segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O romântismo, o platonismo e o facebook

Existem certas coisas que fazem parte de nós desde que nos conhecemos por gente. Independente de onde vieram, se por influência da criação, do contexto ou pura genética, algumas características de personalidade nos são tão naturais quanto a cor dos nossos olhos.

Nunca neguei, sou sim um romântico inveterado. Confesso que na maioria das fases de minha vida, cheguei até a negar possíveis relacionamentos casuais por pura falta do tal romantismo no processo. Digamos que o conhece, bimba e vai embora nunca foi o meu forte. Alvo de criticas por conta desta diferença de gostos (priorizar o coração de uma menina em detrimento da bunda e dos peitos), sempre fui incompreendido por amigos e amigas que tentavam (e ainda tentam) a todo custo me apresentar simples parceiras de cama. Mas como todos sabem, defendo piamente que todo homem tem sim, o direito de dizer não quando ele assim o desejar. A era da obrigação de comer já passou, e se tu ainda dependes disto pra te sentires mais homem, te considere ao mínimo um atrasado.

Amor com sexo, sexo com amor, sexo e amor. Já viveram e por vezes ainda vivem em separado na minha rotina, mas para mim, qualquer um deles funciona muito melhor quando um complementa o outro. E é esta combinação que busco incessantemente fazer.

Óbvio que tive e tenho todas as características masculinas de ser: sinto-me atraído sexualmente por mulheres bonitas assim como todos os outros, inclusive andando na rua, claro. Tudo igual. Mas digamos que o meu romantismo determina inclusive que tipo de mulher eu me atraio sexualmente. Vamos lá, em definição a mais objetiva possível: digamos que sexualmente falando, eu prefira muito mais as princesinhas encantadas como Isis Valverde e Nathalia Dill do que as mulheres fatais como as panicats. Quero e gosto de me relacionar muito mais com as mignonzinhas românticas do que com as boazudas. Nego as segundas para ficar com as primeiras (não quer dizer que as nego sempre...). E mais uma vez sou chamado de louco pela maioria dos homens neste caso. Como pode um macho alfa como eu gostar menos das gostosonas unânimes do universo masculino do que das namoradinhas do Brasil? Como pode um homem saradão gostar mais das que impõem dificuldades sentimentais do que daquelas que querem dar sem qualquer tipo de compromisso e demora?

Questão de prioridades, gostos e valores. Acredite, nem todos os homens são iguais.

Mas quem disse que hoje estou aqui para falar de apenas uma característica minha?

O segundo aspecto que trago a tona é o de ter sido platônico a minha vida inteira. Sempre tive paixões platônicas calcadas na distancia e no voyeurismo escondido e velado. Quando novinho, na minha pré-escola, era apaixonadinho por uma menina de olhos claros e cabelos enroladinhos que ia para aula com chuquinhas enfeitadas pela mãe. Ficava admirando em segredo durante o recreio e sempre procurava estar por perto quando a mesma precisava nem que fosse dum lápis de cor emprestado. Anos e mais anos após, esta mesma figurinha meiga se transformou numa das maiores atrizes pornô que este país já teve (sério!). Fez cenas com mais de 50 atores ao mesmo tempo. Ela nunca soube da minha paixão infantil e claro, nunca mais irá saber, pois a sua figura hoje até pode ser motivo de excitação para a maioria dos homens, mas para mim, não mais.

Hoje em dia tenho meus platonismos, claro, e o mais marcante é virtual. Já que o facebook se transformou numa parte da minha rotina diária, existe dentro deste universo cibernético uma pequena que me encanta os olhos e não sabe.

Respeitando todas as características físicas que me atraem, muito bonita e aparentemente romântica, e sendo também alguém que nem ao menos conheço mas vive aparecendo na minha frente (nas atualizações dos meus contatos), ela consegue unir os dois elementos cernes deste texto. É sim a representação do tipo de mulher que gosto de me envolver e que também talvez nunca vá saber disto...

... mas não por falta de vontade...

Tal texto hoje, escrito num início de madrugada de domingo para segunda, é inspirado e dedicado a ela, a ilustre desconhecida. Saibas que sim, tu és tão linda que chega a doer, e que teus olhos por vezes claros, por vezes escuros, não escondem o quanto és sim, romântica como também sou. Hoje escrevo pra dizer-te que apesar de ser à distância, existe sim alguém que te cuida e te olha inocentemente...

... todos os momentos que adicionas alguém ou mudas o teu status. Hehehe...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A obra do amor


Oh queridos românticos! Como é difícil e árdua a tarefa de carregar tamanho fardo pesado sobre os ombros!

Somente nós, os que suspiram e anseiam por uma boa e especial paixão, compreendemos o quão difícil é ser assim, um defensor dos relacionamentos carinhosos e dos olhos que brilham.

Não é nossa culpa, nascemos com uma benção. Num mundo onde as telenovelas pregam o desapego e a traição em horário nobre, somos apaixonados pela sensação de apaixonar-se. Nos alimentamos com os carinhos sem fim, com o perfume doce da amada no travesseiro, com abraços de orelha fria, com gemidos de cafuné e com o aconchego dos seios. Nos mantemos vivos com a mensagem de texto do antes de dormir, de se sentir prioritário, da saudade que se sente após 30 minutos da despedida, da fala arrastada de criança e das mãos bobas escondidas. Vivemos do beijo longo e do selinho, da contraprestação atendida das nossas atenções, do fogo entre quatro paredes, do quase chorar com a beleza e valor dos momentos de declaração e da janta feita carinhosamente para nos esperar.

Sentimos falta do orgulho do status de não solteiro, da beleza de querer transformar a vida do outro em algo mais especial, dos planos de casamento ao ar livre, do nome dos filhos e do golden retriever. Queremos cada vez mais pipocas e filmes, lareiras e vinhos, lábios mordidos e olhares de desejo. Adoramos os cabelos enrolados da nuca, a pele macia de hidratante, a sensação de peito preenchido e a vontade crescente de estar junto fazendo qualquer pequena coisa.

Nós sentimos falta do que é bom, daquele suspiro profundo buscando ar quando parece que este ar não vem se a pessoa não está por perto. Sentimos falta da proximidade, da intimidade cotidiana e sexual, da atenção e claro, do porto seguro que está ali sendo oferecido de bom grado.

Só nós sabemos, meus queridos, o quanto dói relacionar-se com alguém que não tem a vontade necessária para ser o alguém que nos causa furor, que não nos dê causa para os esforços diários, que não queira sentir o mesmo que sentimos. O quanto dói olhar e não ser olhado, querer e não se querido, tratar e não se tratado, faltar e nunca ser percebido faltado...

... o fogo apaga, o frio chega e se instala, o vento aparece levando todas as vontades e alegrias. As cores e os cheiros da rotina mudam. Instintivamente passamos a buscar soluções.

É em momentos assim que a concorrência aparece, mas não a concorrência do ditado popular, e sim aquela que existe normalmente sem ser notada, e que é composta por dois sentimentos que não deveriam ser antagônicos, mas sim protagonistas de uma mesma história: o amor próprio e o amor por outra pessoa. Se caminharem juntos, perfeito. Se concorrerem entre si como numa queda de braço, a experiência da vida diz que devemos sempre escolher pelo certo, fazer o correto.

Priorizar infinitamente o primeiro.

Com as vontades vencidas retornamos a primeira estaca da vida somada a outra, mas em contrapartida retornamos também a nos preocupar exclusivamente com a construção da nossa própria vida (o que é muito bom)...

... esperando que a qualquer hora, em qualquer lugar e de qualquer modo, uma outra obra conjugal se inicie com alguém que também goste de levantar tais paredes...



terça-feira, 28 de junho de 2011

A imagem, o bem estar e a concorrência

Apesar de não conseguir muito por culpa da quase completa falta de tempo, gosto de cuidar da minha aparência. Sendo direto: confesso que sim, meu bem estar está intimamente ligado a este aspecto.

Quando menino sempre fui um rapaz muito magro, franzino e de cabelos fartos. Tenho exatos 1,75 metros, e pesei dos 15 aos 25 anos algo em torno dos 60 kg’s. Não era por falta de alimentação ou esforço que era magrelo, era por genética mesmo, filho de mãe italiana, comia quilos de comida ao dia, milhares de calorias ingeridas e, por mais que me embugasse de tanto carboidrato, meus gambitos, meus bracinhos de palito, minha barriga côncava e minhas costelas aparentes continuavam iguais.

Nesta mesma fase, meus cabelos eram grandes, negros e como disse, fartos. Estudava em escola Adventista e, infelizmente neste caso, regras a mim eram impostas quanto ao cumprimento dos mesmos. Como se este fosse o maior empecilho: mãe italiana, pai também italiano. Ele nunca me deixaria ter cabelos de Rockstar na adolescência. Mesmo assim, a franja era grande, alta e penteada para a direita, no geral eles eram negros, relativamente cumpridos (vulgo cachopa lisa) e brilhosos.

Na época, me recordo de ser complexado principalmente pelo fator magreza. Todos os meninos eram maiores e mais fortes do que eu (pelo menos eu os enxergava assim). A concorrência de outras imagens me fazia formar a minha própria, o que corriqueiramente acontece com adolescentes e jovens adultos. Insegurança corriqueira e compulsória para tal idade, ninguém escapa/escapou, nem Paola de Oliveira, nem Reynaldo Gianecchini. Tenho certeza que até eles sofreram ou até sofrem por alguma insatisfação física. Eu era por todas quase.

Passados alguns anos, hoje as vésperas de completar três décadas de vida, meu corpo e meus cabelos definitivamente mudaram. Estes últimos citados estão aos poucos me abandonando para nunca mais voltar. Gostar não gosto deste aspecto herdado geneticamente, mas encaro com bom humor: sou o primeiro a rir ou fazer piada da minha condição de careca emergente. É defesa, eu sei, mas é o que me resta antes de ter coragem de fazer um implante (de boa qualidade). E sim, eu o farei por mais ridículo que isto possa parecer, até porque sou amplamente defensor das intervenções cirúrgicas voltadas para a estética.

No campo das mudanças físicas, posso dizer que não sou mais magrelo. Troquei os antes 60 kg’s por aproximadamente 85, o que para minha altura me garante um porte atlético e forte. Esta mudança só aconteceu fruto de muita musculação, muito peso levantado, muito suplemento ingerido e principalmente muita disciplina empregada. A tal academia normalmente acontece em um intervalo de pouco mais de uma hora entre o serviço e as aulas noturnas, o que me faz ter uma rotina de louco desvairado no horário vespertino. Só tem uma coisa que não mudo na verdade: to pouco me lixando por minha barriga não ser de tanquinho, isto porque odeio abdominais e adoro a combinação do lúpulo e da cevada.

Muito papo e pouca objetividade: o que na verdade quero contar é que alguns dias atrás, por conta de uma festa familiar, me vi revirando uma caixa inteira de fotos familiares que a muito não mexia, e pasmem: descobri que apesar de magro e sem o corte de cabelo que gostaria de ter... na verdade eu era um rapaz bonito! Gostei-me muito me vendo ali.

Lembram da parte da concorrência que me fazia a imagem própria? Pois é. Mesmo o mais forte dos trogloditas se sentiria um Sadol no concurso de Mister Universo e mesmo o mais cabeludo dos adolescentes se sentiria um autentico Esperidião Amin num grupo de metaleiros.

Quer saber o que realmente aparentas? Cuide dos teus espelhos.

Enxergue o que verdadeiramente és e esqueça o que os outros são. Pergunte a ti mesmo, e a mais ninguém. Lição simples de segunda à noite.

domingo, 10 de abril de 2011

A análise compulsória...

Nunca tive muita vocação para escrever sobre os problemas psíquicos das pessoas. A única vez que fiz isto, minha caixa de e-mail lotou com um número nunca mais alcançado de comentários e críticas. Pena que a maioria delas me condenando pela completa falta de conhecimento do que havia escrito.

Com toda razão.

Não tenho nem prática, nem estudo e muito menos contato com qualquer tipo de psicopata, sociopata, ou qualquer outro tipo de pata que existe por ai, apesar de ter tomado tantas em tais comentários. Não sei identificá-los como defendi há cinco anos atrás, e admito meu erro com a maior naturalidade do mundo. Até hoje as pessoas entram em contato comigo me perguntando como eu os enxergo, e hoje um pouco mais adulto, admito: não faço a mínima idéia. Desculpem-me pelas palavras errôneas do passado e pelas possíveis influências que minha ignorância jovem e inconseqüente deve ter criado.

A idéia deste texto de hoje surgiu da tragédia do Realengo, claro. A palavra psicopata vem sendo explorada e utilizada em larguíssima escala pela mídia e pelas pessoas em geral, mas baseado na experiência supracitada me nego a seguir o fluxo. Só quem pode falar ou explicar tal termo é quem o conhece e, além disto, estou analisando a situação de outra maneira.

Confesso que não tenho pensado no assunto horrorizado com a tamanha atrocidade que o tal rapaz cometeu, mas sim no que o levou a realizar tal ato. E isto sim, é o que me deixa com o resto dos meus cabelos em pé.

Com o tempo treinamos para identificar causas observando apenas as conseqüências. A conseqüência de tudo foram os tiros que mataram mais de uma dezena de pré-adolescentes, e feriram outra mais de dezena. As causas, a meu ver, dizem respeito também a prováveis abusos infantis, sinceramente.

Comecemos pelo inicio, apesar da redundância:

- Ninguém entra em algum local, seja ele qual for, atirando com convicção em jovens inocentes sem ter algumas motivações em especial. Uma destas motivações pode estar ligada ao local em si, neste caso, a escola. O autor dos disparos estudou em tal local em sua infância, freqüentou aqueles corredores e salas diariamente e segundo relatos que li na imprensa sensacionalista internética, sofreu abusos infantis em forma de termos humilhantes e violência física. Sim, estou falando em bullyng. A raiva expressada através dos sessenta e seis tiros disparados em tal local para mim está clara, e me faz pensar o seguinte: se nos preocupamos apenas um pouco com os traços deixados por abusos mútuos praticados por crianças e adolescentes de hoje, a verdade das possíveis conseqüências destes abusos no futuro nos é jogada na face por este acontecimento. Está na hora de nos preocuparmos mais com a educação de nossos filhos, não para que os mesmos não sejam vitimas destes abusos, mas sim para que não sejam os causadores.

- Outro fato que me chamou a atenção foi o perfil das vítimas fatais e não fatais. Quase todas meninas e da mesma idade. Dos adolescentes que vieram a óbito, onze eram meninas e apenas um menino. Ouvi o Bonner dizer que antes de atirar, o assassino ordenava que as vítimas ajoelhassem e indagava: - “Tu és virgem”? Se a menina respondesse que sim, era sumariamente executada com tiros na cabeça, no rosto ou no abdômen. Qual o intuito de eliminar virgens? Seria evitar que as mesmas se tornassem “impuras”? A análise deste ponto vem junto com o próximo.

- Na carta suicida, o jovem atirador externou um exagerado fanatismo religioso, além de uma aversão enorme ao ato sexual. Chegou a expressar vontade de após morto, não ser ao menos tocado por aqueles que praticaram sexo fora do casamento ou adúlteros. Juntando isto ao fato apontado no ponto anterior, concluo sem muita certeza a probabilidade deste jovem ter sido abusado sexualmente na infância e até na adolescência. Estava talvez, em seus pensamentos e conclusões doentias, tentando evitar que estas meninas sofressem do mesmo “mal” que particularmente, o sexo representava.

Por óbvio, senhor leitor ou senhora leitora que gosta de achar pêlo em ovo, que não procuro aqui defender este verdadeiro animal covarde que assustou a todos neste país. Apenas me expresso no sentido de que para cada ação existe uma reação, para cada maldade existe um trauma, e para cada trauma existe uma conseqüência, seja ela expressada em sofrimentos particulares ou... atrocidades loucas desvairadas.

Se nos preocupássemos mais em respeitar o próximo, a sua integridade física e moral, ensinássemos os nossos filhos a fazer o mesmo, talvez muitos destes momentos nem ao menos existiriam. Talvez até grande parte de nossos próprios sofrimentos não existiriam.

Lembrem-se: ninguém nasce maldoso, não existe raça ou linhagem humana que geneticamente transfere a seus descendentes esta característica. Todos nós somos formados e moldados de acordo com o contexto em que estamos inseridos desde o nosso primeiro dia de gestação até o momento de nossa morte. Portanto, acorde! Já admiti que não sei o que é um psicopata, mas não é necessária tanta inteligência assim para sabermos como um é formado. Pare de traumatizar outras pessoas, pare de ensinar seus filhos a fazerem isto, pare de aceitar que mazelas da vida em sociedade são comuns, normais e até corriqueiras...

... pois se isto não mudar, um belo dia o que aconteceu ontem será tão corriqueiro quanto...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A síndrome do príncipe encantado

Durante minha juventude, sempre fui considerado “o amigão” das meninas. Sempre fui o atencioso, o querido, o compreensivo, o carinhoso... e apesar do que se diz por ai sobre o “campo da amizade”, isto nunca me atrapalhou em minha vida amorosa.
Pensando bem... sempre tive muito sucesso na qualidade das mulheres que me envolvi, muitas delas sendo minhas amigas antes, durante e após o envolvimento. Digamos que consegui a quase perfeição entre a quantidade e a qualidade, o chamado “meio-termo justo”. Não me envolvi com tantas assim, pois não sou caçador, mas as que me envolvi me garantiram muitos momentos de felicidade.
Durante as inúmeras “conversas femininas” as quais eu homem hétero estive presente de gaiato, sempre escutei de minhas amigas a expressão “síndrome de Cinderela” como sendo algo intimamente e exclusivamente ligado ao gênero feminino. Tal expressão, segundo as mesmas, diz respeito ao fato da maioria esmagadora das mulheres ter o objetivo de vida, ou melhor, a meta de se casar um dia, de constituir uma família perfeita, morar no local perfeito, ter um casal de filhos e de labradores... facilmente se conclui que é definitivamente uma das vitórias femininas. Seria a vontade de se viver um conto de fadas, de se encontrar o príncipe encantado montado no cavalo branco de crinas douradas... e que este as resgate dos monstros da vida que tanto lhes trazem infelicidades.
Ainda de acordo com elas, o primeiro sintoma desta síndrome é o fato de logo de início, quando conhecem alguém, enxergar este alguém esperando no altar enquanto se é conduzida até ele pelo pai ao som da marcha nupcial. Serve como exemplo, mas sempre é algo relativo à cerimônia de casamento ou a vida de casada.
Pois bem meninas, venho através deste lhes avisar que sim, nós homens, apesar de termos menos casos comprovados, ou admitidos, também sofremos da versão masculina da tal síndrome, a qual eu denomino de “síndrome do príncipe encantado”. Muitos de nós também, ao conhecer alguém, não demoramos muito (quase nada...) para imaginarmos se esta pessoa ficaria bem de véu e grinalda adentrando as grandes portas de uma igreja, sendo conduzida em nossa direção.
Declaro solenemente que sofro deste mal desde menino, idealizando em 100% dos casos a esposa perfeita e a mãe de meus filhos.
Mas porque “sofro deste mal”? Ou melhor, porque designar tal característica como um problema? Porque infelizmente hoje em dia românticos têm facilmente a sua importância derrotada por um motivo fútil qualquer. Os sonhadores, que teimam em sonhar e planejar uma vida romântica e perfeita ao lado de alguém (e eu me incluo nisto), muitas vezes se vêem deixados de lado por este alguém, tendo derrepente de esquecer à força sonhos e planos... engolindo goela abaixo o fato de ter de dar a partida e iniciar tudo de novo...

Não quero transformar este texto em uma simples reclamação do quanto o mundo é cruel e do quanto a vida nos prega peças e chacotas amorosas...

...quero apenas deixar claro para vocês mulheres, aproveitando esta pequena recaída romântica e carente que estou tendo no momento, que existem muitos homens como eu que sonham com a mulher maravilha, com a tampa da panela, com a metade da laranja, com o pé torto para o nosso chinelo velho... enfim, sonham com a bela adormecida, com a Cinderela perdida e descalça esperando pelo sapato de cristal que há tempos carregamos junto para ver se serve em alguém...

E enquanto não encontramos... continuamos eternamente no campo do conto de fadas... querendo ser o príncipe encantado, mas se sentindo o Shrek isolado no meio do pântano...

sábado, 22 de janeiro de 2011

Saiba da realidade... e mude realmente.

“Apenas quando somos instruídos pela realidade é que podemos muda-lá”.
Bertold Brecht

Hoje peguei vários esboços de textos meus manuscritos com o objetivo de escrever mais um artigo. Mas confesso: tudo o que consegui achar foi esta frase, que foi retirada de um folheto recebido na faculdade. Ela é de autoria de um dramaturgo alemão que morreu a mais de meio século, e que claro, eu apenas havia ouvido falar do nome.
Não que não houvesse qualidade no que eu havia escrito, claro que havia. Mas perto do impacto que tive quando li esta pequena sentença, e também do significado que a mesma teve para mim neste exato momento que vivo, nada mais me pareceu merecedor de atenção.

Fiz menção há pouco tempo sobre o quão assustador é conflitar-se. O quanto se treme as pernas quando resolvemos adentrar a própria mente para analisá-la. Uma pequena amostra é o sentimento desagradável que temos quando a verdade nua e crua sobre nós mesmos nos visita via palavra de mãe. Realmente, a tarefa não é das mais fáceis não, mas é preciso ter força, é preciso ter raça, é preciso ter gana... sempre.
Em igual proporção a sua dificuldade está a sua necessidade e importância. Conhecer-se é o primeiro passo para a real felicidade, e acredite, falo com a propriedade de quem busca se conhecer mais a cada momento... e nunca se conheceu realmente.

Defendo aqui hoje o fato de não conhecermos o nosso real inimigo. As pessoas não sabem contra quem lutar. Atiram a esmo e nunca acertam no alvo que interessa, que resolveria, que acabaria com a guerra. As pessoas não sabem ao menos realmente quem são e o que são. Não sabem como pensam, como reagem. Elas não têm a mínima previsão de seus sentimentos e reações. E acredite, por mais que não concordes, falo aqui sobre todos. Inclusive eu.

O que detona, detona de dentro. Ninguém é culpado, nós somos. As razões de todas as infelicidades passam por alguma crença particular nossa. E disso podes ter certeza. Colhemos o que plantamos, e vice versa. Conheça-se, e saia do circulo vicioso. Autoconhecimento leva ao autocontrole, racionalidade leva a estabilidade. Não que as pessoas não sejam racionais, elas são, mas a maioria de nós pratica muito mais a emoção do que a razão. Conhecer-se e racionalizar-se, este é o segredo.

O que és, como és, como reages e o que te satisfaz. Conceitue com profundidade. Não há problema se não conseguires, ou se conseguires apenas superficialmente, mas por favor, sejas particular nas respostas e, principalmente, nada de considerar o que os outros já te disseram sobre ti mesmo.
Enxergue a realidade, e não apele para o caminho mais confortável: colocar a culpa nos outros ou pior, nos teus pais. Olhe para dentro, cavoque. Enxergue o real, o seu real, a sua versão real.

Todos querem a felicidade. Todos querem amar e ser amados. Todos querem sucesso profissional, independência, respeito e admiração, entre tantas outras coisas. Se não tens o que desejas apesar dos infindáveis esforços, hora de mudar. Não os outros, mas a ti mesmo. Aponte a arma para o que deve ser eliminado, mas aponte para os teus próprios alvos internos, que garanto que tudo se resolverá.

Conheças a realidade para mudá-la. Sejas humilde e admita que por mais segurança que tenhas, os concertos todos tem de iniciar de dentro, de si mesmo. Tens defeitos sim, tu causas a maioria das tuas infelicidades sim. Ou pelo menos contribui para que as mesmas aconteçam. E pior...

... a maioria das vezes de propósito e inconscientemente...

...inconscientemente pela falta de consciência de si próprio... claro. Até porque se a mesma consciência existisse... a maioria destes problemas nem ao menos aconteceriam...

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A espinha no lábio

Ela estava com uma espinha no lábio.

Há tempos meu olhar a acompanha quando ela passa. Beleza natural, cabelos morenos, olhos desenhados e marcantes, seu sorriso é de dentes brancos e alinhados, inseridos numa boca grande normalmente em tons discretos.
E ela tinha uma espinha no lábio.

A nossa ultima aula se iniciou com uma apresentação de trabalho dela. Ótimo. Pude olhar a vontade sem que ela percebesse que enquanto falava, eu analisava o quanto é bonita...
E ela tinha uma espinha no lábio.

Veste-se discretamente. E realmente, não precisa deixar de ser discreta para chamar atenção. Para ME chamar atenção. Enquanto fala, para em pé, cruza as pernas e os braços, encaixa o quadril e curva o tronco para trás, numa posição em que talvez espere outros braços lhe envolvendo os ombros, acompanhados de um leve cheiro no pescoço durante um longo abraço por trás. Por óbvio: se imaginei tal situação, é porque desejei tal situação.
E ela tinha uma espinha no lábio.

Estes dias a vi chorar. Lacrimejava tornando suas bochechas um pouco maiores e ressaltando a cor de seus olhos. Linda. Confesso: não me senti triste por vê-la chorando, me senti triste por vê-la chorar e não poder oferecer-lhe o aconchego de meu peito para que ela pudesse abafar o ouvido. Senti-me triste por não poder lhe demonstrar o quanto poderia protegê-la em meio aos meus braços. Senti-me triste por não poder oferecer-lhe o colo, a mão, um cafuné demorado, um afago quente no rosto e um sorriso.
Já tem quem faça isto. Que saco.
Mas ela tinha uma espinha no lábio.

É meiga, dá para notar. Encanta pela leve timidez e pela maneira sutil que deixa transparecer que precisa de carinho e proteção. Parece-me gostar de gentilezas masculinas verdadeiras, de sinceridades, de confianças mútuas e de fazer planos. Provável goste de programas a dois, de rir, de uma boa janta e de proximidades ao conversar. Espera talvez alguém que acredite nela, tanto rotineiramente quanto no seu potencial.
Dei uma de vidente agora. Baseado apenas no que aparenta. Sem esquecer a tal espinha.

Falando em encantar, é uma mulher que não tem noção do quanto encanta. Não sabe de verdade. Talvez sua modéstia não deixe. Tem um nome comum, um tipo comum, se veste de maneira comum. Estuda um curso comum, tem um emprego comum, mora em uma cidade comum e fala com um tom de voz comum. Enxerga-se tão comum. Mas o seu brilho nem de perto é comum. Num mundo onde todas tentam cada vez mais se montar e parecerem iguais, e o que é natural, comum e simples é tão raro, ela se destaca, e tem seu papel de destaque na minha semana. É comum, e é única. E gostaria de ser única, sem saber que já é.

O porquê da espinha?
Porque a menina estava lá, sentada ao meu lado, aliviada pela evidência bem sucedida frente aos colegas de aula, sorrindo levemente e cheirando maravilhosamente bem. A espinha existia claro, mas era apenas mais um micro detalhe daquela mulher que este mega-detalhista que vos escreve notou. Serve apenas para que fique claro o quanto a observo, o quanto a memorizo, o quanto a imagino.
Gostaria de conhecê-la melhor.
Pena que tem quem a comprometa. E sou moço certo.

Que saco novamente...

sábado, 23 de outubro de 2010

Minhas mulheres...

Eu já me apaixonei por loiras, por morenas, por ruivas e castanhas.
Por aquelas que tinham cabelos curtos, médios, longos, encaracolados, lisos, chapados ou crespos. Apliques grandes, tinturas mil ou apenas... naturais.
Já me apaixonei também por aquelas que tinham perfeitos sorrisos, gengivas grandes, dentes levemente tortos e também as que usavam aparelhos com borrachinhas coloridas.
Caí de amores por olhos claros, verdes ou azuis, por olhares escuros, castanhos ou pretos, e por aqueles raríssimos casos que conseguem mesclar as duas modalidades: hora castanhos, hora verdes.
Já me apaixonei por magérrimas, por modelos, por vencedoras de concursos de beleza, por gostosonas, por lindas, por bonitinhas, por redondinhas e até... por algumas feiosinhas mesmo. Eram altas ancudas, baixinhas magrinhas, siliconadas, corpos de violão, cinturinhas de pilão.
Algumas tinham corpos de bailarina, coxas grossas e duras, outras, eram verdadeiramente amantes dos carboidratos e dos refrigerantes. Algumas amavam uma atividade física, outras, gostavam mesmo era de beber chope. Algumas eram bonitonas não tão chegadas na higiene, outras, eram apenas bonitinhas, mas vaidosas ao extremo.
Já me apaixonei por jovenzinhas, por brotos, por adolescentes, jovens mulheres, mulheres jovens, adultas formadas e adultas que pensavam que eram adultas, mas que apesar da idade não poderiam ser consideradas nem ao menos mulheres...

Já me perdi em meio à poeira por bem resolvidas, por mal tratadas, por inexperientes, por traumatizadas e também por aquelas que mal sabiam o que eram. Apaixonei-me por religiosas, por adventistas, por umbandistas, por evangélicas, católicas ou atéias. Por puras e castas, por meninas em franco descobrimento sexual, por mulheres em franco descobrimento sexual, e por aquelas que por puro pudor, se negavam a se descobrir sexualmente. Algumas foram muito experientes, outras, apenas normais. Algumas delas prometeram muito, falaram muito, e cumpriram pouco...
... das que não foram nada neste sentido, eu realmente gostaria que tivessem sido. E daquelas que me apaixonei, mas nada aconteceu... eu também gostaria que tivessem acontecido.

Já me apaixonei por mulheres calmas, pacíficas, choronas e emotivas. Também duronas, bravas, ciumentas e um tanto quanto descontroladas. Por indecisas, por convencidas, por briguentas e por obtusas também. Algumas me cobravam, outras se cobravam demais, outras não gostavam de ser cobradas.

Algumas eu não sei mais onde estão, outras nunca mais falei. Poucas estão ainda inseridas no meu convívio, e uma... bom... esta uma eu continuo me comunicando... e sei que de onde ela está, ela me escuta.

Roqueiras, pagodeiras, “sertanejas” e forrozeiras. Bailarinas formadas e fandangueiras do Cardosão. Algumas gostavam de ir a Missa, outras gostavam de ir na Rave. Umas gostavam de mim, outras me amavam, pena que algumas outras... algumas outras apenas diziam que amavam... sem amar.

Estas me enganaram.
Mas tudo bem. Não posso reclamar. A vida me serviu muito bem nestas experiências todas, e por isto sou um homem muito feliz. Se não fosse para viver... para que serviria vir a este mundo...

Deixo apenas mais a seguinte pergunta/suspense:

Por quantas mulheres eu me apaixonei? – ou melhor:

Quantas facetas diferentes uma mesma mulher pode ter?

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Aos 30...

Colocar no papel as palavras soltas que me aparecem voando na mente me faz falta, confesso. Mas que desculpa mais posso dar?

Me falta tempo? Me falta cabeça? Não tenho mais inspiração? O que estou vivendo atualmente, realmente vale a pena escrever?

A resposta é sim. Para todas as perguntas.

Este blog foi criado há quatro anos atrás para primeiramente retratar as crises, os problemas, as felicidades e a vida de um jovem adulto de vinte e cinco anos de idade. Pois é. Hoje já não tenho mais vinte e cinco... tenho trinta. E como este intervalo de alguns anos muda a cabeça da gente. Já não me considero mais um jovem adulto, mas sim um adulto real, e que sendo sincero, tem dificuldades para lidar com as responsabilidades que a vida impõe neste momento. Clichê demais.

Mas e quem não as tem...? E mais: Quem nos proibiu de sofrer com estas dificuldades...?

“Bem vindo a vida adulta”. – me disse alguém que, ao escutar minhas reclamações e sofrimentos, soube resumir apenas nesta frase tudo o que havia para se dizer em um determinado momento de um passado recente.

Não há escapatória. Nós não temos para onde fugir. Tudo bem que de vez em quando dá vontade de correr e se jogar no colo da mãe... (mas e quem disse também que nós não podemos sentir esta vontade?). O que devemos perceber é que há muito não somos mais crianças, não somos mais adolescentes e, infelizmente aos poucos e gradualmente, estamos deixando de ser jovens...

A vida adulta é esta que está ai. É esta que pinta na nossa frente com cara de Shrek, mas que se formos analisar e enfrentar, é apenas um monstro dócil e gentil, que nos devolve apenas aquilo que oferecemos, e principalmente, queremos.

Por isto, peço: Cuidado com o querer, com o que se quer, principalmente para si. Procure saber o real, o que está por trás de tudo. Procure conhecer. Procure SE conhecer. Muitas vezes as razões (verdadeiras) do que nos acontece estão tão escondidas que sem um necessário aprofundamento no local mais temido que existe (nossa própria cabeça...), nós nunca vamos desencravá-las. E se não abrir para operar, não vai ter como melhorar só com remedinho. Acredite.

E tenham certeza:

Aquele papinho de que temos poder nas mãos sobre tudo o que vivemos ou queremos viver... é a mais pura verdade. Digo mais: é tudo nossa culpa. Tudo o que vivemos é nossa culpa. Tudo o que sofremos é de nossa única e exclusiva culpa. Paremos de nos vitimizar.

Dói, eu sei.

Mas quanto mais cedo tomarmos consciência disto, melhor...

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Um pequeno Olá...

Faz tempo meus queridos…!!!
Mas sinto dizer que não vai ser agora-agora que vocês me verão de volta por aqui...
O tempo se mostrou extremamente corrido nos últimos seis meses. Extremamente corrido e extremamente gratificante. A vida, que antes me era um pouco mais complicada do que eu gostaria, agora é... muito mais! Com uma pequena diferença: estou vivendo esta vida como um garoto que recém aprendeu a dirigir... sorrisão no rosto a cada voltinha na quadra.
Lições brotam do chão com uma rapidez tamanha que fica até difícil acompanhar. Aliás, não brotam do chão, chovem dos céus. Verdadeiras bênçãos têm me acontecido, e eu só tenho a agradecer.
Se estou ganhando com tudo isto? Digamos que nunca ganhei tanto na vida, e isto responde tudo.
Estou ganhando confiança, ganhando valorização, ganhando dinheiro, ganhando aprendizado e muita alegria. Ganhando experiência, ganhando direito a me achar, ganhando amizades e ganhando tanto, mas tanto amor, que mesmo continuando solteiro, me sinto acarinhado de uma maneira que até então não conhecia.
Duas pessoas apareceram em minha vida para multiplicar. Tudo delas vale a pena: os abraços, os beijos, as xingadas e puxadas de orelha por conta do olho grande que nunca deixará de ser masculino, os cuidados, as lágrimas, os beiços ciumentos, o colo recebido e dado, os elogios pelo perfume e as críticas pela barba mal feita, as preocupações mútuas e múltiplas, as diferenças e as tragédias indesejadas e comuns... tudo conta, tudo soma, tudo me faz feliz. Por um presente do destino ambas foram colocadas em meu caminho, e faço figas para que elas nunca saiam.
Hoje vivo pleno. Inclusive com meu tempo plenamente cheio. Não tenho mais tempo para atividades antes prezerozissimas, como escrever e malhar, mas se até câncer evolui (péssima esta, eu sei. Perdoem-me, pois estou enferrujado na prática das palavras), quem seria eu se não buscasse evoluir até os meus desconhecidos limites...

Enfim meus caros: hoje passei por aqui para dar um carinhoso alô, desejar as melhores felicidades, e pedir para que não desistam do Saudades...

... pois um belo dia seu dono sentirá saudades e voltará...

... em breve.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Carência afetiva no sentido contrário...

Este texto inicia uma série de vários que escrevi há tempos atrás, durante minhas merecidas férias na tão querida Meia-Praia. O que esperava destes dias Deus atendeu em dobro: muito sol, muito mar calmo, muita cerveja, muitas amizades (com prazo de validade) feitas e... a tão aguardada liberdade da internet.
No connections.
O que mais faço durante estes dias é pensar na vida. Não que isto seja uma atividade salutar (ou insalubre), é apenas uma atividade necessária, seja para colocar as idéias no lugar, seja para realocá-las em locais diferentes. A minha cabeça neste período vira um furacão, confesso, mas nada que atrapalhe o bom andamento do meu descanso.
Além de barrigudo, barbudo e queimado, volto da praia renovado, não no sentido de rejuvenescido, mas sim no de modificado. Dentro desta ventania toda, acabo por retirar ou modificar alguns conceitos que antes me eram sólidos... e isto é natural, não se assustem: quem muito pensa, tem que evoluir, se não evoluir, enlouquece.
Neste verão, a principal modificação estabelecida se refere ao meu tão reclamado déficit na carência afetiva, por mais força que faça para não admitir que sofro deste mal.
(Anexo necessário: machos de plantão, perdoem-me... mas acredito piamente que assim como eu, todos os homens são carentes sim, e mais: todos nós temos o direito de admitir esta carência... por mais que achemos uma puta bixisse exercê-lo).
Durante a minha longa vida amorosa, sempre julguei ser um homem carente, sempre busquei a quase todos os momentos cambiar muito carinho e atenção. Dentro destas trocas, sempre me senti em prejuízo, principalmente por dar muito mais carinho do que receber.
Por tempos busquei uma mulher que fosse competente em tais negociações... que fosse apta a tornar as mesmas mais justas... até me dar conta nos últimos dias que na verdade, tudo estava errado.
Era tudo ao contrário.
Hoje em dia, há tempos solteiro, adeqüei-me a pensar como tal. O que antes, atrapalhado por fatores que só um relacionamento proporciona, eu não conseguia enxergar, hoje enxergo bem tranqüilo.
É de minha natureza ser extremamente carinhoso sim, portanto, natural também que eu sinta falta de carinho... mas na verdade, o que sinto falta não é de recebê-lo, mas sim de dá-lo...
Por isto o título maluco deste texto.
Nunca havia percebido que, muito mais prazeroso para mim é deitar uma mulher em meu peito, torná-lo o mais aconchegante possível apoiando-a bem perto do meu pescoço, vê-la dormir, do que da mesma forma aconchegar-me no seio de alguém.
Mas ai aparece o diagnóstico de um novo problema: passei minha vida achando que era cada vez mais difícil encontrar uma mulher que soubesse retribuir carinho, quando na verdade, a dificuldade maior está na tentativa de encontrar alguma delas que esteja apta a recebê-lo...
Momento reflexivo: com toda certeza nos últimos tempos, vivenciaste alguma mulher que tenha como par um homem carinhoso/romântico, reclamar deste fato chamando-o de chato ou grudento. Podes não ter dado a devida importância no momento em que escutaste, mas acredite, isto é muito preocupante, principalmente para nós, os carinhosos.
Pulando as explicações, vamos direto ao resultado: ou apostamos neste tipo de relacionamento e sofremos... ou simplesmente nos afastamos ao mero indício desta inaptidão.

Na adolescência, quando nos relacionávamos com alguma menina que não valorizava carinhos e afetos, eu e meus amigos costumávamos perguntar o que fazer para um grande senhor, pai de um amigo nosso que infelizmente faleceu há alguns anos. Ele respondia em apenas algumas palavras, com a simplicidade que todos nós deveríamos ter nestes momentos:

- “Chamem a próxima...”

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Muda de Merda...

Faz tempo.
Faz tempo que não escrevo. Tempo que não penso. Tempo que não tenho inspiração. Tempo que não tenho tempo.
Sinto falta de certas coisas que tinha por hábito, ou talvez apenas achasse que tinha.
Escrever é algo que me satisfaz, me relaxa, me faz encontrar caminhos pras idéias que sem esta prática, perdem-se por ai, no ar. Ou por vezes até, ficam guardadas de maneira completamente errada.
Passo por um período de transição. Mas qual período não é de transição. As coisas passam a me fazer crer que nunca vão se sedimentar a ponto de serem definitivas e extremamente regentes. Talvez nem devam ser.
A vida segue o seu caminho, o tempo passa, o satisfatório vira insatisfação e o que queremos não achamos em quem queríamos achar.
Os hábitos. Estamos habituados a sermos solteiros, a sermos sozinhos, mas nunca a sermos solitários. E este hábito que não se habitua, acaba por fazer aparecer um outro hábito inerente a minha idade: o cansaço.
Estamos sempre cansados, cansados de tudo. Efeitos do final de um ano que no balanço geral, deu certo em poucas coisas.
Não há mal que não se acabe, mas o que verdadeiramente espero não é um fim, mas sim um início. Um início para aquilo que dá todas as pintas de que não vai iniciar. Um início que talvez não seja bom que venha, mas tal qual um adolescente curioso, teimo em tentar o que sei que vai dar errado.
As experiências, dizem por ai, nunca se acabam. Mas sinceramente, é um puta saco ficar experimentando. A vida experimentada é atrativa até onde as experiências te dizem algo ou te dão sentido, depois de certo nível de experimentação, já não se quer mais experimentar ou ser experimentado, se quer apenas que o verbo experimentar vá para o inferno, levando junto todas as suas conjugações possíveis.
Este texto tinha a intenção de ser leve, de ser feliz, mas infelizmente para ele, o seu autor, que hoje está em uma muda de merda, concorda com o Wander Wildner quando este diz: “eu não consigo ser alegre o tempo inteiro”...
Nem eu Wander, nem eu.

A cada passo, a cada carro, a cada intervalo comercial e a cada outdoor. Aquilo que me faz falta grita de maneira tão dolorida que até a felicidade dos outros passa a me atingir.
A esperança nunca acaba. Dizem por ai novamente.
Mas é justamente a falta de perspectiva que torna os mais sadios em verdadeiros moribundos.

Vou esperar as férias chegarem. Fazer aquilo que sempre faço, esperando claro que a vida me destine aquilo que me é merecido ano que vem.
Porque desta vez, a coisa mudou neste sentido. Antes eu achava que não merecia, agora além de achar que mereço...

... quero de uma vez aquilo que é pra ser meu. Pra ontem. Independente da fonte.



Aviso aos navegantes: estou de volta, com tudo e como nunca. Vim tomar posse no que é meu.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Do esterco saem ensinamentos...

Estes tempos, durante um curto final de semana onde fui visitar os parentes em Guaporé, passei de carro enfrente ao terreno onde era a casa da minha avó materna Olga.
Ela era uma autêntica italianinha (1,50 metro) prendada que costumava assumir todas as tarefas do lar, o que naquela época, demandava no mínimo 15 ou 16 horas por dia, incluso aos domingos. Era a lenha que precisava ser cortada, o fogão queimando o dia todo para cozinhar, esquentar a água para o banho, a brasa para o ferro de passar e também para aquecer os quartos no inverno, o galinheiro que precisava ser limpo, os ovos recolhidos, as galinhas tratadas (por vezes mortas para o jantar), o milharal que necessitava de atenção, a limpeza da casa, das roupas, dos animais... entre tantas outras atividades compulsórias da vida no interior de antigamente.
Casada com um descendente de negros, o que naquela época (1936) era algo quase impossível de acontecer, pode-se dizer que foi pioneira em se libertar das amarras impostas pela família e pela sociedade em uma cidade predominantemente preconceituosa para ser feliz. Foram 81 anos de vida, cinco filhos criados, sendo minha mãe a caçula e única mulher.
A casa era uma autêntica casa de italianos que ainda existe aos borbotões por ai no interior do Estado. No primeiro andar, o porão com piso de chão batido, portas de madeira trancadas com tábuas atravessadas (algumas com ferraduras penduradas) e paredes de alvenaria feitas com tijolos pequenos e reboco simples. No segundo piso, uma casa de madeira amarela com poucos cômodos, um banheiro simples com piso de concreto cru pintado de vermelho, a cozinha grande e a sala cheia de estatuetas de santos, um relógio cuco barulhento e duas poltronas, ocupadas respectivamente pela Vó e pelo Vô Negri. Nos fundos havia um galinheiro, uma grande horta, e alguns pés de cana que me lembro de mastigar nos verões.
Em verdade a casa já não existe mais desde a sua infeliz passagem, há 15 anos atrás. Em nada, tirando algumas arvores frutíferas plantadas pelo meu avô que ainda estão lá, o local se assemelha ao que era na minha infância. Há tempos aquela casa deu lugar a um pequeno conjunto habitacional.
Dentro do porão, além de uma infinidade de coisas úteis e inúteis guardadas, existia um balanço feito com cordas rústicas e uma tábua de madeira azul, que ficava ao lado da porta da frente. Certa vez, quando eu tinha apenas uns 5 ou 6 anos de idade, me recordo de estar sentado me balançando, e ver um cavalo passar e defecar bem de fronte a porta. Aquilo me deu um nojo absurdo, como daria em qualquer um, por conta do cheiro e do aspecto terrível que aquele esterco tinha. Sempre fui um garoto de cidade de certo modo, e definitivamente não estava acostumado a ver animais defecando na porta da casa onde eu estava.
Não consegui voltar para o balanço enquanto não vi minha Vó atravessando o porão com uma pá na mão.
Com destreza, ela juntou tudo o que havia no chão e sorrindo, já no caminho de volta por dentro do porão e em direção à horta, me falou:

- “Isto eu vou aproveitar”.

Aquilo para mim foi perturbador. O que minha Vó poderia querer com aquele monte fedorento de estrume de cavalo? Onde ela ia colocar aquilo?
Em resposta à provável cara de nojo que fiz, sentado no balanço, ela prontamente me explicou:

- “Este é o melhor adubo que existe! Os pé de radicci vão crescer mais forte!”.

Minha Vó foi para um lugar melhor antes que eu pudesse conhecê-la realmente. Apenas durante a minha infância tive convívio com ela e com meu Vô, um dos aspectos ruins de ser caçula filho de dois caçulas. Mas naquele momento, mesmo sem querer, ela eternizou-se nos meus pensamentos com um ensinamento que talvez nunca imaginasse ensinar para alguém.

De tudo nesta vida podemos aproveitar algo. De qualquer coisa se tira uma boa utilidade, inclusive do esterco que fede. Aquele pequeno monte de estrume ajudou para que algo no futuro fosse parar na mesa da família, incluso talvez no meu prato durante mais alguma visita.

É nojento pensar nisto? É sim, talvez tanto quanto pensar que o que nos causa problemas e sofrimentos hoje, pode ser no futuro, algo que nos ajude a crescer/fortificar.

Feito adubo...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A atendente da oficina

Encontrei o Marcelo na rua estes dias e, como sempre, as risadas eram tão altas que chegavam a assustar quem passava.
O guri tornou-se um pequeno empresário bem sucedido. Abriu um negócio próprio nos últimos anos e, com a seriedade e o trabalho que só um cara como ele pode ter, a coisa está prosperando muito (mentira, o negócio está prosperando porque o cara arranjou uma mulher que colocou não só o empreendimento no lugar, mas como ele no lugar também...).
Pra variar, o que sobrou neste papo foram histórias engraçadas. O cara é o parceiro perfeito para se garantir momentos de bom-humor, e simplesmente não é possível encontrá-lo sem dar no mínimo uma meia dúzia de gargalhadas a plenos pulmões.
O Marcelo é um cara que nunca entendeu patavina de mecânica. O vivente não sabe nem trocar pneu direito (disse-me que aconteceu estes dias de furar um na estrada, e que quem trocou foi a “patroa”, enquanto ele fumava um cigarro... não tem nem vergonha o desgraçado). A história que me contou para admitir esta ignorância foi uma das épocas de solteiro.
Ele era dono de um Palio novinho na época, e infelizmente, logo depois que comprou o carro, envolveu-se em um acidente. Uma camionete o fechou em uma curva na estrada do mar, e os danos, “graças à Santa Madre Paulina” (o cara é devoto) foram apenas materiais. Diz ele que a frente do coitado do Palio se acabou, e que tiveram que colocar outra toda nova.
O seguro da camionete, causadora do acidente, pagou por todos os inconvenientes causados por seu motorista. Podendo escolher o local do concerto, Marcelo escolheu uma mecânica-chapeadora muito conhecida e que fica bem pertinho da sua casa. Chegando lá, viu uma enorme oficina que só trabalha com sinistros assegurados, e deu de cara com uma atendente que, muito simpática, veio atendê-lo:

- “O Senhor fará o serviço através de alguma seguradora?” – Perguntou.
- “Sim, farei.” – Respondeu, olhando para as belas pernas nuas torneadas pelo salto alto e pela mini-saia que a tal atendente vestia.

Palavras dele para descrever o que tinha visto:
- “Rafael, pensa em gostosa... agora pega esta gostosa que tu pensaste e multiplicas a gostosura por três. A mina não era boa velho, ela simplesmente tinha a bunda mais gostosa que eu já vi! E os peitos então! Nunca vi coisa tão boa!”
A atendente pediu o número de telefone dele, e deu da oficina, para que qualquer informação sobre o concerto fosse repassada ou perguntada na hora.
De acordo com o que me relatou, o que ele não sabia era que ela, que estava ali toda limpinha, na verdade era uma das que mais entendia de motores e carros ali dentro. A mulher era engenheira mecânica, e além disto vivia dentro daquela oficina desde criança, se sujando de graxa e brincando entre eleva-cars e ferramentas.
Três semanas depois, quando o Paliozinho ficou pronto, ele, todo empolgadão, foi de banho tomado e barba feita buscar o carro. Encontrou-a melhor do que nunca: calça branca da Brasil-Sul com bota bico-fino-salto-agulha preta até os joelhos...
Logo já foi perguntando sobre o serviço, até para que algum assunto fosse puxado:

- “Como ficou meu carro... você sabe?”
- “O serviço ficou ótimo Senhor. O Senhor vai gostar”. – Respondeu ela.

Ansioso para que aquele papo continuasse, perguntou ele, tentando impressiona-la com seus conhecimentos (inexistentes) de mecânica:

- “Afetou o carburador? E o estepe ali do motor? Deslocou de lugar”?

Fazendo cara de deboche, ela respondeu:
- “Meu Senhor, o seu carro é um Palio 2006 quase zero quilometro. O carburador foi substituído pela injeção eletrônica nos automóveis nacionais desde a o final da década de 80. Já o estepe... bom, o estepe fica na parte traseira do automóvel, debaixo do assoalho do porta-malas... já que o seu sinistro foi na parte frontal do carro, qualquer um que sabe ligá-lo poderia entender que o mesmo não foi atingido...”.
- “Ah tá. Só pra perguntar...”.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Irritando Rafael Fernando...

Para mim televisão é entretenimento, é diversão. Mas esta diversão por si pode ser inteligente às vezes. Adoro um programa que assisto no GNT todas as segundas no início da madrugada, intitulado Irritando Fernanda Young.
Confesso que a figura da apresentadora me atrai. Sexualmente falando mesmo. Se fosse analisar o porquê, acho que a imagem de mulher bonita a seu modo e segura de si é super sensual apesar de me assustar um pouco. Mas este não é o ponto que quero focar.
Quero falar da inveja que sinto. A coluna cervical do programa é bem simples: a apresentadora entrevista um convidado, e ambos discutem sobre o que mais irrita tanto a um, quanto a outro. Fala-se sobre tudo, desde hábitos de higiene até situações profissionais ou do cotidiano. É de uma criatividade muito simples e que eu sinceramente gostaria que fosse minha. O assunto é curioso, comum e divertido, e tem como efeito o que eu chamo de “é mesmo”, ou seja, consegue explicitar o que todo mundo sabe ou sente, mas não percebe.
Sirvo como exemplo neste caso. Todas as edições me pego pensando sobre o quanto os aspectos que eles abordam me irritam.
Como diz o ditado, “nada se perde, nada se cria, tudo se copia”. Já que com toda certeza nunca serei entrevistado no programa dela, e que com mais certeza ainda, também nunca terei um programa só meu, utilizo-me do meu paupérrimo blog para reproduzir de maneira direta uma pequena lista de algumas coisas que me tiram do sério. Se concordares comigo, ou tiveres algo a acrescentar de maneira particular, comente mais tarde.

O que me irrita:

- Tele marketing;
- Gente assoando o nariz perto de mim;
- Cheiro de asa;
- Conversas paralelas durante a aula;
- Homem que cozinha;
- Mania de limpeza;
- Atrolho, fila, mau atendimento e falta de segurança em balada;
- Bahia;
- Emo;
- Gillete nova;
- Velha que quer ser jovem e fala alto para chamar a atenção;
- Preconceito;
- A rivalidade “saudável” da dupla Grenal;
- Falar a mesma coisa três ou mais vezes e a pessoa insistentemente responder “hein!?”;
- Politicagem radical;
- “Homem é tudo igual”;
- Papo de malandrão: “Porque eu faço porque eu pego porque eu bebo porque eu brigo porque eu como porque eu acelero porque eu bato porque eu me chapo...”;
- “Bem cuidado aí tio”;
- Mulher com bafo e pelo no sovaco;
- Calor;
- Silicone exagerado;
- Pé feio;
- Cabelo de crente (nada contra ser crente, apenas contra o cabelo);
- Fofoca de historinha inventada;
- Tigrona de bailão;
- “Caiu na rede é peixe”;
- Surdina de CG e RD;
- Vizinho do andar de cima;
- Dono de camionete importada;
- Me acordarem gritando;
- Gente violenta;
- Barraco de velha com velha no meio da rua;
- Corneta de sorveteiro;
- Cheiro de peido no elevador;
- Chimarrão entupido;
- Mastigação de boca aberta;
- Torcedor fanático e que só critica;
- Policial que acha que pode te tirar pra guri e te mijar;
- Não cagar nem desocupar a moita;
- Gente que demora muito no banheiro;
- Desperdício exagerado;
- Falador metido a engraçado onde não tem que ser;
- Mulher que quer mandar em homem e vice-versa;
- Casa cor de rosa;
- Guria com bota do Frankstein;
- Quem fica pedindo chance sem ter feito nada errado;
- Espinha no nariz;
- Verruga peluda;
- Quem começa a falar algo e não termina, despertando curiosidade;
- Quem meche nos espetos de carne enquanto eu asso; E por fim:

- O quanto eu mesmo me acho chato. Hehehehe...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

O instinto canino...

Já comentei por aqui que quem tem a capacidade para fazer a razão prevalecer sobre o instinto é, em teoria, mais feliz porque sabe se defender e sofrer menos. Hoje comprovo que por vezes, o instinto deve prevalecer sobre a razão...

- “Cuida os cachorros que eles podem te morder...” – Alertou-me um amigo que, junto de mim, esperava dentro do carro para que o dono da casa os trancasse em sua garagem.
Os cachorros latiam de maneira raivosa, mostravam os dentes, rosnavam, corriam de um lado para outro do pátio. De toda e qualquer maneira tentavam nos afugentar e defender o seu território, nos entendendo como invasores.
Desci do carro com um pouco de cuidado por conta do aviso, apesar de adorar cachorros.
Momentos após, já na lida de carvão-fogo-cerveja-carne, em uma porta entreaberta ao meu lado, um dos cachorros enfiou-se pela fresta com olhar tímido e terno, como se quisesse saber se realmente eu era uma ameaça aos seus domínios. Coloquei em prática o que aprendi com pessoas que entendem de comportamento canino, e mostrei minha mão limpa na altura de seu focinho, para que o mesmo pudesse farejá-la e de sua maneira instintiva, perceber que nela não havia nada que pudesse atacá-lo. A partir daquele momento, o tal cachorro que na verdade era uma cadela, me deu sua total confiança e a cada chamado meu, vinha me fazer companhia acatando meus carinhos. No final da noite dava pra ver a felicidade estampada nos seus olhos quase brancos.
Esta era a Mel, uma cadela de rua que fora adotada pelo dono da casa, e como tal, tinha em sua personalidade traços de timidez e desconfiança muito fortes. O meu ato de mostrá-la que não estava ali para lhe ameaçar foi determinante para que o nosso relacionamento, naquele momento, fosse pacífico o suficiente para garantir segurança, carinho e respeito mútuo no próximo encontro.
Sempre me disseram que cão que ladra, não morde. Nunca havia acreditado nisto, até porque se compararmos com alguns comportamentos humanos...
Existem certas mulheres que, calejadas talvez por motivos que só o passado explica, tal qual um cão, demonstram prévia agressividade para afugentar quem por ventura possa se interessar por elas, mesmo sem conhecer a pessoa ainda. Atacam o que não tem que atacar, falam o que não precisam falar, brincam com o que não devem brincar e tentam nos humilhar de maneira velada, para que nós, possíveis pretendentes, desistamos da tentativa. Se formos persistentes e resolvermos enfrentar, levando o relacionamento adiante, as suas pretensões mais rasas são desde logo, deixar claro que todo e qualquer desvio de conduta futuro será pago com mordidas nos calcanhares.
Mas o que há de tão frágil dentro destes muros e destas cercas de arame farpado para justificar tal atitude?
Arrisco-me a dizer que é a garantia de que assim nós homens, que “somos todos iguais” (que raiva que me dá desta sentença) não lhes causemos nenhum ferimento como os que em outras épocas, foram causados por indivíduos de nosso mesmo gênero e espécie.
Ladram previamente para mostrar que podem machucar. Depois uivam por conta da solidão.

Embretados, nós temos três alternativas:
- Acreditamos que aqueles caninos grandes daquela que rosna alto realmente podem nos morder a jugular, e nos afastamos;
- Tentamos dar a cara à tapa, e insistimos iniciando um relacionamento já fadado ao fim com alguém que exigirá dar aprovação para cada respiração nossa, ou;
- Entendemos que tal qual fiz com a Mel, sem querer comparar as mulheres com nossos amigos caninos, é necessário tentar mostrar que não temos armas em punho, para que talvez ela, se abaixar as barreiras, possa dar-nos o voto de confiança necessário e nos proporcionar um relacionamento pacífico.

Sinceramente, ter de ficar provando idoneidade e caráter cansa. Mas ou se faz isto, ou se desiste de quem se quer logo no primeiro contato. É difícil ter de se arriscar a tomar mordida mesmo não oferecendo ameaça alguma (a ameaça está dentro da cabeça do ameaçado). De uma coisa eu tenho certeza: não quero mais me relacionar com pessoas que deixam previamente claro que terei de travar uma guerra fria com elas no futuro. Por mais que se insista, sinceramente, não há como ter condições de se levar adiante um relacionamento assim. Nestas horas concordo com vários que me escrevem, reclamando que querem alguém que não se precise comprar focinheira, alguém que não seja agressivo por conta do passado que em nada tem a ver com o atual relacionamento.
Hoje em dia, quando recordo dos problemas que tive com pessoas assim, sinto um misto de raiva daquelas “mulheres pit-bulls”, e constato que infelizmente não consegui, nem por alguns minutos, amá-las.

Simplesmente é impossível entregar sentimentos para alguém que só te mostra os dentes e que a cada segundo, oferece o perigo de te morder a batata da perna. Ninguém ama 100% nestas condições, e convenhamos, todos sabem o quanto é bom amar incondicionalmente alguém além de nós mesmos...

A Mel não vai latir pra mim da próxima vez. Isto porque ela, no seu instinto, deu o braço a torcer e me deixou provar que eu nunca vou feri-la.

Arriscou e ganhou meu carinho e respeito incondicional. Tudo aquilo que quero entregar sem receio algum em um relacionamento com alguma humana...

domingo, 13 de setembro de 2009

Novamente... proposital.

No último artigo, escrevi sobre o quanto bom é estar na fase inicial de um possível relacionamento. Hoje, de maneira planejada previamente ao concebimento daquele texto, vou propositalmente me contradizer.
Em uma análise direta, para onde voltarmos as nossas atenções perceberemos que sempre há o céu e o inferno, o bem e o mal, o açúcar e o sal, o mocinho e o vilão. No caso do assunto tratado, não há de ser diferente.
Proporcional ao estado de suspensão, o lado negro da força também é forte e vigoroso, proporcionando momentos de quase descontrole emocional por conta da insegurança que agora traduzo de maneira literal e específica: o medo de não saber os efeitos do que se faz, do que se fala, do que se sente e também do que se está representando para a outra pessoa. Sem falar no fato de que na maioria das vezes, não se sabe ao certo se a pessoa se relaciona atualmente com outras ou não, se há concorrência ativa ou não.
No texto passado citei também que todo o caminho percorrido neste período é planejado, apesar de ser ele completamente sem rumo. Contrariedade óbvia e proposital. Como seria um caminho planejado e sem rumo? Possível?
Sim, é. E a resposta é ao mesmo tempo super simples e super clichê: é aquele que todos sabem como será e o que fazer para percorrê-lo, mas quase nunca sabem onde vai dar. Podemos agradar a pessoa ou não, atrai-lá ou não, chamar a sua atenção ou não. De maneira mais direta, é o percorrer do trajeto da conquista e, o quanto este terá sucesso, que determina se o rumo ao objetivo desejado (conquistar) será tomado. Até lá as coisas correm quase sem navegação.
Contudo, o nível do quanto estamos perdidos/iludidos por vezes se mostra de maneira traiçoeira e cômica ao mesmo tempo. Muitas vezes percorremos o tal trajeto gozando de todas as felicidades das quais tratei, empolgados com a futura parceira e tendo a certeza absoluta de que além de estarmos apaixonados, despertamos uma paixão avassaladora nela também. Finalmente encontramos a nossa alma gêmea...
... até o primeiro beijo ou a primeira noite acontecer. Derrepente e como por um decreto, o encanto vai embora muito mais rápido do que chegou, e a gente fica torcendo para se der sorte, nunca mais encontrar a pessoa. Digamos que todas aquelas expectativas que tínhamos acabam por conta da completa falta de química, aspecto este que é jogado em nossa cara com a sensibilidade de um rinoceronte numa loja de cristais.
Criarmos expectativas e nos frustramos. Traçamos planos, mudamos as atitudes, abrimos mão de certas coisas e, bem no momento onde o início de toda uma nova vida de felicidades e satisfações deveria acontecer, o que acontece é apenas uma enorme decepção.

- // -

O balanço final do que vale a pena ser/fazer quanto as tuas futuras conquistas amorosas fica a teu cargo, querido leitor, até porque quem é responsável pela tua felicidade és tu mesmo, e não o meu texto. Não espere que eu vá oferecer respostas as tuas inquietudes, solucionar as dúvidas que tens intimamente sobre ser ou não ser romântico na hora da conquista. Bem da verdade, temos de ser nós mesmos e pronto.
Temos por obrigação saber o que é melhor pra gente e, na boa, eu sei o que é melhor pra mim. Tanto que faço tudo aquilo que tu leste no texto passado. Se vou me dar mal ou não, se vai rolar química ou não, é um risco que tenho de correr. Sempre tentei ser o mais fiel possível ao que penso e ao que sou quando conheço uma nova menina, ou seja, gosto de ser romântico sim, e não tenho vergonha disto.
Romântico sim, burro não. Existem certas coisas que aprendemos com o tempo e com as outras conquistas amorosas do passado, mesmo que muitas vezes estas mesmas coisas nos façam contrariar o que se sente ou o que se acha certo.
Se a pessoa não se encanta por flores, mas se encanta com alguém que não lhe dá muita atenção, com o foco em alcançar o objetivo de conquistá-la, será isto o que ela terá, mesmo sem perceber que...

...novamente tudo é proposital da minha parte.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Com o freio de mão puxado... de propósito.

Tempos atrás, um amigo me apresentou uma “conhecida”. Sabendo que sou um pouco avesso a este tipo de arranjo, ele preocupou-se previamente sobre qual seria minha reação quanto ao momento que o fato acontecesse, mas resolveu arriscar.
Durante alguma balada que não lembro qual, aproximaram-se ele, a atual namorada e a menina, que nada mais era do que uma amiga do casal que havia externado interesse por mim em outras ocasiões (tenho de admitir, ela era linda... morena de sorriso fácil e pernas longas). Ele tocou em meu ombro, me apresentou a tal e ficaram esperando, ambos os três, por uma reação que talvez não fosse tão boa. Abri um super e inesperado sorriso, e a partir daquele momento, tratei-a como trataria a melhor amiga, com a maior gentileza e educação possível. Conversamos bastante, e tudo acabou por ali no final da noite, com uma saudação educada e carinhosa de final de festa, uma adicionada no MSN e só. Nem beijinho rolou, e a coitada foi embora se achando um lixo no mínimo... ou que eu era gay. Mas paciência.
O tal amigo não entendeu o que eu tinha feito. Segundo ele, momentos após a apresentação, ele primeiro achou que eu fosse virar as costas para a menina (ela também achava), em um segundo momento, vendo que tudo deu certo, pensou que eu agiria como qualquer homem age, pisando afoitamente no acelerador e não demorando muito para “alcançar a meta”, por assim dizer. Esqueceu-se de um detalhe crucial, que particularmente rege todo e qualquer tipo de relacionamento meu.

Tem certas coisas que temos de aprender a dar valor.

Não sei se é pela passagem dos anos, se pelas gerações que vão sendo superadas (percebi nos últimos tempos que a minha já não é mais a atual), se pelas práticas amorosas que entraram em desuso, se é pelos relacionamentos que assustadoramente evoluem para algo cada vez mais informal... não sei. Só sei que vejo uma escassez de algo que hoje em dia, infelizmente, é raro... e respeitando a lei da oferta e da demanda, é tão bom quanto.
Eu já havia escrito sobre isto por aqui, mas quando conheço alguém que realmente me interessa, as vontades que tenho não são as puramente instintivas, aquelas que são esperadas de todo e qualquer “macho alfa”. Juro que a primeira coisa que me vem à cabeça é conhecer melhor aquela pessoa, conversar bastante, saber do que ela é capaz, e principalmente, qual é a sua capacidade de comprometimento, não só referente a um possível relacionamento, mas sim porque acredito que o que nos faz melhores pessoas é justamente isto, a nossa capacidade de comprometimento.
Sim, eu dou valor a outras coisas, e para isto, me utilizo de certas ferramentas que, tal qual as antigas Olivetti, praticamente ninguém mais utiliza.
Costumo (e costumam) dizer que sou um homem “a moda antiga”, ou seja, aquele que, de acordo com toda a rotulagem padrão, puxa a cadeira, abre a porta, presenteia com flores, adora programas românticos... o que ninguém se dá conta é que de maneira quase única pessoas como eu passam e praticamente obrigam quem nos relaciona a passar por fases ou sentimentos que ninguém mais tem tempo ou até paciência para sentir. E o melhor de tudo: fazemos isto curtindo e de maneira totalmente... proposital.
Sou lerdo quando me interesso por alguém. Mas sou lerdo propositalmente. Vou contra a maré e, torturando talvez um pouco a garota, puxo um pouco o freio de mão para tentar curtir ao máximo esta fase inicial de suspensão e encantamento. Que me atire a primeira pedra quem acha que olhares mútuos e brilhantes junto com sorrisos patetas não são bons, e aqui vai um puxão de orelha para aqueles que mentirosamente me responderam que não: está na hora de esquecer o que houve e te permitires a ter este tipo de felicidade. O amor verdadeiro e duradouro existe sim, e é justamente em meio às tentativas que acabam com os burros na água que o encontramos.
Tudo acontece planejadamente, mas ao mesmo tempo sem rumo algum. Temos de respeitar as fases e aprender a amá-las tanto quanto a pessoa que nos envolve.

O primeiro beijo sempre demora um pouco a acontecer, até porque acredito que o que vem fácil, vai fácil. Gosto da patetice que dá após o desligar de um daqueles telefonemas infinitos e que despertam saudades logo após o primeiro minuto. Fico sim, e com todo prazer, com cara de besta quando recebo uma mensagem de texto inesperada daquela pessoa. Gosto do frio na barriga que um encontro inesperado com a pessoa alvo proporciona. Adoro a sensação de insegurança ligada a vários aspectos no momento da conquista, e principalmente...

... adoro também a certeza de que estou certo em ser assim.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O Funeral...

Admito que às vezes seja difícil iniciar um texto, principalmente se este faz parte de um processo sofrido de auto-análise, meu esporte favorito. É brabo colocar certos pensamentos na tela, e mais brabo ainda, depois de escrevê-los, sair do dilema de publicá-los ou não.
Dilema este que quase sempre, tem o mesmo fim.
O que funciona para mim na hora de escrever é não ficar me preocupando com o que é moralmente correto ou com o que penso, mas sim com o que sinto ou sentia. É o tal coração na ponta dos dedos. Consigo escrever sobre o que não conheço, mas nunca sobre o que não sinto. O tema que abordo agora segue esta mesma linha, e é um tanto complicado e dolorido. Palavras para no mínimo trinta revisões.
Decidi procurar análise pela primeira vez há alguns anos atrás, quando naquela época, motivado pelo acúmulo de dificuldades, sofrimentos e insucessos em vários campos, achei minha humildade escondida em algum lugar e admiti que precisava de ajuda.
E como as coisas melhoraram depois disto.
O início deste tipo de processo sempre é um choque, pois pela primeira vez na vida tens de encarar o fato de que os teus sentimentos, sejam de alegria ou tristeza, são de inteira responsabilidade tua, ao contrário do que se imaginava até então. Temos a tendência a culpar os outros pelas nossas feridas, e sempre esquecemos que, se aquela ferida existe, foi porque deixamos que ela fosse aberta. Neste momento temos que peitar que a nossa felicidade, finalmente, e de certo modo, infelizmente, está SÓ em nossas mãos.
E não adianta mais se esquivar.
Certos diagnósticos doem quando são feitos, principalmente aqueles que revelam as causas das nossas carências. É neste período inicial que todas são cruelmente jogadas na mesa, para que enxergues o que realmente fere, e para que possas separar o que se quer para o futuro, e o que vais descartar. Aprendes literalmente a lidar com a dor na marra, mas desta vez de maneira mais correta e controlada.
Entre as constatações que me causaram mais dificuldades para transpor, a que revelou o quão alto meu nível de carência afetiva estava foi a pior. Recordo-me até hoje o momento em que me saltou aos olhos esta constatação, através da seguinte pergunta:

- “Tu já te pegaste imaginando quem choraria em teu funeral...”? – Perguntou-me a psicoterapeuta.
- “Já...” – Respondi.

Sempre tinha me imaginado dentro do caixão, mas sem um pingo de desejo de morrer. Imaginava as pessoas ao meu redor, chorando, sofrendo, dizendo e constatando finalmente o quanto eu era uma pessoa boa, reconhecendo o quanto valia para elas e o quanto faria falta. Imaginava as possíveis homenagens, as coroas de flores, quem iria até lá falar algo amoroso sobre mim e até quem que, durante a minha vida não me dera o valor que eu gostaria e que depois de morto, me daria este valor devidamente corrigido através do choro compulsivo e de meu nome clamado. Imaginava-me celebrado e amado naquele momento. Finalmente o reconhecimento, finalmente o carinho, finalmente o verdadeiro valor demonstrado. É o velho e clássico: “tu sentirás a minha falta o dia que eu me for...”.
Confesso que me entristeci muito durante alguns dias depois desta sessão. Foi difícil lidar com o fato de que a carência regia tanta coisa assim nos meus caminhos, a ponto de imaginar o meu próprio funeral para que as pessoas pudessem finalmente me amar e me valorizar. Foi duro.
Alegrei-me um pouco quando, já em outra semana, constatei através de conversas com profissionais ligados a área que tal comportamento é natural e comum, e nem é tão ruim assim. Se não obtemos o que queremos na vida real, o caminho mais fácil é obter em sonho, mesmo que este sonho seja completamente estapafúrdio, e pasmem: levando-se em conta os efeitos a serem atingidos, tanto em um quanto em outro eles serão iguais.

Hoje em dia não me imagino mais morto. Passei desta fase. Mentirei se disser que a carência foi embora, até porque níveis variados de carência serão sempre encontrados em todos nós. Digamos então, que apenas consegui transferi-la para quem realmente interessa que cuide dela.

Como disse antes, aprendemos com a psicoterapia a sermos responsáveis perante os nossos próprios sentimentos. E já que existem e existirão períodos compulsórios na vida em que carinho, amor, reconhecimento e atenção estarão em falta...

É bom que nós mesmos cuidemos disto ao invés de esperar que os outros cuidem, por mais clichê que isto possa parecer...

domingo, 23 de agosto de 2009

Eu acredito em fantasmas...

Chega um dia na vida, em que percebemos que não estamos sós.
Não foram poucas as reuniões sociais onde estive presente em que os assuntos “espíritos” ou “fantasmas” permearam o que seria dito durante grande parte da noite. Pessoas das mais variadas religiões, credos ou até mesmo níveis de instrução, sempre relataram histórias próprias ou de quem quer que seja, onde presenciaram das mais variadas formas o que ninguém na vida deseja ver: algo ali, parado ou se movendo, lhes assombrando.
Confesso que chegava a me sentir deslocado.
Sempre respeitei tais histórias e opiniões dos meus amigos e amigas naqueles momentos, mas sempre deixei claro que, nunca nada parecido havia acontecido comigo nem com ninguém de minha família, e que, portanto e por decorrência disto, era totalmente descrente na existência das tais “assombrações”. Isto durou até este momento.
O que aconteceu hoje não foi um fato especifico, nem ao menos alguma experiência física ou sensorial em que algum ectoplasma teve participação. Foi apenas uma constatação.
Acordei hoje com a extremamente incômoda sensação de que alguém estava me visitando. Mas não eram aqueles fantasmas brancos de senhoras velhas e sofridas das historias regadas a cabernets que eu tanto ouvia. Era outra coisa. Levei um tempo para perceber que aquilo... aquilo era outro tipo de fantasma: os do passado.
Sofro neste momento de um pequeno mal, uma pequena tristeza, uma pequena sensação de que algo se pendura em meu pescoço e me puxa para baixo com um pequeno vigor, como um peso que volta e meia, resolve pesar. O tal fantasma do passado hoje resolveu retornar, como acontece de tempos em tempos.
Nunca lhes dou boas vindas, apesar de perceber que eu mesmo às vezes, faço por onde para que os mesmos apareçam de vez em quando, acreditando inconscientemente que tal conduta seja corriqueira e normal para todos nós.
Corriqueira mas errada.
Isto nunca é saudável. Nunca faz bem reviver o passado e tentar entender o que estava entre a serpente e a estrela.
Todos nós temos os nossos fantasmas do passado e sentimos a influencia deles quando menos se espera. Sentimentos ruins retornam, decepções antigas ressurgem em nossos corações e nos causam dores que ainda brilham como novas. Fotos, sorrisos, abraços e carinhos daqueles que se foram em Terra. Coisas que nos pertenciam e que não nos pertencem mais.
Portanto hoje, motivado pelo fim da minha paciência não só com a simples existência de tais fantasmas, mas sim com o incômodo que os mesmos vêm me causando periodicamente durante anos, tomo uma decisão que beneficiará não só a mim, mas também às pessoas que, pela ação da justiça de Deus e do destino, cruzarão os seus caminhos com o meu.

Livro-me de vocês esta noite, fantasmas decadentes. No passado, vocês existiram, foram reais. Hoje, além de não serem mais a expressão do que é verdadeiro, não há qualquer beneficio ou razão nas suas existências. Se por alguma travessura, vocês se negarem a ir embora como usualmente têm feito, passo então, tal qual um esquizofrênico que não se livra nunca de seus companheiros imaginários, a ignorá-los com todas as minhas forças. Chega. Não agüento mais.

Passo hoje a declarar posse de meus sentimentos. Sei que tenho condições de direcioná-los em alguma direção. Como para um possível futuro feliz, por exemplo...

... agora, controlá-los é outra história.