmo sem perceber que...

...novamente tudo é proposital da minha parte.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Com o freio de mão puxado... de propósito.

Tempos atrás, um amigo me apresentou uma “conhecida”. Sabendo que sou um pouco avesso a este tipo de arranjo, ele preocupou-se previamente sobre qual seria minha reação quanto ao momento que o fato acontecesse, mas resolveu arriscar.
Durante alguma balada que não lembro qual, aproximaram-se ele, a atual namorada e a menina, que nada mais era do que uma amiga do casal que havia externado interesse por mim em outras ocasiões (tenho de admitir, ela era linda... morena de sorriso fácil e pernas longas). Ele tocou em meu ombro, me apresentou a tal e ficaram esperando, ambos os três, por uma reação que talvez não fosse tão boa. Abri um super e inesperado sorriso, e a partir daquele momento, tratei-a como trataria a melhor amiga, com a maior gentileza e educação possível. Conversamos bastante, e tudo acabou por ali no final da noite, com uma saudação educada e carinhosa de final de festa, uma adicionada no MSN e só. Nem beijinho rolou, e a coitada foi embora se achando um lixo no mínimo... ou que eu era gay. Mas paciência.
O tal amigo não entendeu o que eu tinha feito. Segundo ele, momentos após a apresentação, ele primeiro achou que eu fosse virar as costas para a menina (ela também achava), em um segundo momento, vendo que tudo deu certo, pensou que eu agiria como qualquer homem age, pisando afoitamente no acelerador e não demorando muito para “alcançar a meta”, por assim dizer. Esqueceu-se de um detalhe crucial, que particularmente rege todo e qualquer tipo de relacionamento meu.

Tem certas coisas que temos de aprender a dar valor.

Não sei se é pela passagem dos anos, se pelas gerações que vão sendo superadas (percebi nos últimos tempos que a minha já não é mais a atual), se pelas práticas amorosas que entraram em desuso, se é pelos relacionamentos que assustadoramente evoluem para algo cada vez mais informal... não sei. Só sei que vejo uma escassez de algo que hoje em dia, infelizmente, é raro... e respeitando a lei da oferta e da demanda, é tão bom quanto.
Eu já havia escrito sobre isto por aqui, mas quando conheço alguém que realmente me interessa, as vontades que tenho não são as puramente instintivas, aquelas que são esperadas de todo e qualquer “macho alfa”. Juro que a primeira coisa que me vem à cabeça é conhecer melhor aquela pessoa, conversar bastante, saber do que ela é capaz, e principalmente, qual é a sua capacidade de comprometimento, não só referente a um possível relacionamento, mas sim porque acredito que o que nos faz melhores pessoas é justamente isto, a nossa capacidade de comprometimento.
Sim, eu dou valor a outras coisas, e para isto, me utilizo de certas ferramentas que, tal qual as antigas Olivetti, praticamente ninguém mais utiliza.
Costumo (e costumam) dizer que sou um homem “a moda antiga”, ou seja, aquele que, de acordo com toda a rotulagem padrão, puxa a cadeira, abre a porta, presenteia com flores, adora programas românticos... o que ninguém se dá conta é que de maneira quase única pessoas como eu passam e praticamente obrigam quem nos relaciona a passar por fases ou sentimentos que ninguém mais tem tempo ou até paciência para sentir. E o melhor de tudo: fazemos isto curtindo e de maneira totalmente... proposital.
Sou lerdo quando me interesso por alguém. Mas sou lerdo propositalmente. Vou contra a maré e, torturando talvez um pouco a garota, puxo um pouco o freio de mão para tentar curtir ao máximo esta fase inicial de suspensão e encantamento. Que me atire a primeira pedra quem acha que olhares mútuos e brilhantes junto com sorrisos patetas não são bons, e aqui vai um puxão de orelha para aqueles que mentirosamente me responderam que não: está na hora de esquecer o que houve e te permitires a ter este tipo de felicidade. O amor verdadeiro e duradouro existe sim, e é justamente em meio às tentativas que acabam com os burros na água que o encontramos.
Tudo acontece planejadamente, mas ao mesmo tempo sem rumo algum. Temos de respeitar as fases e aprender a amá-las tanto quanto a pessoa que nos envolve.

O primeiro beijo sempre demora um pouco a acontecer, até porque acredito que o que vem fácil, vai fácil. Gosto da patetice que dá após o desligar de um daqueles telefonemas infinitos e que despertam saudades logo após o primeiro minuto. Fico sim, e com todo prazer, com cara de besta quando recebo uma mensagem de texto inesperada daquela pessoa. Gosto do frio na barriga que um encontro inesperado com a pessoa alvo proporciona. Adoro a sensação de insegurança ligada a vários aspectos no momento da conquista, e principalmente...

... adoro também a certeza de que estou certo em ser assim.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O Funeral...

Admito que às vezes seja difícil iniciar um texto, principalmente se este faz parte de um processo sofrido de auto-análise, meu esporte favorito. É brabo colocar certos pensamentos na tela, e mais brabo ainda, depois de escrevê-los, sair do dilema de publicá-los ou não.
Dilema este que quase sempre, tem o mesmo fim.
O que funciona para mim na hora de escrever é não ficar me preocupando com o que é moralmente correto ou com o que penso, mas sim com o que sinto ou sentia. É o tal coração na ponta dos dedos. Consigo escrever sobre o que não conheço, mas nunca sobre o que não sinto. O tema que abordo agora segue esta mesma linha, e é um tanto complicado e dolorido. Palavras para no mínimo trinta revisões.
Decidi procurar análise pela primeira vez há alguns anos atrás, quando naquela época, motivado pelo acúmulo de dificuldades, sofrimentos e insucessos em vários campos, achei minha humildade escondida em algum lugar e admiti que precisava de ajuda.
E como as coisas melhoraram depois disto.
O início deste tipo de processo sempre é um choque, pois pela primeira vez na vida tens de encarar o fato de que os teus sentimentos, sejam de alegria ou tristeza, são de inteira responsabilidade tua, ao contrário do que se imaginava até então. Temos a tendência a culpar os outros pelas nossas feridas, e sempre esquecemos que, se aquela ferida existe, foi porque deixamos que ela fosse aberta. Neste momento temos que peitar que a nossa felicidade, finalmente, e de certo modo, infelizmente, está SÓ em nossas mãos.
E não adianta mais se esquivar.
Certos diagnósticos doem quando são feitos, principalmente aqueles que revelam as causas das nossas carências. É neste período inicial que todas são cruelmente jogadas na mesa, para que enxergues o que realmente fere, e para que possas separar o que se quer para o futuro, e o que vais descartar. Aprendes literalmente a lidar com a dor na marra, mas desta vez de maneira mais correta e controlada.
Entre as constatações que me causaram mais dificuldades para transpor, a que revelou o quão alto meu nível de carência afetiva estava foi a pior. Recordo-me até hoje o momento em que me saltou aos olhos esta constatação, através da seguinte pergunta:

- “Tu já te pegaste imaginando quem choraria em teu funeral...”? – Perguntou-me a psicoterapeuta.
- “Já...” – Respondi.

Sempre tinha me imaginado dentro do caixão, mas sem um pingo de desejo de morrer. Imaginava as pessoas ao meu redor, chorando, sofrendo, dizendo e constatando finalmente o quanto eu era uma pessoa boa, reconhecendo o quanto valia para elas e o quanto faria falta. Imaginava as possíveis homenagens, as coroas de flores, quem iria até lá falar algo amoroso sobre mim e até quem que, durante a minha vida não me dera o valor que eu gostaria e que depois de morto, me daria este valor devidamente corrigido através do choro compulsivo e de meu nome clamado. Imaginava-me celebrado e amado naquele momento. Finalmente o reconhecimento, finalmente o carinho, finalmente o verdadeiro valor demonstrado. É o velho e clássico: “tu sentirás a minha falta o dia que eu me for...”.
Confesso que me entristeci muito durante alguns dias depois desta sessão. Foi difícil lidar com o fato de que a carência regia tanta coisa assim nos meus caminhos, a ponto de imaginar o meu próprio funeral para que as pessoas pudessem finalmente me amar e me valorizar. Foi duro.
Alegrei-me um pouco quando, já em outra semana, constatei através de conversas com profissionais ligados a área que tal comportamento é natural e comum, e nem é tão ruim assim. Se não obtemos o que queremos na vida real, o caminho mais fácil é obter em sonho, mesmo que este sonho seja completamente estapafúrdio, e pasmem: levando-se em conta os efeitos a serem atingidos, tanto em um quanto em outro eles serão iguais.

Hoje em dia não me imagino mais morto. Passei desta fase. Mentirei se disser que a carência foi embora, até porque níveis variados de carência serão sempre encontrados em todos nós. Digamos então, que apenas consegui transferi-la para quem realmente interessa que cuide dela.

Como disse antes, aprendemos com a psicoterapia a sermos responsáveis perante os nossos próprios sentimentos. E já que existem e existirão períodos compulsórios na vida em que carinho, amor, reconhecimento e atenção estarão em falta...

É bom que nós mesmos cuidemos disto ao invés de esperar que os outros cuidem, por mais clichê que isto possa parecer...

domingo, 23 de agosto de 2009

Eu acredito em fantasmas...

Chega um dia na vida, em que percebemos que não estamos sós.
Não foram poucas as reuniões sociais onde estive presente em que os assuntos “espíritos” ou “fantasmas” permearam o que seria dito durante grande parte da noite. Pessoas das mais variadas religiões, credos ou até mesmo níveis de instrução, sempre relataram histórias próprias ou de quem quer que seja, onde presenciaram das mais variadas formas o que ninguém na vida deseja ver: algo ali, parado ou se movendo, lhes assombrando.
Confesso que chegava a me sentir deslocado.
Sempre respeitei tais histórias e opiniões dos meus amigos e amigas naqueles momentos, mas sempre deixei claro que, nunca nada parecido havia acontecido comigo nem com ninguém de minha família, e que, portanto e por decorrência disto, era totalmente descrente na existência das tais “assombrações”. Isto durou até este momento.
O que aconteceu hoje não foi um fato especifico, nem ao menos alguma experiência física ou sensorial em que algum ectoplasma teve participação. Foi apenas uma constatação.
Acordei hoje com a extremamente incômoda sensação de que alguém estava me visitando. Mas não eram aqueles fantasmas brancos de senhoras velhas e sofridas das historias regadas a cabernets que eu tanto ouvia. Era outra coisa. Levei um tempo para perceber que aquilo... aquilo era outro tipo de fantasma: os do passado.
Sofro neste momento de um pequeno mal, uma pequena tristeza, uma pequena sensação de que algo se pendura em meu pescoço e me puxa para baixo com um pequeno vigor, como um peso que volta e meia, resolve pesar. O tal fantasma do passado hoje resolveu retornar, como acontece de tempos em tempos.
Nunca lhes dou boas vindas, apesar de perceber que eu mesmo às vezes, faço por onde para que os mesmos apareçam de vez em quando, acreditando inconscientemente que tal conduta seja corriqueira e normal para todos nós.
Corriqueira mas errada.
Isto nunca é saudável. Nunca faz bem reviver o passado e tentar entender o que estava entre a serpente e a estrela.
Todos nós temos os nossos fantasmas do passado e sentimos a influencia deles quando menos se espera. Sentimentos ruins retornam, decepções antigas ressurgem em nossos corações e nos causam dores que ainda brilham como novas. Fotos, sorrisos, abraços e carinhos daqueles que se foram em Terra. Coisas que nos pertenciam e que não nos pertencem mais.
Portanto hoje, motivado pelo fim da minha paciência não só com a simples existência de tais fantasmas, mas sim com o incômodo que os mesmos vêm me causando periodicamente durante anos, tomo uma decisão que beneficiará não só a mim, mas também às pessoas que, pela ação da justiça de Deus e do destino, cruzarão os seus caminhos com o meu.

Livro-me de vocês esta noite, fantasmas decadentes. No passado, vocês existiram, foram reais. Hoje, além de não serem mais a expressão do que é verdadeiro, não há qualquer beneficio ou razão nas suas existências. Se por alguma travessura, vocês se negarem a ir embora como usualmente têm feito, passo então, tal qual um esquizofrênico que não se livra nunca de seus companheiros imaginários, a ignorá-los com todas as minhas forças. Chega. Não agüento mais.

Passo hoje a declarar posse de meus sentimentos. Sei que tenho condições de direcioná-los em alguma direção. Como para um possível futuro feliz, por exemplo...

... agora, controlá-los é outra história.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A super sinceridade...

Faz tempo que não escrevo bobagens. E tenho saudades disto.

Durante os últimos meses, algumas amigas próximas me fizeram perguntas estranhíssimas sobre o universo masculino, cujas respostas bizarras forneci de maneira pessoal e intima. A única coisa que elas me rogavam era por uma “super sinceridade”. Hoje resolvi ir em busca de tais respostas, e percebi que em trechos contidos em praticamente todas elas, ou as suas destinatárias morreram de rir ou me desejaram uma morte lerda e dolorosa. Importante ressaltar que todas são de minha autoria.
Passo a relatar estes trechos aqui, sem as respectivas perguntas e de maneira solta:

- Sim, o nosso pinto realmente diminui quando está muito frio ou quando tomamos banho em água gelada. Mas não te preocupa porque é momentâneo e ele logo volta ao normal.
- Não. Homem não peida mais alto do que as mulheres, peida igual. A diferença está no fato de que os homens peidam alto pra poderem rir, e as mulheres peidam baixinho só pra não precisar admitir que peidam.
- Sim, o homem realmente sente coceira entre as pernas. Eu sei que é difícil de entender, mas tente imaginar um saco de bolitas peludo roçando com a pele das suas coxas o dia inteiro. Agora pense na irritação que isto causa.
- Não, nem todos os homens mentem. Mas existem aqueles que admitem. E eu admito que esteja mentindo agora.
- Se tu traíste teu namorado e mesmo assim ele correu atrás de ti querendo continuar o namoro, é porque ele gosta de ser traído. Aliás, quando é que nós vamos sair...?
- Sim. É possível ter uma ereção parado na sinaleira.
- De jeito nenhum! Homem nenhum gosta do tal dedinho. Os que dizem que gostam ou não são homens de verdade, ou gostam de pensar que algo já fez o caminho inverso naquela via de mão única.
- Mulher peluda ou depilada...? É a mesma coisa que perguntar se o cara prefere “lixa ou lenço de seda...”?
- Cerveja atrapalha sim no desempenho masculino. Mas só quando a mulher bebe demais e passa mal.
- Isso é coisa da cabeça de vocês. Ou tu achas realmente que o cara vai ao menos notar se tu tens mais ou menos celulite? O que ele quer ver é a tua bunda pelada pulando na frente dele e só.
- Querer sair de um relacionamento mais longo pro homem é que nem perder cabelo, podes ter certeza de que vai começar a acontecer pra ele uma hora.
- Sim, os homens também querem casar. Mas só quando chega o momento que ele sabe que é melhor almoçar em casa do que passar fome na rua.
- Jogar futebol com os amigos ou ficar com a mulher emburrada de TPM em casa? ... que resposta tu queres que eu te dê?
- Sinceramente, acho que o homem que diz que é normal trair não é para dizer que trai, mas sim pra justificar todas as guampas que está levando.
- Não tem do que reclamar! Mulher que tem bafo, pêlo grande preto embaixo do braço e chulé, ainda tem cara de chorar dizendo que não arranja homem que presta! Vê se vai num salão e dá um jeito!
- Se eu sou homem que gosta de comer ex-namorada? Tem certeza...? Só se for a dos outros porque as minhas eu quero mais é que se mudem pro inferno...
- Claro que nós também rogamos praga pra vocês. Ou vocês acham que as tetas caem e vocês viram umas baleias com o tempo por pura ação da natureza...?
- Barba é uma merda. Na verdade a gente só faz porque algumas de vocês reclamam que pinica. Só não me pergunta onde.
- Não, não é toda hora. Se fosse, nós não conseguiríamos mijar nunca e também o viagra não teria serventia.
- Óbvio que homem também fofoca. Aliás, homem só fala de três coisas entre si: mulher, futebol e carro. Depois disso o máximo que aparece é cerveja, churrasco e escatologias.
- O homem prefere sempre ter filhos homens pra nunca precisar virar fornecedor. Em teoria pelo menos.
- Porque ele precisa comprar maquina de lavar louça, lava-roupa e secadora? Pra pelo menos poder dizer que fez alguma coisa pela limpeza da casa. E também pra que tu pares de encher os ouvidos dele de osso.

E a última que achei:

- Podes ter certeza, se ele abre a porta e te deixa entrar primeiro não é por cavalheirismo, é pra poder olhar pra tua bunda enquanto tu passas felizinha achando que ele é um homem gentil...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

As paredes da Tia Inês...

Quando eu era criança morava, aqui em frente ao escritório, uma pasteleira que chamavamos carinhosamente de “Tia Inês”. Era uma senhora grande, de fala arrastada, avental branco, saia bege cumprida e olhar cabisbaixo, que tinha o dom de fazer a melhor massa de pastel que eu já provei.
Recordo-me que ela atendia em um Trailer que estava instalado na parte da frente da sua casa, tal qual eram a maioria das lanchonetes ou vendedores de cachorro quente daquela época (foi muito antes do começo das importações da Towner). Esse trailer era circundado por paredes de alvenaria de todos os lados, de tal modo que mesmo que quisessem roubá-lo, ninguém conseguiria. Ele literalmente funcionava dentro de um quarto com uma porta e duas janelas.
Aquelas paredes me deixavam preocupado. Eu sempre pensava que aquele trailer que tinha sido criado para ser uma casa móvel, nunca mais poderia se mover. Imaginações de criança.
A minha ignorância infantil me fazia pensar que tais paredes eram simplesmente indestrutíveis. Eu via um muro e logo tinha a certeza de que ele nunca poderia ser destruído ou derrubado, ou seja, que para toda a eternidade ele estaria ali, fadado a existir igualzinho quando fizeram. Tijolos empilhados ligados por cimento para mim eram indestrutíveis, iguais a pedras milenares. Isso foi antes de ver um pedreiro destruindo uma casa do meu bairro a chutes e marretaços, e também de assistir a uma implosão transmitida ao vivo pela televisão.
Um dia a Tia Inês fechou a pastelaria. As paredes foram derrubadas e o trailer foi retirado, talvez vendido para alguém que restaurasse as suas funções originais, não sei, só sei que ele se movendo e indo embora rebocado por uma Veraneio Bege é uma das minhas lembranças mais remotas de infância.
Muitas vezes criamos imagens que podem facilmente sofrer mutações, basta uma simples confirmação do contrário, como foi ver o pedreiro fazendo voar pedaços de alvenaria com uma simples marreta. As tais paredes brancas do Trailer-Pastelaria me significavam algo intransponível e definitivo, tal qual certas coisas que hoje, moldam a minha vida adulta como ela é. Verdadeiramente única.
Vejo pessoas ao meu redor levantando barreiras sem nem saber qual a causa, serventia ou ao menos a razão de misturar a massa e colocar cuidadosamente tijolo por tijolo, um em cima do outro. Vejo-as se enganando dizendo que tal parede vai servir para que o sofrimento que aquele ventinho frio que corre por ali nunca mais aconteça. Mentira. A verdadeira utilidade da parede é não precisar mais enxergar ou lidar com os sentimentos que moram ao lado e que há tanto as assombram.

A Tia Inês foi embora não porque a pastelaria não dava lucro. Foi embora porque não soube lidar com seus problemas e sofrimentos particulares, do mesmo modo que a maioria das pessoas que, se esforçando pra carregar um peso grande de traumas e emoções (nem sempre verdadeiras) do passado, faria. É muito mais confortável dizer que não quer mais do que admitir que quer e ter que resolver o que nunca foi resolvido.

A barreira serve como desculpa. Serve para esconder que atrás daquela parede, existem razões principais para as dores, e que em nada se relacionam com o frequentemente apontado pedreiro incompetente que teima em dizer que aquela parede não é o problema...

No final de tudo, ele tem razão. É preciso parar de se esconder atrás de exigências que ao mesmo tempo não nos foram exigidas e enfrentar de frente aquela dor vizinha que sempre esteve ali, mas nem ao menos foi notada...

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Bom ou mal...?

Assistindo às reportagens da programação vespertina obtive a idéia para este texto. Geralmente neste horário a maioria dos canais exibe programas policiais onde histórias humanas reais (ou nem tanto) são exploradas a esmo. Dentro delas estavam duas que me fizeram pensar na seguinte pergunta: O que define a qualidade de um ser humano? Ou melhor: o que define o quanto uma pessoa é boa ou má?
A primeira reportagem mostrava um benfeitor. Ressaltava as suas qualidades, os trabalhos voluntários em que já havia salvado várias vidas, as campanhas beneficentes, a doação de toda sua fortuna para as causas sociais, a generosidade extremada e os bons serviços prestados a comunidade carente da pequena cidade em que morava... até todos na mesma cidade descobrirem que ele agia com extrema violência com seus avós idosos, agredindo-os com socos e pontapés diariamente. Seria ele bom ou mal...?
Logo após, em outro canal, assisti ao caso de um motorista de caminhão que, cansado da jornada de quatro dias e mais de 16 horas ininterruptas de estrada, dormiu na direção e causou um acidente onde 3 pessoas da mesma família morreram tragicamente. Na investigação do sinistro, descobriu-se que aquele motorista sustentava com seu serviço três filhos biológicos e mais sete adotados (todos requerendo cuidados especiais ou com alguma doença grave), e que aquele frete apressado era necessário para o pagamento da cirurgia cardíaca de uma de suas filhas adotadas, uma menina de 5 meses de idade que tinha Síndrome de Down. E este, seria bom ou mal...?

É de costume natural do ser humano condenar ou absolver. Mas também é costumeiro que entre indivíduos hajam divergências de julgamento.
Porque por exemplo, irmãos que nascem numa mesma casa, que recebem o mesmo tratamento e carinho de seus pais, têm afinidades completamente contrárias com os mesmos? O que define se estes pais são bons ou maus? O julgo de um ou outro filho? Pense bem.
Todos nós temos uma história única, uma vida traçada de maneira extremamente particular, incluso os que vêm do mesmo ventre. Esta vida com traços diferentes faz com que o julgo entre o bem e o mal ou o certo e errado seja, por vezes, contrário. Analise: se até irmãos têm vidas diferentes, sentimentos diferentes e principalmente, afinidades diferentes, é perfeitamente aceitável que o conceito de bom para um, pode não ser o do outro.
Infelizmente o que não está claro para a maioria de nós são as verdadeiras moradias do mal, ou seja, de onde vieram a causa de nossos problemas. As divergências continuam neste campo também, pois o que para um pode ser sinônimo de uma infelicidade eterna, para outro nem problema é, ou seja, para o primeiro nunca se sabe de onde os sofrimentos surgem, e quando surgem, geralmente atribui-se culpa as causas erradas, para o segundo, pequenos sintomas já são o bastante para um diagnóstico/tratamento acertado.
Exemplo?
Da mesma maneira que alguns julgam o motorista de caminhão culpado, outros o julgam inocente. Até ai tudo bem. O problema é quando alguém busca atribuir culpa de todo o acontecido ao nascimento da pequena menina adotada que necessita de uma cirurgia. Sinto dizer, mas ai as idéias estão realmente necessitando encontrar rumo, e desse jeito vai demorar.

Toda avalanche necessita de um pequeno tremor para acontecer. Mas o tremor não é o culpado pelo acumulo de neve no topo do monte. Muitas vezes atribuímos causa pela dor ou dizemos que alguém é má pessoa simplesmente porque ela é coadjuvante de um pequeno fato, e deste mesmo fato toda uma vida de infelicidades vem à tona. Como diria o Rei, “pare para pensar e pense muito bem”: nestes casos a verdadeira causa de tudo está ligada a traumas e complexos adquiridos durante toda esta vida, e que em nada tem a ver com o tal tremor.

Enfim, pessoas/atitudes boas ou más existem, mas são julgadas de maneira diferente dentro da cabeça de cada pessoa... agora, todos precisam entender que a culpa das mortes em um deslizamento de terra não é da coitada da chuva... mas sim do terreno instável e de quem construiu a sua casa no pé do morro...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A musa inspiradora...

Alguns anos depois de ter descoberto que tinha uma mínima capacidade para escrever, hoje em dia tento tornar este hábito o mais saudável possível. Tento dentro destas linhas, além de analisar o meu cotidiano de uma maneira mais detalhista, divertir-me escrevendo coisas que eu mesmo gosto de ler.
Não me considero um bom escritor. Acho sinceramente que além de não preencher alguns pré-requisitos básicos para o posto, como ler compulsivamente e ser tarado por literatura, faltam para mim algumas características que todo colunista competente tem de ter.
Na contramão, sei que possuo alguns outros aspectos para poder ser enquadrado na classe, como a existência de uma musa inspiradora, por exemplo.
Sim, apesar de ser um homem solteiro que não caça tenho uma musa inspiradora. E esta felizarda tem currículo de sobra para prestar-me tal serviço.
Antes de tudo ela me parece intocável mesmo sendo extremamente sociável comigo. Por enquanto não existem caminhos sutis para chegar a sua pessoa, pois todos eles vêm com atestado de interesse ao mero sinal de aproximação. Para mulheres como ela, é de bom tom não demonstrar segundas intenções antes de se ter um nível mínimo de intimidade, sob pena de transparecer de maneira errônea que apenas as características físicas criaram a necessidade de aproximação, o que não é o caso. Musas inspiradoras não nos atraem apenas pela beleza, elas despertam o desejo de conhecê-las a fundo, descobrir cada um dos seus segredos, nuances, gostos e características. Enquanto isto não acontece, nossa imaginação corre a milhares de quilômetros por hora.
Por segundo, ela é dona do primeiro sorriso aberto e gratuito que vejo no dia. Tal sorriso se traduz em um dos momentos mais especiais que acontecem dentro das minhas 24 horas, tamanha é a sua capacidade de iluminar o ambiente. Espero-o com ansiedade, desejo-o com ardor, chego até a me preparar para o momento em que ele acontece. Me visto com minhas melhores roupas, diariamente levanto pesos para que meus músculos pareçam maiores, chego até a ensaiar poses em frente aos espelhos. Quando este tão desejado momento chega, a contraprestação que ofereço sempre é um inexplicado sorriso amarelo, daqueles que a gente dá tentando não demonstrar que está se derretendo chão abaixo, acompanhado de um pós-arrependimento por não pagar na mesma moeda tal presente oferecido.
Terceiro, ela transparece perfeição em todas as suas atitudes. Desde as profissionais até a maneira de andar. Ela se veste da maneira certa, se move da maneira certa, até mesmo fala da maneira certa. Tudo nela parece feito sob-medida, daquelas pessoas que a gente sabe que Deus fez o molde e jogou fora depois de conceber a obra de arte. Tão inigualável quanto o criador, é a criatura neste caso.
Penso nela em momentos esperados e inesperados. Desejo saber de coisas sobre ela que neste momento, conforme a já relatada dificuldade acima, é simplesmente impossível ter acesso. Musas servem para isto: criar-nos imaginação de como seria, a ansiedade de desejar sem ter, o sofrimento de apaixonar-se sem saber se tal sentimento é correspondido.

As palavras escritas não são a única maneira de se aproveitar de tal situação, até porque a evolução natural (e esperada) da mesma sempre tem a chance de acontecer. A inspiração que hoje é benéfica quase em sua totalidade apenas na tela do computador pode se transformar um dia em convívio, em cabeças aconchegadas no peito e palavras doces trocadas despretensiosamente.

Além de seus benefícios, toda musa tem os seus objetivos-fins em existir. O que é mais engraçado é que estas mesmas metas não são delas intimamente...

... mas como eu gostaria que também o fossem...