segunda-feira, 25 de março de 2013

A busca pela perfeição


“Sempre acreditei nos números. Nas equações e na lógica que levam à razão. E após uma vida toda de buscas, pergunto: o que realmente é a lógica? Quem decide a razão? Minha procura me levou através do físico, do metafísico, do ilusório, e de volta. Neste momento fiz a descoberta mais importante da minha carreira. A descoberta mais importante da minha vida. É somente nas misteriosas equações do amor, que qualquer lógica ou razão pode ser encontrada." – John Nash, no filme Uma Mente Brilhante.

Linda afirmação. Mas além de linda, intrigante. Diria que tal sentença mais me intriga do que me encanta.
As equações do amor são realmente, misteriosas. Peguei-me aqui pensando com meus botões, sobre quanto o amor e a paixão foram mistérios insolúveis para mim, partes integrantes de um cálculo que nunca chegou, mas espero um dia que chegue, ao seu resultado final.
Já escrevi outrora que, não sou um heterossexual galinha, nem cheguei perto de ser. Mas digamos que já tenha me envolvido amorosamente com pessoas muito diferentes entre si, experiências que, além de me proporcionar uma enorme montanha-russa de sentimentos, me fizeram buscar e obter um autoconhecimento saudável e ao mesmo tempo, um pouco doloroso pela capacidade de autocrítica exacerbada.

O autoconhecimento. Talvez ai se encontre o verdadeiro mistério de todas as mentes pensantes que habitam qualquer mundo. No longo caminho que esta questão requer, o principal passo, e o mais difícil de ser dado, é justo o primeiro: O início, a decisão de se buscar algo que faça a cabeça ser aberta, o conteúdo espalhado em cima da mesa, e analisado como nunca antes fora.
Há alguns anos atrás, motivado pelo coração mais rompido que já tive, e pelas consequências desastrosas acarretadas por tal fato, cheguei a conclusão mais importante e que mais precisava na vida: a de que não tinha condições de lidar com aquelas emoções sozinho. A partir deste momento, fiz aquilo que há muito deveria ter feito. Busquei o telefone da psicoterapeuta que mais confiava, e disquei.
Durante este tempo todo de análise, continuei vivendo e não deixando de viver todos os relacionamentos que me propus, tendo como experiência tudo aquilo que teria de ser experimentado. Every little thing era motivo de aprendizado, e a consequência de tudo isto foi o diagnóstico mais puro e verdadeiro que pude chegar.

Sim, eu sou um auto sabotador.

Maneira mais estranha de se concluir isto, nunca houve.
Estava eu assistindo alguns clipes através da MTV, quando uma pequena reportagem sobre uma cantora norte-americana da nova geração começou. Como não tinha mais nada para assistir, nem fazer, continuei prestando atenção. O nome da menina era Demi Lovato, e apesar de bem jovem, me pareceu que a mesma era ao mínimo competente no que fazia. Não havia despertado maiores interesses por aquela figura, até que... veio a bomba, a verdadeira flechada no coração disparada pelo cupido filha-da-puta: relataram que a mesma sofria de distúrbios alimentares, bipolaridade e até automutilação...

Automaticamente uma vontade incrível, e incrivelmente estranha, apareceu. Uma vontade de aconchegar aquela menina no colo, e como num passe de mágica, solucionar todos os seus problemas, seus sofrimentos, suas aflições. Despertou-me o primeiro passo de um sentimento de carinho, assim como o conheço.
Juntei minhas únicas e verdadeiras paixões, analisei com base neste sentimento e... bingo!
Percebi com uma simples reportagem televisiva que, o que realmente me encantava nas mulheres não era sua beleza externa ou interna, seu caráter, sua personalidade, ou detalhes e características boas e marcantes... eram sim, seus defeitos aparentes e não aparentes.
Percebi de uma vez por todas, que todas (eu disse todas) as mulheres que realmente me apaixonei na vida (não todas que me envolvi), tinham uma coisa em comum: distúrbios psicológicos capazes de me causar os problemas mais insolúveis que se pode ter. E assim, meus olhos brilhavam descontroladamente.
A coisa funciona de maneira bem simples... só consigo abrir meu coração e me entregar para aquelas que possuem a estranha capacidade de me fazer sofrer, sem possibilidades de chamar a assistência técnica ou de sarar a ferida. Só perco meus freios realmente por aquelas mulheres que possam confirmar meus esquemas malignos.

Ai é que está. A grande descoberta é que a perfeição que tanto busco, que tanto almejo e tanto procuro nas mulheres que me relaciono talvez não seja bem o que é perfeito, mas sim o que é imperfeito. Não busco a perfeição, mas sim a imperfeição. Ou talvez minha perfeição seja a imperfeição.

Tal constatação é ao mesmo tempo libertadora, e aprisionante. Pela primeira vez na vida estou de frente a algo que realmente me modifica, e ao mesmo tempo me apavora. Ultrapassar esta questão, e deixar-me inconscientemente levar por alguém que realmente presta, passa a ser agora o que há de caminho aparente para a felicidade amorosa. Mas o problema é sempre o mesmo: como fazer isto.

Gostar apenas de mulheres-bomba não pode ser meu carma, minha custa, meu destino. Ninguém merece tal pena. Me nego a arcar com tal sanção. Está na hora de mudar.

Todos dizem que a perfeição não existe...

... mas uma perfeição tão deturpada não poderia existir justamente nos meus parâmetros...

sábado, 23 de março de 2013

As maiores mentiras que já ouvi...


- Me perdoa, juro que não vou fazer mais, te quero de volta. (Pelos próximos 5 minutos);
- Não sou ciumenta. Juro. (“Quem é aquela piranha que olhou pra ti?” – “Minha avó materna”);
- Hoje não, tô com dor de cabeça. (Após o namorado procurar aquilo que elas vivem reclamando que procuram pouco);
- Eu não me importo com aquela tua amiga solteira, jovem, bonita, bem sucedida e que te adora. (Só desejo que ela morra queimada viva);
- Eu não vou reclamar mais, prometo. (Só do futebol, da tua mãe, do teu ronco, da toalha molhada, da tampa do vaso...);
- Não te largaria por qualquer coisa no mundo. (Só pelo vizinho, colega de trabalho, amigo, desconhecido da balada, cachorro, papagaio, periquito...);
- Eu só me atraio por ti. Só penso em transar contigo. (Além do vizinho, colega de trabalho, amigo, desconhecido da balada, cachorro, papagaio, periquito...);
- Não sei viver sem ti. (Nem contigo);
- Não me importa o carro que o homem tem. (Desde que seja grande, novo, luxuoso, esportivo e caríssimo. Ah, e que chame bastante atenção, claro.);
- Não me importa se ele tem dinheiro ou não. (Desde que tenha para as festas, para os jantares, motéis da moda, viagens ao exterior, joias, roupas de marca e para me sustentar por completo);
- Não me importa se ele é bonito ou feio. Não faço questão de beleza. (Tipo, pode ser feio como o Gianechinni);
- Odiamos homens cachorros. (Deve ser por isto que os bonzinhos só se fodem);
- Dei super pouco na vida. Passava muito tempo sem dar pra ninguém. (Regra do “3” das mulheres, lembram...?)
- Mulheres traem só se envolver sentimento. (Aham. Sim. Pois é);
- Mulheres não peidam. (Só quando comem);
- Não me importo em passar perrengue, desde que tenha amor. (Mas amor nenhum sobrevive ao perrengue);
- Sou uma mulher que não sonha em casar. Quero ficar solteira o resto da vida. (Ou até meu príncipe encantado chegar no seu cavalo branco);
- Eu não te amo. (Te amando perdidamente);
- Eu te amo. (Não posso te ver mais pela frente);
- Eu não quero ser mãe. Não penso em ter filhos. (Nenhuma mulher quer... não é?);
- Vou começar a dieta. Amanhã. (Hoje não, tem pizza);
- Juro que vou buscar tratamento psicológico. (Mas na verdade, espero deixar de ser louca bipolar sozinha);
- Eu não gosto de fofoca. (Só quando o assunto sejam outras pessoas que não eu);
- Adoro estudar. (Mas antes, tenho de passar algumas horas no face, no instagram e no twitter);
- Telefone? Odeio. (Falo só a 1h30m necessária);
- Eu nunca menti na vida. (Só agora);
- Se tu não tiver dinheiro, não tem problema, eu te ajudo. (Até encontrar outro que tenha);
- Adoro teus amigos! São todos ótimos! (É só não falar nem encontrar com eles que tá tudo certo);
- Minha mãe te adora! Te acha o genro ideal! (Ela só é uma bruxa má que faz feitiços para que tu morra sendo devorado vivo por animais peçonhentos);
- Minhas amigas? Todas putas! (Que moram no convento);
- Meus irmãos não tem ciúme de ti. (Só querem te matar desde que te conheceram);
- Não gosto de homem musculoso. (Só daqueles que são maiores do que tu);
- Não gostaria de ter peitos grandes. (Por isto que o Brasil deve ser recordista de implantes de silicone);
- Homens brocharem...? Nós mulheres entendemos perfeitamente. (FDP!!!);
- Meu ex-marido? Esqueci completamente. (Só penso minuto sim, outro também);
- A esposa do meu ex-marido? Adoro ela! Sou amiga! (Aquela puta...!);
- Não tenho inveja por ela ser mais magra do que eu. (Aquela puta...!);
- Só homem pensa em transar com a melhor amiga da namorada, com a cunhada, com a prima, etc. (É, e eu sou o palhaço Bozo);
- Tamanho não é documento. (Desde que tenha mais de 20 cm);

E a pior de todas:

- OOhhh OOhhh UUhhh UUhhh AAhhh AAhhh... EU TO GOZANDO... (Será que a Morena vai ter filho na caverna mesmo...?).

 

quinta-feira, 7 de março de 2013

Bipolaridade: Percorrer da Starway to Heaven até a Highway to Hell em segundos...

Previamente, gostaria de esclarecer que este texto que estás prestes a ler não foi escrito por um psicólogo ou psiquiatra especialista em distúrbios psíquicos, e que, portanto, o mesmo pode conter falhas no sentido literal dos assuntos abordados. Tais palavras a seguir foram escritas baseadas unicamente em experiências estritamente pessoais, e se, ao lê-las, não concordares com o que está ali contido, releve, por favor, as falhas deste que vos fala.

Hoje gostaria de abordar um assunto que está relativamente na moda, como sendo talvez um dos males humanos mais famosos descobertos nas últimas décadas. Quero falar amadoramente sobre a bipolaridade, assim, como se estivéssemos conversando sobre o assunto.
De acordo com pesquisas realizadas (por mim) junto a profissionais da área, a bipolaridade é uma forma de transtorno caracterizado pela variação extrema do humor, normalmente alternando fases entre a maníaca (caracterizada pela depressão, profunda tristeza, inibição, lentidão de raciocínio, ansiedade, falta de vontade em geral), e a hipomaníaca (caracterizada por uma gigantesca alegria e exacerbada euforia). Geralmente as fases se alternam de acordo com o nível de estresse, e apesar de não haver idade certa para o problema ocorrer, normalmente estes distúrbios acontecem com mais frequência entre pessoas acima dos 30 anos, sem distinções entre os sexos, mas com um fato estranhamente corriqueiro: a maioria dos bipolares são divorciados ou colecionam relacionamentos falidos, talvez até em decorrência da variação gigantesca do humor pessoal.
A maioria deles não sabe de seu transtorno, ou nunca tiveram diagnosticado o seu problema. Sendo assim, talvez nunca tenham pensado realmente que possam ser portadores do distúrbio, atribuindo as suas extremas variações de humor e comportamento como simples “altos e baixos”, ou como decorrência de circunstâncias momentâneas.
Bem da verdade, eu não gostaria de tratar do assunto analisando só como o Bipolar é ou age, mas também abordando os efeitos que estes dois seres contidos em um só ocasionam em quem se propõe a viver uma rotina em conjunto, ou seja, a quem se apaixona por este individuo.
Escrevo agora na qualidade de alguém que convive com uma pessoa que sem saber, é bipolar. Recordo-me de uma novela, que acredito ser Irmãos Coragem, onde uma personagem interpretada pela Glória Menezes tinha o que na época chamavam de “dupla personalidade”. Acredito que esta personagem hoje exemplificaria claramente o que é o transtorno bipolar para aquele que está de fora, observando e ao mesmo tempo, tentando acompanhar o que é quase impossível de ser acompanhado. A sensação de conviver com um bipolar é mais ou menos como tentar empinar uma pipa e mantê-la estável durante um furacão. Nunca se sabe com quem tu acordarás, e que tipo de dia tu terás ao lado desta pessoa. Não há como ter preparo prévio, e esta falta de previsibilidade do que irá acontecer enlouquece qualquer um.
De maneira clara: é como se duas pessoas completamente diferentes vivessem dentro de uma só, alternando com a velocidade de um raio a personalidade que vai aparecer, sempre de maneira forte e enérgica. Estas duas pessoas são realmente completamente diferentes, inclusive em suas características mais marcantes, até valores pessoais e familiares. O sol e a lua, o dia e a noite, Grêmio e Inter, preto e branco, doce e salgado, mole e duro, vivo e morto... tudo dentro de um individuo somente, que não se divide em dois... é dois por completo e em separado, em momentos distintos.
Para de maneira muito simples deixar claro o que acontece e qual é a sensação, como exemplo usarei esta pessoa que citei, e suas duas personalidades distintas. Chamarei a primeira de Bruna, e a segunda de Aline.

Bruna é a personificação da alegria em pessoa, exala simpatia e queridez. Aline encarna com perfeição o inferno na terra, é tão sombria e triste quanto a pior das noites.
Bruna amanhece com entusiasmo, descansada, feliz, de ótimo humor e alegre. Aline não quer nem que o dia amanheça, agindo o resto do dia como se ainda estivesse na cama.
Bruna gosta de sorrir, fazer piada e rir alto de boca aberta. Aline odeia alegria, acha besta rir, e se irrita com quem está alegre ou rindo a sua volta.
Bruna não fuma, não bebe, come bem e se preocupa com a saúde e a boa forma. Aline bebe muito, fuma compulsivamente, passa talvez dias sem comer ou ter fome, e está pouco cagando com o que vai lhe fazer bem ou mal.
Bruna me ama a ponto de declarar seu amor pessoalmente e publicamente. Aline alterna momentos de ódio puro por mim com momentos de total indiferença, como se eu fosse um vaso, uma cadeira, uma mesa, um utensílio doméstico qualquer, algo inanimado dentro de casa.
Bruna é atenciosa, a ponto de levantar da cama cedinho da manhã para preparar meu café antes que eu saia para trabalhar. Aline chega a odiar o beijo de bom dia e de despedida, pois atrapalha seu sono.
Bruna é sensual, sexual, extremamente fogosa, gosta mesmo das noites calientes que temos entre quatro paredes, se interessando e muito por tudo o que fazemos na cama. Aline se irrita em ter de dividir o espaço da cama com alguém, e se esse alguém chega muito perto ou tem a petulância de insinuar algo, empurra com força para o outro canto.
Bruna é de confiança, honesta e séria quando o assunto é fidelidade. Aline se insinua para outros homens, pouco se importando com quem esteja, por vezes até na frente do titular ou de todos os seus próprios amigos e parentes.
Bruna se acha linda, tem orgulho do seu corpo e se gosta muito. Aline se esconde embaixo do lençol, transa de camiseta e não gosta que lhe abracem pois com as mãos podem tocar o que está insatisfeita.
Bruna gosta de trocar carinho, de beijos, de abraços, de cheiros no pescoço, me procura muito para oferecer tudo isto e pegar a contraprestação. Aline passa dias sem nem me olhar, não fala comigo, reage mais fria que o polo sul quando é beijada e não gosta de proximidade corporal. Atitude própria em busca da troca de carinho não existe. Este ato é mais raro que comunista tomando Coca-Cola.
Bruna é muito educada, preocupada com o que vai falar e com as consequências de suas palavras. Aline me ofende muito, fala palavrão a toda hora, palavras de baixo calão em qualquer inicio e fim de frase, não se importa com este fato e com o mal estar que vai me gerar, e tem certeza que sou obrigado a entender e aceitar qualquer coisa que me fala ou faz.
Bruna é animada, gosta de sair, de se divertir e de aproveitar bons momentos. Aline inventa desculpas para não comparecer a eventos já combinados, atribuindo sua completa falta de animo a qualquer coisa que não seja a si mesma.
Bruna dorme noites inteiras profundamente feito um anjo. Aline dorme pouco, acorda com sono e bota a culpa do mau humor erroneamente neste fato.
Bruna me abraça durante a noite, puxando meu braço quando estamos de corpos separados dormindo. Aline talvez preferisse que eu nem estivesse ali.
Bruna é autoconfiante, segura de si e não precisa de autopromoção. Aline necessita humilhar quem lhe gosta, principalmente seu homem, de preferência na frente da família ou dos amigos, para se autopromover e se sentir mais valorizada.
Bruna fala em casamento, faz planos de uma vida inteira a dois e fala claramente em como seria a cerimônia. Aline quer ser solteira a vida toda, não se importa (falsamente) com a solidão e com a solteirice, e faz discursos inflamados contra a condição de um relacionamento sério.
Bruna não se importa com a ideia de ter filhos, e cogita o fato com naturalidade. Aline diz que é impossibilitada fisicamente e psicologicamente de tê-los, colocando culpa inclusive na impossibilidade biológica que diz ter.
Bruna liga a noite para dizer que está com saudade, me pede para ir a casa dela logo mais, e que quer nem que seja, dormir ao meu lado algumas horinhas. Aline não dá valor algum a longas viagens realizadas para vê-la, a todos os esforços envolvendo distanciamento da família em momentos importantes, na chegada age friamente na saudação, e ao longo de todo o convívio deixa muito claro que não está muito se importando com o fato deu estar ali. Passado um lapso de tempo, pede literalmente para que eu vá embora.
Bruna sente minha falta e não consegue viver sem mim. Aline rompe comigo porque não gosta de sair da sua zona de conforto.
Bruna dá muito valor a nossas conversas e a minha opinião sobre todos os assuntos, importantes ou não. Aline diz que o que menos precisa é da minha palavra, e que a mesma é completamente dispensável.
Bruna é sensível, sociável, analisa as coisas utilizando um misto saudável de razão e emoção, enfrentando os problemas com menos dificuldade, e aceitando ajuda dos outros. Aline é dura, cruel, prega que a melhor maneira de se lidar com as dificuldades é sendo uma pedra, fria e seca, agindo sozinha e tomando porrada de todos os lados.
Bruna compartilha decisões. Aline manda. E ai de quem não obedecer.
Bruna é muito querida e uma companhia agradabilíssima... Aline sinceramente... é insuportável...

Conviver com um bipolar é algo que realmente tem prazo de validade para aqueles que têm opção de escolha. Existe uma obrigatoriedade de adaptação que se torna um caminho tortuosíssimo, e em minha opinião, intransponível, pois já que a cônjuge age como duas pessoas diferentes em momentos diferentes e imprevisíveis, aquele que a acompanha tem de adotar dois comportamentos diferentes também, adaptáveis ao momento que se apresenta, para tentar ao menos, ter um pouco de paz... mutação que claramente não é possível para aqueles que são únicos, unos, estáveis e coerentes em todos os seus momentos. Quem não é bipolar, não consegue ser de proposito ou por querer.
Há de se considerar e avaliar ambas as personalidades, seus verdadeiros pesos e medidas, como se fossem colocados opostos em uma balança. Se a Aline pesar mais do que se possa aguentar, infelizmente a Bruna perderá seu valor... e meu objetivo passa a ser a busca pela tranquilidade e pela felicidade pessoal, abandonando o relacionamento por completo. A Bruna não consegue ser separada da Aline, e a Aline não pode ser descartada da Bruna. Não existe a possibilidade de se ter apenas uma das duas. O pacote engloba ambas, em conjunto... sem direito a optar pelos opcionais de fábrica que mais me agradam. Não dá pra escolher viver com uma, sem ter de ser obrigado a lidar com a outra.

Confesso: da Bruna, dos momentos especiais e das felicidades que ela me proporcionou, eu sinto saudades e falta. Escolheria ela para ser a mãe dos meus filhos, e a tornaria minha esposa a qualquer momento, em qualquer oportunidade. A amaria com todas as minhas forças e gostaria de compartilhar o resto dos meus dias com ela...

... Já da Aline eu quero a maior distância que duas pessoas possam ter. Quero ter a cruz que afasta este demônio que habita o planeta terra. Nunca mais quero ter que passar por situações iguais as que ela me impõe, ou ter de conviver com alguém que contenha ao mínimo algum dos seus traços malignos.

Digo com veemência: infelizmente viver a vida ao lado de alguém que te coloca entre a Starway to Heaven e a Highway to Hell... só é possível mesmo no MP3...

domingo, 24 de fevereiro de 2013


Nunca fui de copiar textos de outros(as) autores(as) para explicitar aquilo que penso. Mas com este, com este foi diferente. A autora destas sábias palavras é a grande dama Fernanda Montenegro, talvez um dos únicos indivíduos brasileiros que representam uma unanimidade na opinião nacional. Sem mais delongas, passo a apresentar o belíssimo texto que a mesma escreveu. Abraços e beijos carinhosos a todos vocês! Logo logo, estarei voltando.

 

"O modo de vida, os novos costumes e o desrespeito à natureza tem afectado a sobrevivência de vários seres e entre os mais ameaçados está o macho da espécie humana.

Tive apenas 1 exemplar em casa, que mantive com muito zelo e dedicação num casamento que durou 56 anos de muito amor e companheirismo, (1952-2008) mas, na verdade acredito que era ele quem também me mantinha firme no relacionamento. Portanto, por uma questão de auto-sobrevivência, lanço a campanha ‘Salvem os Homens!’ Tomem aqui os meus poucos conhecimentos em fisiologia da masculinidade a fim de que preservemos os raros e preciosos exemplares que ainda restam:

1. Habitat

Homem não pode ser mantido em cativeiro. Se for engaiolado, fugirá ou morrerá por dentro.

Não há corrente que os prenda e os que se submetem à jaula perdem o seu DNA. Você jamais terá a posse ou a propriedade de um homem, o que vai prendê-lo a você é uma linha frágil que precisa ser reforçada diariamente, com dedicação, atenção, carinho e amor.

2. Alimentação correcta

Ninguém vive de vento. Homem vive de carinho, comida e bebida. Dê-lhe em abundância. É coisa de homem, sim, e se ele não receber de você vai pegar de outra. Beijos matinais e um ‘eu te amo’ no café da manhã os mantém viçosos, felizes e realizados durante todo o dia.

Um abraço diário é como a água para as samambaias. Não o deixe desidratar. Pelo menos uma vez por mês é necessário, senão obrigatório, servir um prato especial. Portanto não se faça de dondoca preguiçosa e fresca. Homem não gosta disso. Ele precisa de companheira autêntica, forte e resolutiva.

3. Carinho

Também faz parte de seu cardápio – homem mal tratado fica vulnerável a rapidamente interessar-se na rua por quem o trata melhor.

Se você quer ter a fidelidade e dedicação de um companheiro completo, trate-o muito bem, caso contrário outra o fará e você só saberá quando não houver mais volta.

4. Respeite a natureza

Você não suporta trabalho em casa? Cerveja? Futebol? Pescaria? Amigos? Liberdade? Carros? Case-se com uma Mulher.

Homens são folgados. Desarrumam tudo. São durões. Não gostam de telefones. Odeiam discutir a relação. Odeiam shoppings. Enfim, se quiser viver com um homem, prepare-se para isso.

5. Não anule sua origem

O homem sempre foi o macho provedor da família, portanto é típico valorizar negócios, trabalho, dinheiro, finanças, investimentos, empreendimentos. Entenda tudo isso e apoie.

6. Cérebro masculino não é um mito

Homens não gostam de mulheres burras. Alguns procuram aquelas que fingem não possuir cerebro (e algumas realmente não possuem! Também, 7 bilhões de neurónios a menos). Então, aguente mais essa: mulher sem cérebro não é mulher, mas um mero objecto de decoração. Se você se cansou de coleccionar amigos gays e homossexuais delicados, tente se relacionar com um homem de verdade. Alguns vão lhe mostrar que têm mais massa cinzenta do que você. Não fuja desses, aprenda com eles e cresça.

E não se preocupe, ao contrário do que ocorre com as mulheres, a inteligência não funciona como repelente para os homens. Não faça sombra sobre ele…

Se você quiser ser uma grande mulher tenha um grande homem ao seu lado, nunca atrás. Assim, quando ele brilhar, você vai pegar um bronzeado. Porém, se ele estiver atrás, você vai levar um pé-na-bunda.

Aceite: homens também têm luz própria e não dependem de nós para brilhar. A mulher sábia alimenta os potenciais do parceiro e os utiliza para motivar os próprios. Ela sabe que, preservando e cultivando o seu homem, ela estará salvando a si mesma. E minha Amiga, se Você acha que Homem dá muito trabalho, case-se com uma Mulher e aí Você vai ver o que é Mau Humor!

Só tem homem bom quem sabe fazê-lo ser bom! Eu fiz a minha parte, por isso meu casamento foi muito bom e consegui fazer o Fernando muito feliz até o último momento de um enfisema que o levou de mim. Eu fui uma grande mulher ao lado dele, sempre.

Com carinho,
Fernanda Montenegro"

 

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Um brinde...!


É incrível como às vezes sentimos a necessidade de escrever. Por vezes, com os acontecimentos da vida, sentimos a vontade incontrolável de externar o que nos acontece, mas claro, de maneira a não nos expor sem o devido controle.

Hoje sinto a necessidade de brindar e comemorar algo. Brindar e comemorar, além de necessário às vezes, é salutar, e de extrema valia.

Levanto minhas taças nesta noite comemorando as diferenças que existem entre as pessoas. Sim, as diferenças, e não o que existe em comum. O quão chato seria o mundo e a vida se nos relacionássemos com aqueles que apenas nos concordam. O quão difícil seria a vida se não tivéssemos de conviver com aqueles que nos dizem que estamos errados, que estamos trilhando o caminho que não se deve trilhar, que a direção seguida não é a ideal.

Barack Obama, agora em sua reeleição, nos disse sabiamente que prefere se cercar de pessoas que apontem seus erros, ao invés daquelas que apenas o bajulam. A grandeza disso é inimaginável e, acredite, extremamente benéfica. Por vezes nos vemos pensando e acordando em coisas erradas, em maneiras erradas de se enfrentar a vida e as dificuldades. Feliz daquele que tem quem diga: “cara, para um pouco e pensa. Estás fazendo isto errado...”, ou “mude porque isto não será mais aceitável...”.

Tudo o que fazemos, fazemos respeitando um protocolo que aprendemos com o tempo. O nome deste protocolo é “esquema”. Os nossos esquemas são como forças imperceptíveis que nos fazem agir de modo a nos proteger sempre, da maneira como aprendemos que é e será melhor. O problema é que quase sempre estes esquemas te limitam e te trazem problemas inconscientes, problemas estes que tem consequências que, se não fizermos as devidas manutenções, nos criarão situações definitivas futuras que não são as desejáveis.
Aprendemos por exemplo, a lidar com quem nos relacionamos com atitudes e comportamentos que muitas vezes não são os ideais, não são os corretos. Estas atitudes nos trazem dificuldades, e conforme citei, são imperceptíveis. Todos nós, de uma maneira ou outra nos defendemos, mesmo que seja concordando com o que não se deve concordar e aceitando o que não se deve aceitar.
Aí é que está. O problema é que este tipo de conduta te traz malefícios que te impõem um prazo de validade às situações. Saber identificar o quanto antes estes malefícios citados é uma grande vitória. Saber o que está acontecendo, saber as consequências disto, e tentar concertá-los, é o caminho a se seguir, sempre.

As pessoas são diferentes, eu já falei (e comemorei). Todas elas têm os seus esquemas para lidar com o que acontece, também já citei isto. O elemento cerne da questão que quero abordar é que, quando dois mundos diferentes colidem, os donos destes mundos têm de ter a humildade de aceitar que a conduta adotada anteriormente talvez não seja a ideal, talvez não seja a correta. A vida muda, as pessoas passam por ela como água por debaixo da ponte, e não podemos querer tratar a todos os que aparecem na nossa frente da mesma maneira, ou da maneira que aprendemos com outras pessoas que estavam na mesma situação que as novas. Todos são diferentes, e FELIZMENTE, temos de ser pessoas diferentes na lida diária com elas, conservando a essência, é claro.

Todos nós nos deparamos com isto, com termos gente diferente e estranha ao nosso lado. Todos nós nos vemos por vezes em bretes, vielas sem saída, procurando analisar se devemos ao menos pensar no que contribui para as dificuldades aumentarem, e no que devemos mudar.

Felicitemos a isto, meus queridos companheiros! Felicitemos a evolução diária, ao aperfeiçoamento humano, a vida que a cada dia nos ensina o que lutamos às vezes em não aprender, nos escondendo atrás de características que não são definitivas (apesar de termos a pia certeza de que são...) e não nos ajudam. Felicitemos as críticas, as não concordâncias, a tudo aquilo que depois da poeira baixada, nos mostra que a mudança e a evolução não só é necessária...

... como nos trará benefícios futuros.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Reflexos subliminares...


Quando temos uma pequena aptidão para escrever, e não temos muita experiência, nos deparamos por vezes com bretes e bifurcações que nos dificultam um pouco na prática de colocar as idéias no papel. Esses becos sem saída ocorrem com mais frequência quando estamos nos relacionando com alguém.
Traduzir os pensamentos em palavras continua sendo relativamente fácil, o que não é fácil na verdade é COMO fazê-lo sem ter de pagar por isto. Existe sempre o risco da identificação intima, ou seja, o risco de escreveres algo, a cônjuge identificar aquilo como um recado, e este fato ter reflexos de simples a graves dentro do teu relacionamento.
Palavras ditas tem reflexos com um certo nível de gravidade, mas acredite, os reflexos das palavras escritas por alguém que tem esta prática, são muito mais graves.
Na duvida, não ultrapasse. Já diz as placas de transito contidas em nossas estradas de mão dupla. Na duvida, não escrevemos. Está é a prática recorrente. Se tivermos alguma dúvida quanto a nossas palavras criarem problemas ou não, não às utilizamos. É o que acontece. Deixamos de escrever muitos e muitos artigos respeitando esta premissa.

Agora, admito que não saiba realmente se esta prática está certa ou não em ser adotada.

Vejo exemplos do contrário. Apesar de não ser um grande fã, Caetano sempre escreveu e se inspirou em qualquer coisa para compor suas músicas, se inspirava até em outras mulheres e na sua bissexualidade, estando casado, para escrever. Nunca se impôs limites ou amarras, cercas ou parâmetros no momento da composição, o que de certo modo sempre foi um dos motivos da existência da sua grande legião de fãs e adoradores.
Chico, Vinicius, Gil, Milton... todos eles. Nunca impuseram limites às palavras durante as suas obras, colhendo claro, os frutos desta postura. Não que ser extremamente livre ao escrever seja sinônimo de sucesso e popularidade (até porque não é este o intuito deste que vos fala), mas talvez esta liberdade seja uma das premissas para que a atividade de fazer artigos seja ao mínimo... prazerosa. Talvez o escritor tenha de ter total liberdade para escrever seus textos, sem se preocupar com os reflexos futuros daqueles que os lerão, principalmente se estes ocorrerem dentro de sua vida pessoal, criando ou não dificuldades.
 
Atitudes são atitudes, reflexos são reflexos... mas enfim, ferramentas também são ferramentas. Tenho de admitir também que o fato de escrever algo, e tua namorada entender que aquilo possa ser um recado teu para ela, é sim, uma grande ferramenta para dizeres algo que queres dizer, mesmo que normalmente tenhas algum empecilho para que isto seja feito pessoalmente, seja este de ordem particular ou de ordem comum. Temos de admitir sim que, todo texto tem uma mensagem a ser transmitida, e um alvo na mira para esta mensagem.
 
Não venho até vocês hoje, declarar minha liberdade. Não tenho este intuito aqui e agora. Não é esta a intenção. Penso que talvez esteja escrevendo este texto agora, mais com o objetivo de dizer que sim, todo texto tem um MOTIVO para ser escrito, todo texto tem uma INSPIRAÇÃO, e TODO TEXTO, SEM EXCEÇÕES, quer dar um RECADO, deixar uma MENSAGEM, ENSINAR algo, talvez até mudar práticas alheias... tendo sempre UM ALVO em mente... uma pessoa. Por mais que digamos que não após.

Se este alvo é ou não sua namorada, esposa, amante, ficante, rolo... deixa assim ficar... subentendido...

 

 

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Olho por olho, dente por dente, coração por coração...


Há tempos venho procurando um motivo, um assunto, uma inspiraçãozinha qualquer para voltar a escrever. Nunca fui um escritor profissional, daqueles que escolhe assunto e momento certo para colocar as ideias no papel, digamos que os assuntos sempre vieram por si mesmos, e os momentos em que escrevia eram os mais variados. Apropriados e inapropriados.
Hoje não foi diferente. Estou neste exato momento em plena jornada de trabalho, escrevendo sobre um assunto que me veio à cabeça hoje pela manhã, após uma noite de pouco sono de qualidade. Enquanto estava tentando dormir, lembrei-me da famigerada lei de talião (se escreve com letra minúscula mesmo, pois não é nome próprio), aquela que todos conhecem pela máxima “olho por olho, dente por dente”. Trocando em miúdos, consistia basicamente num sistema onde crime e pena eram equiparados, sendo assim, a justiça era feita impondo ao criminoso o pagamento na exata moeda do dano que causava. Se matasse, morria, se ferisse, era ferido. A regra era que a punição deveria ser exatamente igual ao crime.

Analisando friamente, cheguei a dois questionamentos:

Será que tal lei hoje ainda é aplicada? E se for, onde, como e quando a mesma entra em prática?

A primeira coisa que me veio à cabeça foram os misteriosos caminhos do amor. Não me pergunte por que e como (coisa de insone...) peguei-me indagando o seguinte: onde a reciprocidade poderia ser mais bem aplicada do que em um relacionamento amoroso? Onde o ato e a consequência (misturando aqui já a lei de talião com o principio da proporcionalidade da causa e do efeito) deveriam ser mais equiparados, mais isonômicos, mais igualitários? (Um anexo: Importante aqui frisar que não falo sobre o cometimento de atos errados e suas respectivas consequências, falo sim sobre a troca de amor, de carinho, de sentimento, e o respeito à reciprocidade nestes momentos).

Quem já leu alguns textos específicos deste blog sabe que sou um homem carinhoso. Tenho literalmente muito carinho a dar, e sendo um homem também leal, costumo ter em estoque muito mais carinho do que uma pessoa só necessita. A consequência disto é que, para não exigir demais da pessoa que está comigo, e também para não trair meus valores e princípios de fidelidade, acabo espalhando este carinho por vários entes permitidos: família, namorada, filhos, cachorros, amigos, objetos pessoais, etc. Todos são contemplados com muitos beijos, abraços, palavras carinhosas e atenção. Problema então é fazer o link com a lei em voga deste texto:
Se sou muito carinhoso, por óbvio, gosto de receber muito carinho e atenção também. Olho por olho, dente por dente, coração por coração. E admito: peco por ser exigente neste sentido. Todos aqueles que recebem meu carinho em abundância, acabam por receber também um carnê de pagamento: dar-me em troca um nível elevado de atenção. Exigência injusta... não conheço uma viva alma que tenha a mesma aptidão para encher alguém de afagos...
 
Cometo o crime de ser carinhoso demais, e crio a expectativa de receber a pena na mesma moeda. Alguns dirão que ser carinhoso demais não é crime, outros dirão que gerar tais expectativas é que seria o real crime... eu digo que até hoje, paguei penas fortíssimas por amar demais, acreditando que ser assim não seria crime algum...

... mas as noites insones costumam ter justas penas: penas em forma de questionamentos... e me dou o direito de me questionar sempre quando acho cabível, independente se o ato de se questionar é questionável para alguns, e aceitável para outros. Para mim é normal, e mais... é salutar.

Indago-me, portanto, qual é a solução para tais infrações penais: Amar menos? Aceitar ser menos amado? Amar e esperar menos amor? Ou simplesmente... continuar amando exageradamente confiando  que o amor é algo que não se deve ter medidas?

Amo-me como nunca me amei antes. E alguns dirão que é isto que importa. Eu mandarei literalmente essa filosofia barata se fuder e pedirei aos donos dela prestarem atenção no que estou escrevendo: não é o meu amor próprio que estou colocando em júri popular, mas sim a consequência disto...

 ... se estou certo em acarinhar exageradamente e esperar o mesmo carinho em troca...

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O Grande Tribunal...


Todos nós, inclusive aqueles que não são ligados à área do direito, estamos acostumados a figura do tribunal. Sempre quando pensamos nesta palavra, facilmente conseguimos imaginar um juiz a julgar, jurados ouvintes atenciosos a direita, o réu individuo que está sendo acusado sentado ao meio, seu advogado tentando lhe defender ao seu lado e o promotor em pé a acusar. Existe até um gênero de filmes e séries americanas que usam julgamentos como temática, os chamados filmes de tribunal: “Perfume de mulher” e “Law and order” são exemplos clássicos.

Se ao ler isto, conseguiste imaginar o que é um tribunal também, meio caminho andado para mim. Hoje escrevo não para falar sobre algum júri popular ocorrido ultimamente, ou algum julgamento que está ocorrendo, ou até de algum que já tenha presenciado. Escrevo para enfim, explicitar o tão esperado momento onde eu mesmo, com uma pequena ajuda, consegui enxergar qual é o grande júri da vida, aquele que realmente importa: o nosso próprio.

Não sei se já conseguiste perceber, mas diariamente nos encontramos em sucessivos juris, em sucessivos “autojulgamentos”. Se já conseguiste perceber, parabéns, pois só agora este fato saltou-me aos olhos, só agora consegui perceber as figuras presentes do réu, do promotor, do juiz, do júri e do advogado de defesa, todas elas concentradas na minha própria pessoa.

Coisa de maluco¿ Pode até ser. Mas quantas vezes já pegaste o promotor interno te acusando ferrenhamente, te chamando de fracassado, perdedor, preguiçoso, e até mesmo... feio¿ Quem nunca aqui já não se pegou convencido de algo negativo sobre si mesmo, apesar de todas as evidências apontarem na direção contrária¿

Imagine o tribunal. Agora imagine o réu, o promotor, o juiz e o advogado de defesa, agora imagine todos eles dentro de sua cabeça atuando, representados pela sua própria pessoa. O que quero dizer é que internamente nos auto acusamos todos os dias, nos auto defendemos, nos auto julgamos e nos auto condenamos ou absolvemos. Mas, garanto a você, querido leitor, que o promotor, aquele que acusa, insistentemente obtém vitórias memoráveis sobre o advogado de defesa, que tal qual um palerma astronômico, não tem competência para combater tais acusações sucessivas. E nós, desta maneira, somos autocondenados todos os dias, todas as horas, todos os minutos.



Um salve para aqueles que foram criados aprendendo a se autodefenderem de si mesmos.



Sei que isto parece figuração de advogado novo que gosta da área que atua, e sei também que para os entendidos em psicologia o que escrevo aqui parece mais artimanha de terapeuta para fazer-nos entender como funcionam nossos esquemas mentais. Mas sinceramente confesso novamente o que confessei antes: pela primeira vez na vida, percebi que meu promotor interno me acusa de muita coisa injusta, e a vida inteira, inteirinha, obteve vitórias memoráveis, conseguindo que eu me autocondenasse em todos os grandes e importantes aspectos da vida.

Está na hora de deixar o advogado de defesa trabalhar. Está na hora de me autodefender de mim mesmo. Está na hora de colocar o promotor em seu devido lugar, negar-lhe as acusações, demonstrar ao juiz as provas abundantemente existentes do contrário, e deixar que o réu (eu mesmo) saia absolvido de algo pelo menos uma vez na vida. Chega de se autocondenar, chega de se autoconvencer das infelicidades não existentes, dos fracassos inverídicos, das derrotas que nunca foram nem jamais serão ao menos... reais.

No grande júri interno da vida, somos nós quem comandamos as peças deste tabuleiro jurídico, e somos nós quem determinamos quem será e sairá vitorioso. Basta apenas aprender a como corretamente manuseá-los, a como fazer com que o advogado de defesa seja digno de vitórias memoráveis nos juris diários que nós mesmos, nos impomos.

sábado, 22 de outubro de 2011

Traição

Um dos assuntos mais abordados por pessoas que comigo debatem sobre meus textos é a traição. Relato aqui os dilemas e as perguntas que são sempre as mesmas, apesar das situações serem sempre diferentes: O que é traição? Levando em conta as convenções sociais de hoje, podemos trair? Devemos ou não perdoar uma traição? E afinal, qual é a receita básica para identificarmos previamente um(a) traidor(a) em potencial?

Como diria Jack o estripador, vamos por partes.

Segundo o Aurélio, o vocábulo traição é a simples “infidelidade no amor”. Sinceramente? To pouco cagando para esta definição. Para mim, quem define o que é ou não traição somos nós mesmos. Traduzo através das diferenças: para uns, uma pequena olhada ou um sorriso já são traições consideradas, para outros, ver o(a) cônjuge transando apaixonadamente ao vivo com outra pessoa em sua própria cama é tranqüilo e normal. Motivo de prazer até.

Quem definirá isto são os nossos limites, os nossos próprios valores extremamente particulares. Não sou eu portanto, quem direi a ti o que deves considerar chifre ou não. Aprenda a auto-respeitar as tuas próprias definições e a não se importar com o que os outros acham, que serás feliz com certeza. Direto, curto, reto e simples assim.

A resposta para a segunda pergunta está intimamente ligada com a anterior. Podemos ou não trair afinal? Depende. Depende do que tu e a tua parceira consideram como traição. O que interessa nisto é realmente nunca, mas nunca mesmo, trair os sentimentos e a confiança da outra pessoa e, se tens o hábito de seres infiel, tomares como regra o não se importar em ser traído. Regras e pesos iguais na balança sempre. Nada de sorrir satisfeito quando fores infiel e chorar desiludido quando fores traído.

Se não queres ser corno, não corneie. Princípio básico.

Agora a resposta é minha pessoal para a terceira pergunta. Eu particularmente não admito traição, portanto, se sou traído o relacionamento automaticamente não sobrevive para contar história. Não compreendo a revanche como remédio e não interessa o tamanho do vínculo ou do sentimento, não admito a condição e explico o porquê: a traição ao meu entender demonstra o total desrespeito e desconsideração com a vida conjugal e em comum. Para mim, quando duas pessoas se juntam é para justamente juntarem tudo, desde o sexo até as tristezas e alegrias, quando um terceiro entra na jogada, tal situação passa a não existir mais mesmo que momentaneamente. Demonstração clara de que mesmo existindo amor e o caralho a quatro, naquela hora ali o compromisso e o casal na definição clássica deixaram de existir. É fim e ponto final. Um é pouco, dois é bom e três... três é sempre demais para mim.

A desilusão sempre acontece depois de uma traição descoberta, e como o próprio termo diz, a ilusão de um relacionamento perfeito, uma pessoa perfeita, vai embora. Como podemos então identificar previamente quem provável irá nos trair?

É muito mais simples do que se imagina. Basta olhar e analisar bem a família desta pessoa. Se os seus pais, apesar de casados, tiverem um histórico de infidelidades e desrespeitos, já contem o chifre como certo. É batata, de todos os traidores que conheci, 100% deles herdaram esta característica dos seus próprios pais através da criação, e cresceram infelizmente achando inconscientemente que apesar dos arranca-rabos decorrentes, é normal e comum comer ou dar para alguém pela simples oportunidade. Foda-se os escrúpulos e besta é de quem não aproveita.

Cresci tendo como parâmetro o contrário. Meus pais até hoje, após quase meio século juntos, são apaixonadíssimos um pelo outro, e fazem tudo, absolutamente tudo juntos. Ontem, hoje e amanhã será assim. Não há espaço nem de tempo para a infidelidade. Como conseqüência, eu e meus irmãos quando estamos apaixonados somos simplesmente incapazes de trair. A nossa criação nos diz que o relacionamento, o namoro, transcende e ultrapassa a linha do apenas curtir juntos. Como dizem por ai, “a coisa é séria”, séria a ponto do respeito e da vontade de satisfazer e estar satisfeito serem de tão grande valia quanto o amor.

Talvez seja exatamente este o ponto. Se as pessoas se preocupassem mais com a satisfação verdadeira e duradoura, tanto sua como do outro, e se estes agrados fossem mútuos e equiparados, talvez não sobrasse espaço para buscar fora o que não se ganha dentro. Não haveria insatisfação racional e...

... talvez a fidelidade indefectível como a dos meus pais, não fosse tão rara nos dias de hoje...

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O romântismo, o platonismo e o facebook

Existem certas coisas que fazem parte de nós desde que nos conhecemos por gente. Independente de onde vieram, se por influência da criação, do contexto ou pura genética, algumas características de personalidade nos são tão naturais quanto a cor dos nossos olhos.

Nunca neguei, sou sim um romântico inveterado. Confesso que na maioria das fases de minha vida, cheguei até a negar possíveis relacionamentos casuais por pura falta do tal romantismo no processo. Digamos que o conhece, bimba e vai embora nunca foi o meu forte. Alvo de criticas por conta desta diferença de gostos (priorizar o coração de uma menina em detrimento da bunda e dos peitos), sempre fui incompreendido por amigos e amigas que tentavam (e ainda tentam) a todo custo me apresentar simples parceiras de cama. Mas como todos sabem, defendo piamente que todo homem tem sim, o direito de dizer não quando ele assim o desejar. A era da obrigação de comer já passou, e se tu ainda dependes disto pra te sentires mais homem, te considere ao mínimo um atrasado.

Amor com sexo, sexo com amor, sexo e amor. Já viveram e por vezes ainda vivem em separado na minha rotina, mas para mim, qualquer um deles funciona muito melhor quando um complementa o outro. E é esta combinação que busco incessantemente fazer.

Óbvio que tive e tenho todas as características masculinas de ser: sinto-me atraído sexualmente por mulheres bonitas assim como todos os outros, inclusive andando na rua, claro. Tudo igual. Mas digamos que o meu romantismo determina inclusive que tipo de mulher eu me atraio sexualmente. Vamos lá, em definição a mais objetiva possível: digamos que sexualmente falando, eu prefira muito mais as princesinhas encantadas como Isis Valverde e Nathalia Dill do que as mulheres fatais como as panicats. Quero e gosto de me relacionar muito mais com as mignonzinhas românticas do que com as boazudas. Nego as segundas para ficar com as primeiras (não quer dizer que as nego sempre...). E mais uma vez sou chamado de louco pela maioria dos homens neste caso. Como pode um macho alfa como eu gostar menos das gostosonas unânimes do universo masculino do que das namoradinhas do Brasil? Como pode um homem saradão gostar mais das que impõem dificuldades sentimentais do que daquelas que querem dar sem qualquer tipo de compromisso e demora?

Questão de prioridades, gostos e valores. Acredite, nem todos os homens são iguais.

Mas quem disse que hoje estou aqui para falar de apenas uma característica minha?

O segundo aspecto que trago a tona é o de ter sido platônico a minha vida inteira. Sempre tive paixões platônicas calcadas na distancia e no voyeurismo escondido e velado. Quando novinho, na minha pré-escola, era apaixonadinho por uma menina de olhos claros e cabelos enroladinhos que ia para aula com chuquinhas enfeitadas pela mãe. Ficava admirando em segredo durante o recreio e sempre procurava estar por perto quando a mesma precisava nem que fosse dum lápis de cor emprestado. Anos e mais anos após, esta mesma figurinha meiga se transformou numa das maiores atrizes pornô que este país já teve (sério!). Fez cenas com mais de 50 atores ao mesmo tempo. Ela nunca soube da minha paixão infantil e claro, nunca mais irá saber, pois a sua figura hoje até pode ser motivo de excitação para a maioria dos homens, mas para mim, não mais.

Hoje em dia tenho meus platonismos, claro, e o mais marcante é virtual. Já que o facebook se transformou numa parte da minha rotina diária, existe dentro deste universo cibernético uma pequena que me encanta os olhos e não sabe.

Respeitando todas as características físicas que me atraem, muito bonita e aparentemente romântica, e sendo também alguém que nem ao menos conheço mas vive aparecendo na minha frente (nas atualizações dos meus contatos), ela consegue unir os dois elementos cernes deste texto. É sim a representação do tipo de mulher que gosto de me envolver e que também talvez nunca vá saber disto...

... mas não por falta de vontade...

Tal texto hoje, escrito num início de madrugada de domingo para segunda, é inspirado e dedicado a ela, a ilustre desconhecida. Saibas que sim, tu és tão linda que chega a doer, e que teus olhos por vezes claros, por vezes escuros, não escondem o quanto és sim, romântica como também sou. Hoje escrevo pra dizer-te que apesar de ser à distância, existe sim alguém que te cuida e te olha inocentemente...

... todos os momentos que adicionas alguém ou mudas o teu status. Hehehe...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A obra do amor


Oh queridos românticos! Como é difícil e árdua a tarefa de carregar tamanho fardo pesado sobre os ombros!

Somente nós, os que suspiram e anseiam por uma boa e especial paixão, compreendemos o quão difícil é ser assim, um defensor dos relacionamentos carinhosos e dos olhos que brilham.

Não é nossa culpa, nascemos com uma benção. Num mundo onde as telenovelas pregam o desapego e a traição em horário nobre, somos apaixonados pela sensação de apaixonar-se. Nos alimentamos com os carinhos sem fim, com o perfume doce da amada no travesseiro, com abraços de orelha fria, com gemidos de cafuné e com o aconchego dos seios. Nos mantemos vivos com a mensagem de texto do antes de dormir, de se sentir prioritário, da saudade que se sente após 30 minutos da despedida, da fala arrastada de criança e das mãos bobas escondidas. Vivemos do beijo longo e do selinho, da contraprestação atendida das nossas atenções, do fogo entre quatro paredes, do quase chorar com a beleza e valor dos momentos de declaração e da janta feita carinhosamente para nos esperar.

Sentimos falta do orgulho do status de não solteiro, da beleza de querer transformar a vida do outro em algo mais especial, dos planos de casamento ao ar livre, do nome dos filhos e do golden retriever. Queremos cada vez mais pipocas e filmes, lareiras e vinhos, lábios mordidos e olhares de desejo. Adoramos os cabelos enrolados da nuca, a pele macia de hidratante, a sensação de peito preenchido e a vontade crescente de estar junto fazendo qualquer pequena coisa.

Nós sentimos falta do que é bom, daquele suspiro profundo buscando ar quando parece que este ar não vem se a pessoa não está por perto. Sentimos falta da proximidade, da intimidade cotidiana e sexual, da atenção e claro, do porto seguro que está ali sendo oferecido de bom grado.

Só nós sabemos, meus queridos, o quanto dói relacionar-se com alguém que não tem a vontade necessária para ser o alguém que nos causa furor, que não nos dê causa para os esforços diários, que não queira sentir o mesmo que sentimos. O quanto dói olhar e não ser olhado, querer e não se querido, tratar e não se tratado, faltar e nunca ser percebido faltado...

... o fogo apaga, o frio chega e se instala, o vento aparece levando todas as vontades e alegrias. As cores e os cheiros da rotina mudam. Instintivamente passamos a buscar soluções.

É em momentos assim que a concorrência aparece, mas não a concorrência do ditado popular, e sim aquela que existe normalmente sem ser notada, e que é composta por dois sentimentos que não deveriam ser antagônicos, mas sim protagonistas de uma mesma história: o amor próprio e o amor por outra pessoa. Se caminharem juntos, perfeito. Se concorrerem entre si como numa queda de braço, a experiência da vida diz que devemos sempre escolher pelo certo, fazer o correto.

Priorizar infinitamente o primeiro.

Com as vontades vencidas retornamos a primeira estaca da vida somada a outra, mas em contrapartida retornamos também a nos preocupar exclusivamente com a construção da nossa própria vida (o que é muito bom)...

... esperando que a qualquer hora, em qualquer lugar e de qualquer modo, uma outra obra conjugal se inicie com alguém que também goste de levantar tais paredes...



terça-feira, 28 de junho de 2011

A imagem, o bem estar e a concorrência

Apesar de não conseguir muito por culpa da quase completa falta de tempo, gosto de cuidar da minha aparência. Sendo direto: confesso que sim, meu bem estar está intimamente ligado a este aspecto.

Quando menino sempre fui um rapaz muito magro, franzino e de cabelos fartos. Tenho exatos 1,75 metros, e pesei dos 15 aos 25 anos algo em torno dos 60 kg’s. Não era por falta de alimentação ou esforço que era magrelo, era por genética mesmo, filho de mãe italiana, comia quilos de comida ao dia, milhares de calorias ingeridas e, por mais que me embugasse de tanto carboidrato, meus gambitos, meus bracinhos de palito, minha barriga côncava e minhas costelas aparentes continuavam iguais.

Nesta mesma fase, meus cabelos eram grandes, negros e como disse, fartos. Estudava em escola Adventista e, infelizmente neste caso, regras a mim eram impostas quanto ao cumprimento dos mesmos. Como se este fosse o maior empecilho: mãe italiana, pai também italiano. Ele nunca me deixaria ter cabelos de Rockstar na adolescência. Mesmo assim, a franja era grande, alta e penteada para a direita, no geral eles eram negros, relativamente cumpridos (vulgo cachopa lisa) e brilhosos.

Na época, me recordo de ser complexado principalmente pelo fator magreza. Todos os meninos eram maiores e mais fortes do que eu (pelo menos eu os enxergava assim). A concorrência de outras imagens me fazia formar a minha própria, o que corriqueiramente acontece com adolescentes e jovens adultos. Insegurança corriqueira e compulsória para tal idade, ninguém escapa/escapou, nem Paola de Oliveira, nem Reynaldo Gianecchini. Tenho certeza que até eles sofreram ou até sofrem por alguma insatisfação física. Eu era por todas quase.

Passados alguns anos, hoje as vésperas de completar três décadas de vida, meu corpo e meus cabelos definitivamente mudaram. Estes últimos citados estão aos poucos me abandonando para nunca mais voltar. Gostar não gosto deste aspecto herdado geneticamente, mas encaro com bom humor: sou o primeiro a rir ou fazer piada da minha condição de careca emergente. É defesa, eu sei, mas é o que me resta antes de ter coragem de fazer um implante (de boa qualidade). E sim, eu o farei por mais ridículo que isto possa parecer, até porque sou amplamente defensor das intervenções cirúrgicas voltadas para a estética.

No campo das mudanças físicas, posso dizer que não sou mais magrelo. Troquei os antes 60 kg’s por aproximadamente 85, o que para minha altura me garante um porte atlético e forte. Esta mudança só aconteceu fruto de muita musculação, muito peso levantado, muito suplemento ingerido e principalmente muita disciplina empregada. A tal academia normalmente acontece em um intervalo de pouco mais de uma hora entre o serviço e as aulas noturnas, o que me faz ter uma rotina de louco desvairado no horário vespertino. Só tem uma coisa que não mudo na verdade: to pouco me lixando por minha barriga não ser de tanquinho, isto porque odeio abdominais e adoro a combinação do lúpulo e da cevada.

Muito papo e pouca objetividade: o que na verdade quero contar é que alguns dias atrás, por conta de uma festa familiar, me vi revirando uma caixa inteira de fotos familiares que a muito não mexia, e pasmem: descobri que apesar de magro e sem o corte de cabelo que gostaria de ter... na verdade eu era um rapaz bonito! Gostei-me muito me vendo ali.

Lembram da parte da concorrência que me fazia a imagem própria? Pois é. Mesmo o mais forte dos trogloditas se sentiria um Sadol no concurso de Mister Universo e mesmo o mais cabeludo dos adolescentes se sentiria um autentico Esperidião Amin num grupo de metaleiros.

Quer saber o que realmente aparentas? Cuide dos teus espelhos.

Enxergue o que verdadeiramente és e esqueça o que os outros são. Pergunte a ti mesmo, e a mais ninguém. Lição simples de segunda à noite.

domingo, 10 de abril de 2011

A análise compulsória...

Nunca tive muita vocação para escrever sobre os problemas psíquicos das pessoas. A única vez que fiz isto, minha caixa de e-mail lotou com um número nunca mais alcançado de comentários e críticas. Pena que a maioria delas me condenando pela completa falta de conhecimento do que havia escrito.

Com toda razão.

Não tenho nem prática, nem estudo e muito menos contato com qualquer tipo de psicopata, sociopata, ou qualquer outro tipo de pata que existe por ai, apesar de ter tomado tantas em tais comentários. Não sei identificá-los como defendi há cinco anos atrás, e admito meu erro com a maior naturalidade do mundo. Até hoje as pessoas entram em contato comigo me perguntando como eu os enxergo, e hoje um pouco mais adulto, admito: não faço a mínima idéia. Desculpem-me pelas palavras errôneas do passado e pelas possíveis influências que minha ignorância jovem e inconseqüente deve ter criado.

A idéia deste texto de hoje surgiu da tragédia do Realengo, claro. A palavra psicopata vem sendo explorada e utilizada em larguíssima escala pela mídia e pelas pessoas em geral, mas baseado na experiência supracitada me nego a seguir o fluxo. Só quem pode falar ou explicar tal termo é quem o conhece e, além disto, estou analisando a situação de outra maneira.

Confesso que não tenho pensado no assunto horrorizado com a tamanha atrocidade que o tal rapaz cometeu, mas sim no que o levou a realizar tal ato. E isto sim, é o que me deixa com o resto dos meus cabelos em pé.

Com o tempo treinamos para identificar causas observando apenas as conseqüências. A conseqüência de tudo foram os tiros que mataram mais de uma dezena de pré-adolescentes, e feriram outra mais de dezena. As causas, a meu ver, dizem respeito também a prováveis abusos infantis, sinceramente.

Comecemos pelo inicio, apesar da redundância:

- Ninguém entra em algum local, seja ele qual for, atirando com convicção em jovens inocentes sem ter algumas motivações em especial. Uma destas motivações pode estar ligada ao local em si, neste caso, a escola. O autor dos disparos estudou em tal local em sua infância, freqüentou aqueles corredores e salas diariamente e segundo relatos que li na imprensa sensacionalista internética, sofreu abusos infantis em forma de termos humilhantes e violência física. Sim, estou falando em bullyng. A raiva expressada através dos sessenta e seis tiros disparados em tal local para mim está clara, e me faz pensar o seguinte: se nos preocupamos apenas um pouco com os traços deixados por abusos mútuos praticados por crianças e adolescentes de hoje, a verdade das possíveis conseqüências destes abusos no futuro nos é jogada na face por este acontecimento. Está na hora de nos preocuparmos mais com a educação de nossos filhos, não para que os mesmos não sejam vitimas destes abusos, mas sim para que não sejam os causadores.

- Outro fato que me chamou a atenção foi o perfil das vítimas fatais e não fatais. Quase todas meninas e da mesma idade. Dos adolescentes que vieram a óbito, onze eram meninas e apenas um menino. Ouvi o Bonner dizer que antes de atirar, o assassino ordenava que as vítimas ajoelhassem e indagava: - “Tu és virgem”? Se a menina respondesse que sim, era sumariamente executada com tiros na cabeça, no rosto ou no abdômen. Qual o intuito de eliminar virgens? Seria evitar que as mesmas se tornassem “impuras”? A análise deste ponto vem junto com o próximo.

- Na carta suicida, o jovem atirador externou um exagerado fanatismo religioso, além de uma aversão enorme ao ato sexual. Chegou a expressar vontade de após morto, não ser ao menos tocado por aqueles que praticaram sexo fora do casamento ou adúlteros. Juntando isto ao fato apontado no ponto anterior, concluo sem muita certeza a probabilidade deste jovem ter sido abusado sexualmente na infância e até na adolescência. Estava talvez, em seus pensamentos e conclusões doentias, tentando evitar que estas meninas sofressem do mesmo “mal” que particularmente, o sexo representava.

Por óbvio, senhor leitor ou senhora leitora que gosta de achar pêlo em ovo, que não procuro aqui defender este verdadeiro animal covarde que assustou a todos neste país. Apenas me expresso no sentido de que para cada ação existe uma reação, para cada maldade existe um trauma, e para cada trauma existe uma conseqüência, seja ela expressada em sofrimentos particulares ou... atrocidades loucas desvairadas.

Se nos preocupássemos mais em respeitar o próximo, a sua integridade física e moral, ensinássemos os nossos filhos a fazer o mesmo, talvez muitos destes momentos nem ao menos existiriam. Talvez até grande parte de nossos próprios sofrimentos não existiriam.

Lembrem-se: ninguém nasce maldoso, não existe raça ou linhagem humana que geneticamente transfere a seus descendentes esta característica. Todos nós somos formados e moldados de acordo com o contexto em que estamos inseridos desde o nosso primeiro dia de gestação até o momento de nossa morte. Portanto, acorde! Já admiti que não sei o que é um psicopata, mas não é necessária tanta inteligência assim para sabermos como um é formado. Pare de traumatizar outras pessoas, pare de ensinar seus filhos a fazerem isto, pare de aceitar que mazelas da vida em sociedade são comuns, normais e até corriqueiras...

... pois se isto não mudar, um belo dia o que aconteceu ontem será tão corriqueiro quanto...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A síndrome do príncipe encantado

Durante minha juventude, sempre fui considerado “o amigão” das meninas. Sempre fui o atencioso, o querido, o compreensivo, o carinhoso... e apesar do que se diz por ai sobre o “campo da amizade”, isto nunca me atrapalhou em minha vida amorosa.
Pensando bem... sempre tive muito sucesso na qualidade das mulheres que me envolvi, muitas delas sendo minhas amigas antes, durante e após o envolvimento. Digamos que consegui a quase perfeição entre a quantidade e a qualidade, o chamado “meio-termo justo”. Não me envolvi com tantas assim, pois não sou caçador, mas as que me envolvi me garantiram muitos momentos de felicidade.
Durante as inúmeras “conversas femininas” as quais eu homem hétero estive presente de gaiato, sempre escutei de minhas amigas a expressão “síndrome de Cinderela” como sendo algo intimamente e exclusivamente ligado ao gênero feminino. Tal expressão, segundo as mesmas, diz respeito ao fato da maioria esmagadora das mulheres ter o objetivo de vida, ou melhor, a meta de se casar um dia, de constituir uma família perfeita, morar no local perfeito, ter um casal de filhos e de labradores... facilmente se conclui que é definitivamente uma das vitórias femininas. Seria a vontade de se viver um conto de fadas, de se encontrar o príncipe encantado montado no cavalo branco de crinas douradas... e que este as resgate dos monstros da vida que tanto lhes trazem infelicidades.
Ainda de acordo com elas, o primeiro sintoma desta síndrome é o fato de logo de início, quando conhecem alguém, enxergar este alguém esperando no altar enquanto se é conduzida até ele pelo pai ao som da marcha nupcial. Serve como exemplo, mas sempre é algo relativo à cerimônia de casamento ou a vida de casada.
Pois bem meninas, venho através deste lhes avisar que sim, nós homens, apesar de termos menos casos comprovados, ou admitidos, também sofremos da versão masculina da tal síndrome, a qual eu denomino de “síndrome do príncipe encantado”. Muitos de nós também, ao conhecer alguém, não demoramos muito (quase nada...) para imaginarmos se esta pessoa ficaria bem de véu e grinalda adentrando as grandes portas de uma igreja, sendo conduzida em nossa direção.
Declaro solenemente que sofro deste mal desde menino, idealizando em 100% dos casos a esposa perfeita e a mãe de meus filhos.
Mas porque “sofro deste mal”? Ou melhor, porque designar tal característica como um problema? Porque infelizmente hoje em dia românticos têm facilmente a sua importância derrotada por um motivo fútil qualquer. Os sonhadores, que teimam em sonhar e planejar uma vida romântica e perfeita ao lado de alguém (e eu me incluo nisto), muitas vezes se vêem deixados de lado por este alguém, tendo derrepente de esquecer à força sonhos e planos... engolindo goela abaixo o fato de ter de dar a partida e iniciar tudo de novo...

Não quero transformar este texto em uma simples reclamação do quanto o mundo é cruel e do quanto a vida nos prega peças e chacotas amorosas...

...quero apenas deixar claro para vocês mulheres, aproveitando esta pequena recaída romântica e carente que estou tendo no momento, que existem muitos homens como eu que sonham com a mulher maravilha, com a tampa da panela, com a metade da laranja, com o pé torto para o nosso chinelo velho... enfim, sonham com a bela adormecida, com a Cinderela perdida e descalça esperando pelo sapato de cristal que há tempos carregamos junto para ver se serve em alguém...

E enquanto não encontramos... continuamos eternamente no campo do conto de fadas... querendo ser o príncipe encantado, mas se sentindo o Shrek isolado no meio do pântano...